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O Papa aos jovens: trabalhar por um modelo de economia alternativo ao consumista

“A partilha, a fraternidade, a gratuidade e a sustentabilidade são os pilares sobre os quais se baseia uma economia diferente”, disse Francisco em seu discurso.

O Papa Francisco recebeu em audiência, neste sábado (05/06), na Sala Clementina, no Vaticano, os jovens do “Projeto Policoro” da Conferência Episcopal Italiana, pelos seus 25 anos de fundação.

Depois de agradecer o presente recebido, uma imagem de São José, Francisco sublinhou que “o Projeto Policoro foi e continua sendo um sinal de esperança, especialmente para muitas áreas carentes de trabalho do sul da Itália”. “Este importante aniversário se realiza num momento de grave crise socioeconômica devido à pandemia”, frisou o Papa.

Trabalho e dignidade da pessoa

A seguir, Francisco sugeriu quatro verbos que podem ajudar os jovens em seu caminho. O primeiro é animar. “Nunca como neste tempo sentimos a necessidade de jovens que, à luz do Evangelho, saibam dar alma à economia, porque sabemos que «aos problemas sociais se responde com as redes comunitárias». Este é o sonho que também a iniciativa “Economia de Francisco” está cultivando”, sublinhou.

Os jovens do “Projeto Policoro” são chamados “animadores de comunidades”. “De fato, as comunidades devem ser animadas a partir de dentro através de um estilo de dedicação: para serem construtoras de relações, tecelãs de uma humanidade solidária”. Segundo Francisco, “trata-se de ajudar as paróquias e dioceses a caminhar e planejar sobre o “grande tema que é o trabalho”, procurando “fazer brotar as sementes que Deus colocou em cada pessoa, suas capacidades, sua iniciativa e suas forças. Cuidar do trabalho é promover a dignidade da pessoa. A vocês jovens não falta criatividade: eu os encorajo a trabalhar por um modelo de economia alternativo ao consumista, que produz descartes. A partilha, a fraternidade, a gratuidade e a sustentabilidade são os pilares sobre os quais se baseia uma economia diferente”.

Periferias: laboratórios de fraternidade

O segundo verbo é habitar. O Papa pediu aos jovens “para nos mostrar que é possível habitar o mundo sem pisoteá-lo. Habitar a terra não significa antes de tudo possuí-la, mas saber viver as relações em plenitude: com Deus, com os irmãos, com a criação e com nós mesmos”. Francisco os exortou a amar “os territórios nos quais Deus os colocou, evitando a tentação de fugir para outro lugar”. Segundo o Pontífice, “as periferias podem se tornar laboratórios de fraternidade. Das periferias muitas vezes nascem experiências de inclusão: “De fato, se aprende algo com todos, ninguém é inútil, ninguém é supérfluo. Que vocês possam ajudar a comunidade cristã a habitar a crise da pandemia com coragem e esperança. É o momento de habitar o social, o trabalho e a política sem medo de sujar nossas mãos.”

Elevar a vida dos descartados

O terceiro verbo é apaixonar-se. Segundo o Pontífice, “há um estilo que faz a diferença: a paixão por Jesus Cristo e por seu Evangelho”. Isto pode ser visto no compromisso de vocês de “acompanhar outros jovens a tomarem as rédeas de suas vidas, a se apaixonarem por seu futuro, a formarem competências adequadas para o trabalho”.

“Que o Projeto Policoro esteja sempre a serviço de rostos concretos, da vida das pessoas, especialmente dos pobres e dos últimos de nossa sociedade”, disse ainda o Papa, convidando os jovens a não terem medo de se doarem “para elevar a vida daqueles que são descartados. O contrário da paixão é a mediocridade ou a superficialidade, que leva a pensar que se sabe tudo desde o início e a não buscar soluções para os problemas”.

Os jovens são sinais de esperança

O quarto e último verbo citado pelo Papa é acompanhar. Segundo Francisco, “o Projeto Policoro é uma rede de relações humanas e eclesiais: muitas pessoas os acompanham, suas dioceses olham para vocês, jovens, com esperança, e cada um de vocês é capaz de se tornar um companheiro para todos os jovens que vocês encontram em seu caminho”.

“Queridos jovens, na escola do magistério social da Igreja, vocês já são sinais de esperança. Que sua presença nas dioceses ajude a todos a compreender que a evangelização também passa pelo cuidado do trabalho. Que os 25 anos do Projeto Policoro sejam um recomeço: os encorajo a “sonhar juntos” pelo bem da Igreja na Itália”, concluiu o Papa.

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O Papa: a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o pão dos pecadores

“É assim, com simplicidade, que Jesus nos doa o maior dos sacramentos. É um gesto humilde de dom, um gesto de partilha. No auge de sua vida, ele não distribui pão em abundância para alimentar as multidões, mas se parte na ceia pascal com os discípulos”, disse Francisco no Angelus dominical (06).

O Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus, neste domingo (06/06), Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, na Itália e em outros países. No Vaticano e no Brasil, o Corpus Christi foi celebrado na quinta-feira, 3 de junho.

O Evangelho deste domingo, nos apresenta o relato da Última Ceia. As palavras e os gestos do Senhor tocam os nossos corações: Ele toma o pão em suas mãos, pronuncia a bênção, parte-o e entrega-o aos discípulos, dizendo: “Tomai, este é o meu corpo”.

