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Santo do dia

Santos Cornélio e Cipriano

Vítimas ilustres da perseguição de Valeriano, respectivamente em junho de 253 e a 14 de setembro de 258, são o papa Cornélio e o bispo de Cartago, Cipriano, cujas memórias aparecem em conjunto nos antigos livros litúrgicos de Roma desde a metade do século IV. Cipriano nasceu em Cartago, mais ou menos no ano 210, era ainda pagão quando ensinou filosofia e advogou. Converteu-se em 246, e três anos depois foi escolhido para o episcopado. Havia apenas tomado posse na diocese de Cartago, quando estourou a perseguição de Décio. Os cristãos deviam apresentar-se ao magistrado e requerer o libellus, isto é, um certificado que os declarasse bons e honestos cidadãos, precedendo naturalmente a simples formalidade de jogar alguns grãos de incenso no braseiro diante de um ídolo.

A essa apostasia obrigatória muitos fugiram com astúcia corrompendo os funcionários, que davam certificados mediante o mercado negro. Estes cristãos foram chamados libelados. Existiram também os que renegaram a fé e foram apelidados lapsi (= decaídos). O bispo Cipriano escolheu o caminho da clandestinidade, refugiando-se no campo. Passada a borrasca, Cipriano concedeu o perdão aos libelados, e não fechou o caminho de volta aos decaídos, que podiam ser absolvidos na hora da morte. Sua atitude moderada foi aprovada pelo papa Cornélio, com quem Cipriano tinha se aliado contra o antipapa Novaciano, escrevendo, na oportunidade, o seu tratado mais importante: A unidade da Igreja. Cornélio fora eleito papa em 251, após longo período de sede vacante, por causa da terrível perseguição de Décio. Sua eleição foi impugnada por Novaciano, que acusava o papa de ser um libelado. Cipriano, e com ele os bispos africanos, ficaram do lado de Cornélio.

O imperador Galo mandou o papa para Civitavecchia, onde Cornélio morreu. Foi sepultado nas catacumbas de Calisto. Por sua vez, Cipriano foi exilado para Capo Bom, mas quando percebeu que fora condenado à pena capital, reentrou em Cartago, porque queria dar o testemunho de amor a Cristo na presença do seu rebanho. Foi decapitado a 14 de setembro de 258. Os cristãos de Cartago haviam estendido sob sua cabeça paninhos brancos para depois guardarem, molhados no seu sangue, como preciosas relíquias. O imperador Valeriano fazendo decapitar o bispo Cipriano e o papa Estêvão, pusera fim, involuntariamente, a uma disputa surgida entre os dois sobre a validade do batismo administrado pelos hereges, contestada por Cipriano e afirmada pelo papa.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

Quinta-feira da 24ª semana do Tempo Comum

SANTOS CORNÉLIO E CIPRIANO PAPA E BISPO MÁRTIRES

(vermelho, pref. Comum, ou dos mártires, – ofício da memória)

Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor, derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

Cornélio, que viveu no século 3º, foi eleito papa em 251. De grande coração, muito lutou pela unidade da Igreja e pela reconciliação dos que a abandonaram por causa das perseguições. Cipriano nasceu em Cartago, na Tunísia, por volta do ano 210. Diante da fé e coragem dos mártires, converteu-se ao cristianismo. Ordenado bispo, com muito fervor organizou a Igreja da África. Ambos os santos pagaram com a vida sua fé em Cristo. Renovemos nossa disposição de seguir o Cristo também nas situações adversas.

Primeira Leitura: 1 Timóteo 4,12-16

Leitura da primeira carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo, 12ninguém te despreze por seres jovem. Pelo contrário, serve de exemplo para os fiéis na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza. 13Até que eu chegue, dedica-te à leitura, à exortação, ao ensino. 14Não descuides o dom da graça que tu tens e que te foi dada por indicação da profecia, acompanhada da imposição das mãos do presbitério. 15Com perseverança, põe essas coisas em prática, para que todos vejam o teu progresso. 16Cuida de ti mesmo e daquilo que ensinas. Mostra-te perseverante. Assim te salvarás a ti mesmo e também àqueles que te escutam. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 110(111)

Grandiosas são as obras do Senhor!

1. Suas obras são verdade e são justiça, / seus preceitos, todos eles, são estáveis, / confirmados para sempre e pelos séculos, / realizados na verdade e retidão. – R.

2. Enviou libertação para o seu povo, † confirmou sua Aliança para sempre. / Seu nome é santo e é digno de respeito. – R.

