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terça-feira 27 outubro 2020
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Por que o Paraíso é dentro de nós?

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A palavra “intimidade” vem do latim intimu, que se refere ao que está dentro, no sentido de afeição e amor. Portanto, quando falamos de intimidade com Deus, não estamos falando somente de proximidade com o Salvador através da amizade e conhecimento apenas.

Muitos dos discípulos de Jesus eram próximos a Ele, mas poucos foram íntimos do Seu coração a ponto de estarem com Ele nos momentos de alegria e dor. Podemos ver, na transfiguração do Monte Tabor, quando apenas Pedro, Tiago e João contemplam a antecipação da Glória do Senhor (Lc 17,1-13). Mais tarde, no momento de Sua maior fraqueza, Jesus, no Monte das Oliveiras, sentindo a angústia da morte, humildemente pede para que seus “íntimos” vigiem com Ele (Mt 26, 36-46). Portanto, a intimidade sempre será ligada ao contexto do secreto e da descrição. Muitas vezes, somos tentados a tratar Deus como as multidões, não de forma pessoal, mas abstrata, e esquecemos que a maior riqueza que temos em nossa vida é a certeza de que o Todo-poderoso desejou, desde toda a eternidade, entrar em comunhão conosco pessoalmente, singularmente.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem dentro um do outro

Quando olhamos para a vida divina – isto é, a imanência de Deus, que subsiste em si mesmo e que, sendo três pessoas distintas, mas de uma única natureza, faz que Deus, Uno e Trino, seja um único Deus, adorado e glorificado -, o que aprendemos é que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não vivem um ao lado do outro, mas, em um movimento de amor, vivem um dentro do outro. É assim a vida divina. É tão forte essa verdade de fé que, ao viver em si mesmo, Deus vive em um movimento de esvaziamento constante de si em direção ao outro. Tão forte é este Ágape, que Deus comunica, para fora de si, o Seu amor chamando à existência todas as coisas. E dentre todas as criaturas criadas no céu e na terra, Ele deseja comunicar a sua vida divina a uma criatura feita do pó da terra, frágil, pequena e limitada, e esta criatura Ele chamou de Homem (cf. Gn 2,7).

Esse ser frágil e inferior aos anjos, feito da matéria mais simples de toda criação (pó de terra), é chamado a ser habitação do Todo-poderoso. Por isso, ao insuflar a sua vida dentro do homem, Deus comunica a si mesmo dando vida, sentido e verdade, e fazendo com que aquilo que era desprezado se tornasse o mais precioso. Não importa como você se encontra em sua existência, se, neste momento, sendo morada, você sente que sua casa não é linda nem mesmo dotada de luxo. O que importa não é a casa em si, mas quem nela habita. O que quero dizer? Simples: não importa se sua morada é uma mansão, um palácio real ou uma casa de pau a pique, nem mesmo se fosse uma simples sarjeta, o que importa é que você é morada d’Aquele que encerra em Si toda glória e realeza.

Onde está Deus? Onde está o Paraíso?

Que lindo poder tomar posse desta verdade de fé: Deus nos ama tanto, que não quis que nos perdêssemos d’Ele. Então, na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho único para nos salvar (Jo 3,16), a fim de fazer com que aquilo que era perdido fosse encontrado e colocado no lugar de onde nunca deveria ter saído, isto é, da presença d’Ele. Um dia, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso. O que Jesus fez por nós? Veio, salvou-nos e enviou aos nossos corações o Seu Espírito, para habitar em nós para sempre e, através do Paráclito, ser íntimo de nós (Gl 4,6).

Em poucas palavras, se o homem perdeu o Paraíso, Deus restituiu o céu não para fora do homem, mas dentro dele. Sendo assim, o céu está dentro de nós e, ao mesmo tempo, dentro de Deus. Onde está Deus? No coração daqueles que creem. Por que dentro de nós? Porque, como natureza, as pessoas divinas vivem uma dentro da outra, dessa forma, ao se relacionar conosco, viverá dentro de nós e nós dentro d’Ele para sempre.

Coragem! Nunca mais nos sintamos sozinhos!

Referências:
LACOSTE, Jean Yves (Dir.). Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas, 2004. LEÃO XIII. Carta Encíclica Divinum Illud Munus, 1897.

CIRILO DE ALEXANDRIA,Comentários sobre o Evangelho de João 9, PG 74, 259-261.

Por Rafael Brito>/i>, via Canção Nova,/i>




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