É assim, com simplicidade, que Jesus nos doa o maior dos sacramentos. É um gesto humilde de dom, um gesto de partilha. No auge de sua vida, ele não distribui pão em abundância para alimentar as multidões, mas se parte na ceia pascal com os discípulos. Desta forma, Jesus nos mostra que o objetivo da vida é doar-se, que a maior coisa é servir. E hoje encontramos a grandeza de Deus num pedaço de Pão, numa fragilidade que transborda amor, transborda partilha. Fragilidade é exatamente a palavra que eu gostaria de sublinhar. Jesus se torna frágil como o pão que se parte e se esmigalha. Mas é ali que está a sua força, na fragilidade. Na Eucaristia a fragilidade é força: força do amor que se faz pequeno para ser acolhido e não temido; força do amor que se parte e se divide para nutrir e dar vida; força do amor que se fragmenta para nos reunir na unidade.

Segundo o Papa, “há outra força que se destaca na fragilidade da Eucaristia: a força de amar quem erra. É na noite em que ele é traído que Jesus nos dá o Pão da Vida”.

Ele nos doa o maior presente enquanto sente em seu coração o abismo mais profundo: o discípulo que come com ele, que imerge o bocado no mesmo prato, o está traindo. E a traição é a maior dor para quem ama. E o que Jesus faz? Ele reage ao mal com um bem maior. Ele responde ao “não” de Judas com o “sim” da misericórdia. Não castiga o pecador, mas doa sua vida por ele, paga por ele. Quando recebemos a Eucaristia, Jesus faz o mesmo conosco: nos conhece, sabe que somos pecadores e sabe que erramos muito, mas não renuncia a unir sua vida à nossa. Ele sabe que precisamos, porque a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o Pão dos pecadores. Por isso, nos exorta: Não tenham medo. “Tomai e comei”.

Francisco disse que “cada vez que recebemos o Pão da vida, Jesus vem para dar um novo sentido às nossas fragilidades. Ele nos lembra que, aos seus olhos, somos mais preciosos do que pensamos. Ele nos diz que fica feliz se partilhamos nossas fragilidades com Ele. Ele nos repete que sua misericórdia não tem medo de nossas misérias. A misericórdia de Jesus não tem medo de nossas misérias”. E acrescentou:

E acima de tudo, nos cura com amor daquelas fragilidades que não podemos curar sozinhos. Quais fragilidade? Pensemos! A de sentir ressentimento por quem nos fez mal, dessa não podemos nos curar sozinhos; de nos distanciarmos dos outros e nos isolarmos em nós mesmos; também dessa não podemos nos curar sozinhos; a de ficarmos tristes, chorando e lamentando sem encontrar a paz, também dessa não podemos nos curar sozinhos. É ele quem nos cura com a sua presença, com o seu pão, com a Eucaristia.

“A Eucaristia é um remédio eficaz contra esses fechamentos. O Pão da Vida, na verdade, cura a rigidez e a transforma em docilidade. A Eucaristia cura porque nos une a Jesus: nos faz assimilar seu modo de viver, sua capacidade de partir-se e doar-se a seus irmãos e irmãs, de responder ao mal com o bem. Nos doa a coragem de sair de nós mesmos e de nos inclinarmos com amor para a fragilidade dos outros. Como Deus faz conosco. Esta é a lógica da Eucaristia: recebemos Jesus que nos ama e cura nossas fragilidades para amar os outros e ajudá-los nas suas fragilidades”, disse ainda o Papa.

Segundo Francisco, isso é feito durante a vida toda. O Pontífice recordou um hino rezado na Liturgia das Horas deste domingo. “Quatro versos que resumem toda a vida de Jesus. Eles nos dizem que quando Jesus nasceu, tornou-se um companheiro de viagem na vida. Depois, na ceia, doou-se como alimento. Depois, na cruz, em sua morte, se fez um preço: pagou por nós. E agora, reinando no céu é o nosso prêmio, ao qual buscamos. Que a Virgem Santa, na qual Deus se fez carne, nos ajude a acolher com coração agradecido o dom da Eucaristia e a fazer também de nossa vida um dom. Que a Eucaristia faça de nós um dom para todos”, concluiu.

FONTE: VATICAN NEWS.

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Santo do dia

Santo Antônio Maria Gianelli, presbítero

Nascido no ano da Revolução Francesa, a 12 de abril de 1789, em Cereta, perto de Chiavari, Antônio Maria Gianelli foi, a seu modo, revolucionário. Ingressou no seminário aos 19 anos e foi ordenado padre quatro anos depois. Professor de letras e de retórica, teve entre seus alunos jovens destinados a brilhar no firmamento cristão, como o venerável Frassinetti. Para recepcionar o novo bispo, dom Lambruschini, o professor Gianelli organizou em Gênova um recital intitulado A reforma do seminário, que teve notável repercussão. Eram os anos da Restauração, após o incêndio napoleônico.

De 1826 a 1838 foi arcipreste de Chiavari. Este período, que ele chamará de “má cultivação”, foi marcado por muitas inovações pastorais na sua paróquia e pela criação de várias instituições, como um seminário próprio e a redescoberta da Suma de santo Tomás na pregação teológica e filosófica dos candidatos ao sacerdócio. Sob o nome incomum de Sociedade Econômica, encaminhou uma instituição beneficente cultural e assistencial confiada por padre Gianelli “aos cuidados das Damas da Caridade’’ para a instrução gratuita das meninas pobres. Era o esboço da fundação que nasceria em 1829, das Filhas de Maria, conhecidas ainda como irmãs Gianellinas, destinadas a rápida expansão e a profícuo apostolado na América Latina.