3. Temer a Deus é o princípio do saber, † e é sábio todo aquele que o pratica. / Permaneça eternamente o seu louvor. – R.

Evangelho: Lucas 7,36-50

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vinde a mim, todos vós que estais cansados, / e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume. 39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”. 40Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, mestre!” 41“Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinquenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” 43Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”. 44Então, Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por essa razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor”. 48E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. 49Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” 50Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz!” – Palavra da salvação.

Reflexão:

A atitude da pecadora em relação a Jesus, na casa do fariseu, desconcerta a sociedade machista de todos os tempos. Com efeito, mulher judia não tocava publicamente em nenhum rabino. E se fosse conhecida como pecadora, não era bem-vinda à casa dos fariseus. Entretanto, movida pelo arrependimento (chorava) e impulsionada pela gratidão, oferece a Jesus a prova de amor, usando o charme de que era capaz. Jesus acolhe, com total compreensão, os gestos amorosos da nova mulher. O fariseu pensa mal de ambos. Jesus põe num prato da balança os atos positivos da mulher e, no outro prato, o vazio do fariseu, isto é, o que ele não fez em favor do Mestre. A sentença é óbvia: os pecados dela estão perdoados (“ela muito amou”). O fariseu, não se reconhecendo pecador, é incapaz de amar.

Oração
Ó Mestre e Senhor, livre de preconceitos e de normas opressoras, permites que a pecadora toque no teu corpo. Então, gestos de amor, arrependimento e gratidão misturam- se no mesmo ritual. O perdão se dá: “Seus pecados estão perdoados”. E a mulher, totalmente transfigurada, retira-se em paz. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

Nossa Senhora das Dores

A sensibilidade de piedosa compaixão do povo cristão está eloquentemente expressa no quadro da Pietá. Nossa Senhora das Dores recebe no colo o filho morto apenas tirado da cruz. É o momento que se reveste da incomensurável dor uma paixão humana e espiritual única: a conclusão do sacrifício de Cristo, cuja morte na cruz é o ponto culminante da Redenção. Mas como a morte de Cristo está já implícita, como em embrião, desde os primeiros momentos de sua existência de homem, também a compaixão está implícita no ini-cial: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Como mãe, Maria assume implicitamente os sofrimentos de Cristo, em cada momento de sua vida. Eis porque a imagem da Pietá típica da arte gótica e do Renascimento (a mais conhecida é a escultura de Michelangelo) exprime só um momento desta dor da Virgem Mãe.

A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho: a profecia do velho Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa, o caminho de Jesus para o Gólgata, a crucificação, a Deposição da cruz, a sepultura. Mas como o objeto do martírio de Maria é o martírio do Redentor, desde o século XV encontramos as primeiras celebrações litúrgicas acerca da compaixão de Maria aos pés da cruz, colocada no tempo da Paixão ou logo após as festividades pascais. Em 1667 a Ordem dos Servitas, inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora (os sete santos Fundadores no século XIII instituíram a “Companhia de Maria Dolorosa”) obteve a aprovação da celebração litúrgica das sete Dores da Virgem, que durante o pontificado de Pio VII foi acolhida no calendário romano e lembrada no terceiro domingo de setembro.

Pio X fixou a data definitiva de 15 de setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa, reduzida a simples memória: não mais Sete dores de Maria, mas menos especificadamente e mais oportunamente: Virgem Maria Dolorosa. Com este título nós honramos a dor de Maria aceita na redenção mediante a cruz. É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do corpo místico nascido da Cruz, isto é, nós somos nascidos, enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria. Eis porque hoje se oferece à nossa devota e afetuosa meditação a dor de Maria.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giova

FONTE: PAULUS

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Quarta-feira da 24ª semana do Tempo Comum

NOSSA SENHORA DAS DORES

(branco, seq. facultativa, pref. de Maria, – ofício da memória)

Simeão disse a Maria: Teu filho será causa de queda e de ressurreição para muitos. Ele será sinal de contradição, e teu coração será transpassado como por uma espada (Lc 2,34s).

A devoção a Nossa Senhora das Dores encontra seu fundamento em diversas passagens dos Evangelhos, por exemplo nas palavras proféticas do velho Simeão: “Uma espada vai atravessar tua alma” (Lc 2,35). As dores de Maria estão intimamente ligadas à vida de Jesus. Por esta celebração, somos convidados a reviver o momento decisivo da história da salvação.