Dois anos antes criara pequena congregação missionária, posta sob o patrocínio de santo Afonso Maria de Ligório para a pregação de missões ao povo e organização do clero. Em 1838 foi eleito bispo de Bobbio; ajudado pelos ligorianos, a sua jovem congregação, que ele reconstituiu com o nome de Oblatos de Santo Afonso, reorganizou o tecido eclesiástico da sua diocese, removendo párocos pouco zelosos e expulsando os indignos. Entre os seus ligorianos existiu também um apóstata, padre Cristovão Bonavino, brilhan-tíssima inteligência, mais conhecido com o pseudônimo de Ausônio Franchi; racionalista e ateu, que voltou depois à genuína fé cristã, abjurando suas obras precedentes com Última crítica, e prestando um testemunho público de devoção a Gianelli, que esteve ao seu lado nos momentos mais agudos de sua crise espiritual. O santo das irmãs, como é chamado na América Latina, onde ainda florescem suas instituições femininas, acabou prematuramente sua vida terrena, na idade de 57 anos, a 7 de junho de 1846. Foi beatificado em 1925 e canonizado por Pio XII a 21 de outubro de 1951.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus.

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Evangelho do dia

Segunda-Feira da 10° Semana do Tempo Comum

10ª SEMANA COMUM*

(verde – ofício do dia)

O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem (Sl 26,1s).

Paulo bendiz o “Pai das misericórdias”, que nos consola em nossas aflições e sustenta nossa paciência na missão. Ponhamos nossa confiança no Senhor, que nos liberta de toda angústia.

Primeira Leitura: 2 Coríntios 1,1-7

Início da segunda carta de São Paulo aos Coríntios – 1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, e o irmão Timóteo à Igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos que se encontram em toda a Acaia: 2para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação. 4Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição. 5Pois, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo. 6Se estamos em aflições, é para a vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para a vossa consolação. E essa consolação sustenta a vossa paciência em meio aos mesmos sofrimentos que nós também padecemos. 7E a nossa esperança a vosso respeito é firme, pois sabemos que, assim como participais dos nossos sofrimentos, participais também da nossa consolação. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 33(34)

Provai e vede quão suave é o Senhor!

1. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, / seu louvor estará sempre em minha boca. / Minha alma se gloria no Senhor; / que ouçam os humildes e se alegrem! – R.

2. Comigo engrandecei ao Senhor Deus, / exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu / e de todos os temores me livrou. – R.

3. Contemplai a sua face e alegrai-vos, / e vosso rosto não se cubra de vergonha! / Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, / e o Senhor o libertou de toda angústia. – R.

4. O anjo do Senhor vem acampar / ao redor dos que o temem e os salva. / Provai e vede quão suave é o Senhor! / Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! – R.

Evangelho: Mateus 5,1-12

Aleluia, aleluia, aleluia.

Alegrai-vos, vós todos, porque grande há de ser / a recompensa nos céus que um dia tereis! (Mt 5,12) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. 11Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

As bem-aventuranças estão inseridas no Sermão da Montanha, resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz. Aos discípulos Jesus promete a felicidade, não apenas no céu, mas também a que se pode experimentar ao longo desta vida. A felicidade brota de uma série de valores sobre os quais se assenta o Reino de Deus: pobreza, humildade, justiça, misericórdia, pureza de coração, sofrimento por causa da justiça. As bem-aventuranças questionam os nossos critérios habituais e os critérios de uma sociedade que caminha exatamente na direção contrária e que se funda em pseudovalores: ganância, exploração e várias outras formas de injustiça. Em outro discurso, Jesus recomenda: “Busquem primeiro o Reino de Deus e sua justiça”(Mt 6,33).

Oração
Ó Jesus Mestre, de maneira solene ensinas a teus discípulos, e a nós, os valores do Reino de Deus. Vem em nosso socorro, Senhor, e corrige nossa tendência a buscar a felicidade nos bens terrenos. Torna-nos pessoas de coração puro, a fim de colocarmos em ti toda a nossa segurança. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

Fonte: Paulus.

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Conheça a letra e o autor do hino da Campanha da Fraternidade 2022

E quem fala com sabedoria
É Aquele que ensina com amor,
Sua vida em total maestria
É pra nós luz, caminho, vigor.

A Campanha da Fraternidade (CF) de 2022 vai tomando forma, rosto e poesia. Com o texto base em processo de finalização, o Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu o cartaz e a letra do refrão acima como o hino da próxima edição da CF, cujo tema é “Fraternidade e Educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Cf Pr 31,26).

O cartaz já foi divulgado, na última segunda-feira:

Conheça a letra do hino

De autoria de Eurivaldo Silva Ferreira, a letra do hino da Campanha da Fraternidade 2022 aborda a educação na formação integral da pessoa humana e destaca em seu refrão a imagem de Cristo que “fala com sabedoria e ensina com amor”, cuja vida em total maestria é pra nós luz, caminho, vigor”.

Confira a letra:

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2022
Tema: Fraternidade e Educação
Lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf Pr 31, 26)

Letra: Eurivaldo Silva Ferreira

1.  É tarefa e missão da Igreja
Boa Nova no amor proclamar,
No diálogo com a cultura
Para a vida florir, fecundar
O que em redes se vai construir
E a pessoa humana formar.

Quando o anseio do conhecimento
Ultrapassa barreiras, fronteiras,
Se destaca o ensinamento
Oriundo da fé verdadeira
Que nos faz nesta ação solidários
Para o bem, condição que é certeira.

Refrão: E quem fala com sabedoria
É Aquele que ensina com amor,
Sua vida em total maestria
É pra nós luz, caminho, vigor.

2. Educar é a atitude sublime
Que prepara a vida futura
Compreendendo o presente, pensamos:
Ensinar é proposta segura
Para, enfim, destacar-se a atitude
Dos que em Cristo são nova criatura.

O convívio em níveis fraternos
Traz em nós o sentido discreto:
Na harmonia com os seres viventes
E no agir o equilíbrio completo
Consigamos também aprender
E educar para o amor e o afeto.

3. O caminho nos quer convertidos:
Mergulhar no mistério profundo
Para que em sua Páscoa busquemos
Compaixão no cuidado com o mundo.
Conformados em Cristo seremos
Aprendizes do dom tão fecundo.

Quando a plena mudança atingir
Relações tão humanas, libertas,
Novos rumos em redes seremos
Gerações solidárias e abertas
Na esperança de rostos surgirem
Assumindo missões tão concretas.

4. E na casa comum que sonhamos
Onde habitam cuidado e respeito
Educar é o verbo preciso
A cumprir neste chão grandes feitos
Para o mundo poder imitar
Quem na vida é o Mestre Perfeito.

Pedagogicamente é preciso
Escutar, meditar, compreender
Para que aprendamos com o Cristo
O caminho da cruz percorrer
E na escola da sua existência
O Evangelho seguir e viver

Sobre o autor

Euri Ferreira | Foto: CNBB Notícias

Eurivaldo Ferreira da Silva, “leigo que procura viver o espírito de batizado na Igreja que lhe deu a fé”, é graduado em Teologia pela PUC-SP, especialista em Liturgia pelo Instituto de Filosofia e Teologia de Goiânia (Ifiteg) e mestre em Teologia, com concentração em Liturgia pela PUC-SP. É agente pastoral do canto e da música na arquidiocese de São Paulo (SP). É membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica; da Equipe de Reflexão do Setor de Música Litúrgica da CNBB; do Universa Laus, grupo internacional de pesquisadores e especialistas em canto e música litúrgica que se reúnem anualmente desde 1966. Participou, desde 2006, dos Encontros de Compositores da CNBB promovido pelo Setor de Música da CNBB (ocasião em que aprofundou a arte de compor canto e música litúrgica). Foi assessor do Setor Música Litúrgica da CNBB, em 2016.

O autor contou que acolheu “com grande alegria” a notícia de que seu “humilde texto poético foi escolhido para ser o Hino da CF 2022”. E ainda: “Agradeci a Deus por ter me dado forças e inspiração para continuar servindo a Igreja em meio a tantas dificuldades que estamos passando, mas que se torna como oferta para um serviço eclesial ainda maior”.

 

Eurivaldo quis oferecer uma reflexão aprofundada sobre o processo de criação do hino e sobre os elementos do contexto quaresmal relacionados à música da Campanha da Fraternidade:

 

Sou convicto da força de uma letra e de uma melodia numa campanha como é a Campanha da Fraternidade, que, desde 1964 vem contribuindo para um projeto de Igreja no Brasil pelo qual se faz necessário uma boa reflexão. De fato, os temas refletivos pelas CFs, a cada ano, contribuem para preencher lacunas que a sociedade ainda não conseguiu alcançar.

Como em toda campanha, uma música nos motiva a vivermos seu sentido e a ampliarmos sua forma de alcance. É um elemento de fácil assimilação e que condensa, com linguagem poética, aqueles elementos que mais podem expressar seu objetivo.

A música é uma forma de arte. Dentre todas as artes, é ela a que expressa com mais beleza os motivos e as razões da nossa fé e enobrece a palavra, dando destaque àquilo que, por sua vez, a palavra sozinha não pudesse fazer.

Quando falamos em música não podemos deixar de falar da poesia. Por isso importam vários elementos principais que podem soar como “combustíveis” da poesia: a palavra, o texto e a língua, a inspiração, o ritmo, a voz falada e a voz cantada. Quando nos propomos a fazer uma poesia para um hino de uma campanha, pensamos na função que possui o texto para chamar a atenção para o que está sendo exposto. Na letra de um hino há uma força motivadora própria, caraterizada pela expressão de seu texto poético e pela beleza de sua melodia (que em breve será escolhida também por meio de um concurso).

Para o Hino da CF não se trata de dizer que é um hino litúrgico, trata-se sobretudo de um texto pastoral, cujas realidades presentes em sua letra retratam e refletem

aquela solidariedade que caracteriza os discípulos de Cristo na sua relação com toda a humanidade, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos e todas que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos e das discípulas de Cristo. Não se encontra nada de verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração. (…) Portanto a comunidade cristã se sente verdadeiramente solidária com o gênero humano e com sua história”[1].