Primeira Leitura: Hebreus 5,7-9

Leitura da carta aos Hebreus – 7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 30(31)

Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

1. Senhor, eu ponho em vós minha esperança; / que eu não fique envergonhado eternamente! / Porque sois justo, defendei-me e libertai-me, / apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me! – R.

2. Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; / por vossa honra, orientai-me e conduzi-me! – R.

3. Retirai-me desta rede traiçoeira, / porque sois o meu refúgio protetor! / Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, / porque vós me salvareis, ó Deus fiel! – R.

4. A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio / e afirmo que só vós sois o meu Deus! / Eu entrego em vossas mãos o meu destino; / libertai-me do inimigo e do opressor! – R.

5. Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, / que reservastes para aqueles que vos temem! / Para aqueles que em vós se refugiam, / mostrando, assim, o vosso amor perante os homens. – R.

Evangelho: João 19,25-27

Aleluia, aleluia, aleluia.

Feliz a Virgem Maria, que, sem passar pela morte, / do martírio ganha a palma, ao pé da cruz do Senhor! – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 25perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. 27Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. – Palavra da salvação.

Reflexão:

A celebração litúrgica das Sete Dores da Virgem foi acolhida no calendário romano pelo papa Pio VII (século XVII). Pio X fixou a data definitiva para 15 de setembro, conservada no atual calendário litúrgico, que mudou o título da festa: de Sete Dores de Maria para Nossa Senhora das Dores. A paixão de Maria se concentra na cena em que ela está de pé junto à cruz de seu Filho. Sabemos, porém, que Maria, durante toda a sua vida, com seu coração de Mãe, conheceu e experimentou o sofrimento ao ver seu Filho rejeitado pelos adversários. Por isso a devoção popular enumerou os principais momentos dolorosos de Maria, suas Sete Dores: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus, o caminho para o Calvário, a crucificação, a deposição da cruz, o sepultamento de Jesus.

Oração
Ó Jesus crucificado, na tua hora derradeira, sob o fogo de indizíveis dores, tiveste a solidária presença de tua santa Mãe. Queremos também nós, Senhor, no sofrimento e na hora de nossa morte, contar com a força de Maria Santíssima, que a Igreja achou por bem invocar como Nossa Senhora das Dores. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Exaltação da Santa Cruz

A festa em honra da Santa Cruz foi celebrada pela primeira vez em 335, por ocasião da dedicação de duas basílicas constantinianas de Jerusalém, a do Martyrium ou Ad Crucem no Gólgota, e a do Anástasis, isto é, da Ressurreição. A dedicação se realizou a 13 de dezembro. Com o termo exaltação, a festa passou também para o Ocidente, e a partir do século VII comemora-se a recuperação da preciosa relíquia pelo imperador Heráclio em 628. Da Cruz, roubada 14 anos antes pelo rei persa Cosroe Parviz, durante a conquista da cidade Santa, perderam-se definitivamente todas as pistas em 1187, quando foi tirada do bispo de Belém que a havia levado na batalha de Hattin.

A celebração atual tem um significado bem maior do que o lendário encontro pela piedosa mãe do imperador Constantino, Helena. A glorificação de Cristo passa através do suplício da Cruz e a antítese sofrimento-glorificação se torna fundamental na história da Redenção. Cristo, encarnado na sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene. Assim a cruz torna-se o símbolo e o compêndio da religião cristã.

A própria evangelização, efetuada pelos apóstolos é a simples apresentação de Cristo Crucificado. O cristão, aceitando esta verdade, é crucificado com Cristo, isto é, deve carregar diariamente a sua cruz, suportando injúrias e sofrimentos, como Cristo. Este, oprimido pelo peso do patíbulo (“patíbulo” é o braço transversal da cruz, que o condenado levava nas costas até o lugar do suplício onde era encaixado estavelmente com a parte vertical), foi constrangido a expor-se aos insultos do povo no caminho que levava ao Gólgata. Os sofrimentos que reproduzem no corpo místico da Igreja o estado de morte de Cristo são contributo à redenção dos homens, e garantem a participação na glória do Ressuscitado.

Esta é a razão que fez os mártires cristãos suportarem tão grandes sofrimentos: “A minha paixão está crucificada — escreve santo Inácio de Antioquia antes de sofrer o martírio — não existe mais em mim o fogo da carne. Agora começo a ser discípulo … Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar de uma extremidade à outra da terra. Procuro-o, ele que morreu por nós; quero-o, ele que ressuscitou por nós… Concedei-me que eu seja imitador da paixão do meu Deus”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Terça-feira da 24ª semana do Tempo Comum

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

(vermelho, glória, prefácio próprio – ofício da festa)

A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou (Gl 6,14).