Tendo em vista essas considerações preliminares, elenco então algumas possibilidades e reflexões que encontrei como elementos motivadores e inspiradores para a construção do texto poético do Hino da CF 2022. São formulações que eu mesmo construí através de meus estudos poéticos:

a) deve ser um texto pedagógico que tenha se inspirado ou no Manual da CF de cada ano ou no Edital do concurso do hino daquele ano, lançado pelo Setor de Música da CNBB e pela Equipe da CF;

b) deve ter um conteúdo pedagógico-espiritual cuja vivência quaresmal nos encaminhe segundo o qual o princípio da caridade constitui elemento de um tripé para seguirmos confiantes o caminho até a Páscoa;

c) deve ter um argumento e um fundamento teológicos, pois a cada ano a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto durante quarenta dias, vivendo um tempo de penitência e austeridade, de conversão pessoal e social, especialmente pelo jejum, a caridade e a oração;

d) deve estar dentro de um contexto pedagógico-social, já que estamos num tempo forte e privilegiado, em que, percorrendo o caminho da Páscoa (cume), a fim de renovarmos nossa fé e nossos compromissos batismais, cultivamos com mais amplitude o amor a Deus e ao próximo desdobrando-se numa atitude de solidariedade com e entre os irmãos e as irmãs (fonte). Podemos falar de uma mística que conduz o caminho espiritual.

e) deve partir do sentimento particular para o pedagógico-universal, já que essa solidariedade não se restringe ao âmbito ou ao espaço religioso, ao templo, por exemplo, mas atinge camadas mais universais (o país, a região, a cidade, o município, a comunidade, o bairro, a vila, a vizinhança etc.) como que em graus, a fim de que a Páscoa de Jesus possa atingir também essas realidades.

A título de exemplo, a reconciliação é um elemento próprio do tempo da Quaresma, mas que deve sempre ser antecedida de um anseio caritativo e de uma força comunitária, também eclesial, até atingir o universo, por isso, cada pessoa é responsável em se juntar ao desejo da Igreja, em forma de uma campanha, para poder atingir, de maneira gradual as realidades que ela deseja e tem por meta ou tarefa: a de evangelizar, cuja educação – como nos propõem o tema e lema deste ano – está incluída como parte integrante de sua missão no mundo. Aliás, a reconciliação, se não for vivida na sua plenitude cósmica, não será válida. Afinal, todo o cosmos será atingido pela Páscoa de Cristo.

E, para finalizar, é no tempo quaresmal que essas possibilidades que julgo como elementos inspiradores e motivadores se fazem mais latentes pelo chamamento da Igreja e de outras comunidades de fé que compartilham desse mesmo propósito. Esse é o grau maior de nossa compreensão como aprendizes do Mestre Jesus que nos impulsiona, a partir de pequenas atitudes do dia a dia a atingirmos gradualmente aquilo que ele mesmo fez e continua fazendo continuamente nas nossas vidas, na comunidade, no mundo, no universo: tecer relações humanas e abertas, educando o presente e transformando-o a partir do anúncio do Reino, do seu Evangelho, para recriarmos e conservarmos para as novas gerações a obra da criação que tem por autor o próprio Deus.

Espero que esta pequena contribuição de um poeta aprendiz possa servir como impulso para marcar os principais anseios que a CF 2022 vem nos trazer como reflexão.

FONTE: CNBB NOTÍCIAS

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Dom Odilo: “Tantum Ergo Sacramentum” (Tão Sublime Sacramanento)

A Eucaristia é para nós o sinal do próprio Jesus Cristo, Filho de Deus, no meio da humanidade. Não apenas de sua presença, mas de sua Pessoa.

A celebração festiva da Solenidade de Corpus Christi, pelo segundo ano consecutivo, fica prejudicada por causa da pandemia de COVID-19. Neste ano, além de tudo, a quinta-feira de Corpus Christi não é feriado civil em São Paulo, uma vez que este já foi antecipado para janeiro passado. De toda maneira, as procissões e aglomerações são ainda desaconselhadas por causa das situações de risco que poderiam gerar para a saúde da população.

Nem por isso, porém, o significado religioso e a solenidade litúrgica deixam de ser celebrados pela Igreja. Nas paróquias e igrejas haverá celebrações solenes da Eucaristia, momentos eucarísticos para a adoração e o louvor a Deus por “tão sublime Sacramento”. A solenidade anual tem o objetivo de destacar a importância da Eucaristia na vida da Igreja e de cada cristão, e de manifestar o testemunho público da fé católica naquilo que o Sacramento da Eucaristia representa para nós.

Antes de tudo, a Eucaristia é para nós o sinal do próprio Jesus Cristo, Filho de Deus, no meio da humanidade. Não apenas de sua presença, mas de sua Pessoa. Na Última Ceia, quando instituiu o rito eucarístico, com pão e vinho, palavras e gestos, Jesus recomendou que esse rito fosse celebrado para sempre – “Em memória de mim” (cf. Lc 22,19). No sentido bíblico, “fazer em memória” é uma expressão densa de significados e não se refere apenas à mera lembrança de algo ou alguém do passado, mas é como trazer para o presente uma realidade, para torná-la presente outra vez e para se inserir nela.

É por isso que, na celebração do Sacramento da Eucaristia, nós não apenas fazemos a memória de quem Jesus foi, do que Ele fez, ensinou e significou no passado, mas o celebramos como realmente presente para nós hoje. Ao mesmo tempo, colocamo-nos diante daquilo que celebramos como diante de algo que diz respeito a nós também. O Evangelho é proclamado a nós agora; e, como testemunhas, proclamamos nossa fé na Paixão e Morte redentoras e anunciamos a Ressurreição de Jesus. Agradecidos, vamos à ceia do Senhor e recebemos o Pão da Vida, como outrora os apóstolos o receberam das próprias mãos do Senhor. Celebrando a Eucaristia, proclamamos nossa esperança na participação plena no banquete da vida eterna e somos fortalecidos para cumprir nossa missão de testemunhas do Evangelho em nossa vida diária.

Não é sem razão que a Igreja ensina que a Eucaristia contém em si todo o bem da Igreja, porque ela é o Sacramento do próprio Jesus Cristo e de tudo o que Ele é e representa para a Igreja e a humanidade. Ele é o Filho de Deus, Salvador, vindo ao nosso encontro com o poder de Deus para nos salvar e mostrar a misericórdia e a benevolência de Deus para conosco. Jesus Cristo é a expressão máxima do amor e da misericórdia de Deus para conosco. Por isso, a Eucaristia também é chamada “Sacramento do Amor”. Ele é “palavra da salvação” para nós, proclamada com abundância na celebração eucarística. Ele é o caminho, a verdade e a vida e, se por ele andarmos durante a vida, teremos certezas e caminharemos seguros.

A Solenidade de Corpus Christi, neste ano, não pôde ser celebrada com as manifestações públicas de nossa fé em “tão sublime Sacramento”, como seria nosso desejo. Mas isso não impediu que tivéssemos missas em nossas igrejas e que delas participássemos ao longo do dia, quer presencialmente, quer pelas mídias e meios de comunicação, que as transmitem em abundância. Pudemos, também, passar algum tempo em silenciosa oração diante do Santíssimo Sacramento exposto nas igrejas, fazendo uma profunda e demorada ação de graças, renovando pessoalmente nossa fé na Eucaristia. Aconselho especialmente a ler de maneira pausada o capítulo 17 do Evangelho de São João, que traz a grande oração de Jesus após a Última Ceia e antes de sofrer a Paixão.

Neste ano, em vista da persistente situação de pandemia, podemos lembrar, em nossa missa e oração diante da Eucaristia, a condição de tantos doentes e pessoas que sofrem os seus efeitos. Lembrando que Eucaristia e caridade fraterna sempre estão unidas, podemos recolher alimentos para os numerosos pobres de nossa cidade. Com toda certeza, mesmo não podendo preparar os tradicionais tapetes coloridos pelas ruas nem fazer nossas procissões eucarísticas, a festa de Corpus Christi não precisa ficar vazia. Será uma celebração feita de maneira diferente, sem perder o significado e sem deixar de ser uma bela manifestação de nossa fé eucarística.

FONTE: O SÃO PAULO

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Sexta-Feira da 9° Semana do Tempo Comum

9ª SEMANA COMUM*

(verde – ofício do dia)

Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24,16.18)

O Pai nos abre os olhos para que compreendamos em que consiste o senhorio e o messianismo de seu Filho. Somos convidados a ficar atentos às intervenções de Deus em nossa vida e a ser-lhe alegremente gratos.

Primeira Leitura: Tobias 11,5-17

Leitura do livro de Tobias – Naqueles dias, 5Ana estava sentada, observando atentamente o caminho por onde devia chegar seu filho. 6Percebeu que ele se aproximava e disse ao pai: “Teu filho está chegando, e com ele o homem que o acompanhou”. 7Antes que Tobias se aproximasse do pai, Rafael lhe disse: “Estou certo de que seus olhos se abrirão. 8Aplica-lhe nos olhos o fel do peixe. O remédio fará que as manchas brancas se contraiam e se desprendam de seus olhos. Teu pai vai recuperar a vista e enxergará a luz”. 9Ana correu, atirou-se ao pescoço do filho e disse: “Voltei a ver-te, meu filho, agora posso morrer!” E chorou. 10Tobit levantou-se e, tropeçando, atravessou a porta do pátio. 11Tobias foi ao seu encontro, tendo na mão o fel do peixe. Soprou-lhe nos olhos e, segurando-o, disse: “Confiança, pai!” Derramou o remédio e esfregou-o. 12Depois, com ambas as mãos, tirou-lhe as películas dos cantos dos olhos. 13Então Tobit caiu-lhe ao pescoço, chorando e dizendo: “Eu te vejo, meu filho, luz de meus olhos!” 14E acrescentou: “Bendito seja Deus! Bendito seja o seu grande nome! Benditos sejam todos os seus santos anjos por todos os séculos! 15Porque, se ele me castigou, agora vejo o meu filho Tobias!” A seguir, Tobit entrou com Ana em sua casa, louvando e bendizendo a Deus em alta voz por tudo o que lhes tinha acontecido. E Tobias contou ao pai como tinha sido boa a viagem deles por obra do Senhor Deus, como haviam trazido o dinheiro e como se tinha casado com Sara, filha de Ragüel. Aliás, ela já se aproximava das portas de Nínive. 16Tobit e Ana alegraram-se muito e saíram ao encontro da nora, às portas da cidade. Vendo-o andar a passos largos e com toda a firmeza, sem que ninguém o conduzisse pela mão, os ninivitas se admiraram. 17E diante deles Tobit louvava e bendizia a Deus em alta voz por ter sido misericordioso para com ele e por lhe ter aberto os olhos. E, aproximando-se de Sara, mulher de seu filho Tobias, abençoou-a e disse: “Bem-vinda sejas, minha filha! E bendito seja o teu Deus, filha, que te trouxe para junto de nós! Abençoado seja o teu pai, abençoado o meu filho Tobias e abençoada sejas tu, minha filha! Entra em tua casa com saúde, a ti bênção e alegria! Entra, minha filha!” E naquele dia foi grande o contentamento entre todos os judeus que se encontravam em Nínive. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 145(146)

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

1. Bendirei ao Senhor toda a vida, / cantarei ao meu Deus sem cessar! – R.

2. O Senhor é fiel para sempre, / faz justiça aos que são oprimidos; / ele dá alimento aos famintos, / é o Senhor quem liberta os cativos. – R.

3. O Senhor abre os olhos aos cegos, / o Senhor faz erguer-se o caído; / o Senhor ama aquele que é justo. / É o Senhor quem protege o estrangeiro. – R.

4. Ele ampara a viúva e o órfão, / mas confunde os caminhos dos maus. / O Senhor reinará para sempre! † Ó Sião, o teu Deus reinará / para sempre e por todos os séculos! – R.

Evangelho: Marcos 12,35-37

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem me ama realmente guardará minha palavra / e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 35Jesus ensinava no templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Da descendência de Davi virá o Messias. Será um rei guerreiro e vitorioso que irá restaurar a glória de Israel como nação, libertando o povo do domínio estrangeiro, por meio da força? Essa era a mentalidade corrente, não só entre os dirigentes, mas também entre o povo simples. Jesus corrige essa maneira de pensar, citando o Salmo 110, que Davi teria pronunciado sob inspiração do Espírito Santo. O argumento de Jesus é o seguinte: não pode ser filho/sucessor de Davi aquele que Davi chama de Senhor, pois, ao chamá-lo Senhor, Davi declara ser servo desse futuro rei. Portanto, o Messias (Jesus) é muito superior a Davi em dignidade, e seu Reino será muito mais amplo que o de Davi. Jesus afasta decididamente a ideia fomentada pelos doutores da Lei a respeito de um Messias nacionalista.

Oração
Ó Jesus Mestre, o povo esperava um Messias descendente e sucessor de Davi, poderoso guerreiro que, por meio da força, viria restaurar a glória de Israel. No entanto, és o Messias que caminha para a cruz. És, de fato, filho de Davi, mas és também o Senhor dele. És o Filho de Deus. Amém.

(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

Fonte: Paulus

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Santo do dia

São Francisco Caracciolo, presbítero

Às vezes um erro do correio pode ser providencial. No caso de nosso santo o erro era quase inevitável. Ele se chamava Ascânio Caracciolo e morava junto à Congregação dos Brancos da Justiça, que se dedicavam à assistência aos condenados à morte, junto à qual exercia a mesma obra humanitár ia outro sacerdote com idêntico nome, Ascânio Caracciolo. A carta foi escrita pelo genovês Agostinho Adorno, venerável, e por Fabrício Caracciolo, abade de santa Maria Maior de Nápoles. Ambos se dirigiam a Ascânio Caracciollo para pedir que colaborasse com a fundação de uma nova Ordem, a dos Clérigos Regulares Menores. Mas a qual dos dois Caracciolo?

O correio endereçou-a ao jovem sacerdote, nascido a 13 de outubro de 1563 em Vila Santa Maria de Chieti e que se mudou para Nápoles aos 22 anos de idade para completar os estudos teológicos. Os anos de sua juventude transcorreram sem que nada de particular fizesse prever nele a extraordinária atividade apostólica que em sua curta vida (morreu aos 45 anos) desenvolveria. Com os dois remetentes foi ao ermo de Camaldoli, para a elaboração da Regra, que o papa Xisto V aprovou a 1º de julho de 1588.

A Francisco Caracciolo se deve a introdução de um quarto voto, além dos comuns de pobreza, castidade e obediência: o de não aceitar dignidade alguma eclesiástica. Um ano depois Ascânio Caracciolo emitia os votos religiosos assumindo o nome de Francisco. Em 1593, a pequena congregação — estava ainda numa apertada moradia perto da igreja da Misericórdia — celebrou o primeiro capítulo geral e Francisco teve de aceitar por obediência o cargo de prepósito geral. Nesse tempo a jovem congregação se estabelecia em Roma, na igreja de santa Inês, na praça Navona. Vencido o seu mandato voltou para a Espanha, onde estivera já em 1593 e lá fundara uma casa religiosa em Valladolid e um colégio em Alcalá. Foi mestre de noviços em Madri e novamente Prepósito da casa de Santa Maria Maior de Nápoles.

As múltiplas atividades haviam enfraquecido sua débil saúde. Durante uma estada em Agnone, com os padres do Oratório, caiu gravemente enfermo e morreu a 4 de junho de 1608. O seu corpo, transportado para Nápoles, foi sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de seus numerosos milagres, a cura de um aleijado precisamente durante seus funerais, foi a faísca que acendeu a devoção dos napolitanos para com este grande santo, canonizado por Pio VII a 24 de maio de 1807 e eleito em 1840 co-padroeiro da cidade de Nápoles.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus

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Corpus Christi seja presença e conforto no sofrimento diário, afirma o papa

Ao final da Audiência Geral dessa quarta-feira (02), Francisco recordou a Solenidade de Corpus Christi que, em diferentes países, será realizada na quinta (3) ou no domingo (6) e seguindo diferentes protocolos sanitários devido às restrições da pandemia. No Santuário Nacional de Aparecida, a procissão com o Santíssimo Sacramento será interna e restrita. Já no sul do Brasil, paróquias precisaram cancelar missas campais e a tradicional confecção dos tapetes de serragem, como em Bento Gonçalves. “Que o Corpo e o Sangue de Cristo sejam para cada um de vocês presença e apoio em meio às dificuldades, sublime conforto no sofrimento de cada dia e garantia de ressurreição eterna”, disse o Papa nesta quarta-feira (2).

“Queridos irmãos e irmãs, amanhã se celebra a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo que, na Itália e em outros países, foi transferida para o próximo domingo. Que vocês possam encontrar na Eucaristia, mistério do amor e de glória, aquela fonte de graça e de luz que ilumina os caminhos da vida.”

 

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Papa Francisco: a oração de Jesus por todos nós não cessa

“Temos de nos lembrar sempre de que Jesus reza por mim, está rezando agora diante do Pai e lhe mostra as chagas a fim de que o Pai veja o preço da nossa salvação”, disse o Papa na Audiência Geral.

“Jesus, modelo e alma de cada oração” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (02/06), realizada no Pátio São Dâmaso, no Vaticano.

O Pontífice disse que “os Evangelhos nos mostram como a oração era fundamental na relação de Jesus com os seus discípulos. Isto já é evidente na escolha daqueles que mais tarde iriam ser os Apóstolos. Lucas coloca a eleição deles num exato contexto de oração: «Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles aos quais chamou apóstolos». “Jesus escolhe os apóstolos depois de uma noite de oração”, frisou o Papa.

Jesus reza pelos seus amigos

A oração a favor dos seus amigos reapresenta-se continuamente na vida de Jesus. Os Apóstolos por vezes tornam-se um motivo de preocupação para ele, mas Jesus, como os recebeu do Pai, depois da oração, os leva no seu coração, até com os seus erros, inclusive as suas quedas. Em tudo isto descobrimos como Jesus foi mestre e amigo, sempre pronto a esperar pacientemente a conversão do discípulo. O ponto mais alto desta espera paciente é a “teia” de amor que Jesus tece ao redor de Pedro.

Na Última Ceia ele lhe diz: «Simão, Simão! Olhe que Satanás pediu permissão para peneirar vocês como trigo. Eu, porém, rezei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando tiver voltado para mim, fortaleça os seus irmãos.» Segundo o Papa, “impressiona, no tempo da tentação, saber que naquele momento o amor de Jesus não cessa”. ‘Padre, se estou em pecado mortal, há o amor de Jesus? Sim. Jesus continua rezando por mim? Sim. Se eu fiz muitas coisas ruins e muitos pecados, Jesus continua? Sim’. O amor de Jesus, a oração de Jesus por todos nós não cessa, mas torna-se mais intensa. Estamos no centro da sua oração! Temos de nos lembrar sempre de que Jesus reza por nós, está rezando agora diante do Pai e lhe mostra as chagas a fim de que o Pai veja o preço da nossa salvação. É o amor que nos mantém. Que cada um de nós pense: neste momento, Jesus está rezando por mim? Sim. Esta é uma segurança grande que temos de ter”. A seguir, o Papa acrescentou:

Os grandes pontos de virada da missão de Jesus são sempre precedidos por uma oração, não de maneira superficial, mas da oração intensa e prolongada. Esta verificação da fé parece ser um objetivo, mas em vez disso é um ponto de partida renovado para os discípulos, pois, a partir daí, é como se Jesus assumisse um novo tom na sua missão, falando-lhes abertamente da sua paixão, morte e ressurreição.

Rezar intensamente quando o caminho se torna íngreme

Segundo Francisco, “nesta perspectiva, que instintivamente suscita repulsão, tanto nos discípulos quanto em nós que lemos o Evangelho, a oração é a única fonte de luz e força. É necessário rezar mais intensamente, cada vez que o caminho se torna íngreme”. “Jesus não só quer que rezemos enquanto Ele reza, mas assegura-nos que mesmo que as nossas tentativas de oração fossem completamente vãs e ineficazes, podemos sempre contar com a Sua oração. Devemos estar conscientes de que Jesus reza por nós”, sublinhou.

A seguir, o Papa contou que uma vez, um bom bispo, num momento muito ruim de sua vida e de grande provação, olhou para cima na Basílica e viu escrito a frase: “Pedro, eu rezarei por você”. “Isso lhe deu força e conforto”, sublinhou Francisco. Quanto houver uma dificuldade, lembre-se de que Jesus reza por você. “Mas padre, isso é verdade? É verdade! Ele mesmo o disse”, frisou o Papa. “Não nos esqueçamos de que o que sustenta cada um de nós na vida é a oração de Jesus por cada um de nós, diante do Pai, mostrando-lhe as feridas que são o preço da nossa salvação.”

“Mesmo que as nossas orações fossem apenas balbúcies, se estivessem comprometidas por uma fé vacilante, nunca devemos deixar de confiar n’Ele. Sustentadas pela oração de Jesus, as nossas tímidas preces se apoiam-se nas asas da águia e elevam-se ao Céu”, concluiu Francisco.

O Papa se une espiritualmente aos jovens

Na saudação aos poloneses na Audiência Geral, desta quarta-feira (02/06), o Papa Francisco uniu-se espiritualmente aos jovens que há vinte e cinco anos, se reúnem em Lednica, nas fontes batismais da Polônia, para renovar sua adesão a Cristo.

Queridos jovens, este ano a palavra-chave de seu encontro é “Escuta!” Na Bíblia, esta palavra introduz o Decálogo, desperta as consciências e chama a ouvir o Senhor e a amá-lo com todo o coração, toda a alma e com todas as forças. Que o Espírito Santo os acompanhe na oração, abra os seus corações à escuta, reacenda o seu amor por Cristo e fortaleça a sua fidelidade à sua Palavra! Eu os abençoo de coração!