A festa da Exaltação da Santa Cruz é sinal da redenção realizada por Cristo. Para o cristão, a cruz é a árvore da vida, o altar da Nova Aliança. No espírito desta celebração, podemos repetir, cheios de gratidão: “Nós vos adoramos, Senhor, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo”.

Primeira Leitura: Números 21,4-9

Leitura do livro dos Números – Naqueles dias, 4os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”. 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. – Palavra do Senhor.

Leitura opcional: Filipenses 2,6-11.

Salmo Responsorial: 77(78)

Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

1. Escuta, ó meu povo, a minha Lei, / ouve atento as palavras que eu te digo; / abrirei a minha boca em parábolas, / os mistérios do passado lembrarei. – R.

2. Quando os feria, eles então o procuravam, / convertiam-se, correndo para ele; / recordavam que o Senhor é sua rocha / e que Deus, seu redentor, é o Deus altíssimo. – R.

3. Mas apenas o honravam com seus lábios / e mentiam ao Senhor com suas línguas; / seus corações enganadores eram falsos / e, infiéis, eles rompiam a aliança. – R.

4. Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, / não os matava e perdoava seu pecado; / quantas vezes dominou a sua ira / e não deu largas à vazão de seu furor. – R.

Evangelho: João 3,13-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, / porque pela cruz remistes o mundo! – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13“Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Já no final do século V, no Oriente, e final do século VII, no Ocidente, havia uma comemoração em torno da cruz do Senhor. No dia 14 de setembro, as igrejas que tinham uma relíquia maior da cruz costumavam expô-la à veneração dos fiéis, em celebração solene. A esse fato dava-se o nome de “exaltação” da Santa Cruz. Instrumento de suplício
e símbolo de derrota, a cruz se transformou em sinal de luz e esperança, por ato e mérito de Jesus Cristo, que aceitou fazer dela sinal de amor: “Ninguém tem amor maior do que alguém que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). São Paulo compreendeu e expressou a riqueza contida na crucificação de Jesus: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Sua cruz se torna para nós fonte de salvação: “Vocês foram resgatados […] pelo precioso sangue de Cristo” (1Pd 1,19).

Oração
Ó Jesus Redentor, para nos redimir e salvar, morreste crucificado. Mudaste, assim, o sentido da cruz: de instrumento de condenação a transformaste em trono de vitória e resgate em favor da humanidade. Embora traga a lembrança dos teus indizíveis sofrimentos, a cruz se torna para nós fonte de salvação. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

São João Crisóstomo – bispo e doutor da Igreja

João nasceu em Antioquia, provavelmente em 349. Educado pela mãe, santa Antusa, viveu vida monástica dentro de casa, nos anos de sua juventude. Depois, quando morreu sua mãe, retirou-se para o deserto e aí permaneceu seis anos, dos quais os dois últimos passou no retiro solitário de uma caverna, em detrimento da saúde física. Chamado à cidade e ordenado diácono, dedicou cinco anos de preparação ao sacerdócio e ao ministério da pregação. Ordenado sacerdote pelo bispo Fabiano, tornou-se o seu zeloso colaborador no governo da diocese de Antioquia. A especialização pastoral de João era a pregação, na qual revelava os dons de orador e sua profunda cultura. Pastor e moralista, mostrava-se ansioso em transformar o comportamento prático dos seus ouvintes e não permanecia na exposição de raciocínios sobre a mensagem cristã.

Em 398 João de Antioquia — o sobrenome Crisóstomo (boca de ouro) foi-lhe conferido três séculos depois pelos bizantinos — foi chamado para substituir o patriarca Netário na prestigiosa cátedra de Constantinopla. Na capital do império do Oriente, João desenvolveu logo atividade pastoral e organizadora que suscitou admiração e perplexidade: evangelização rural, criação de hospitais, procissões antiarianas sob a proteção da polícia imperial, sermões “de fogo’’ com que castigava os vícios e as friezas, severas advertências aos monges indolentes e aos eclesiásticos demasiado sensíveis aos apelos da riqueza. Os sermões de João duravam horas inteiras, mas o douto patriarca sabia usar com consumada perícia todos os recursos da retórica, não para aliciar os ouvidos de seus ouvintes, mas para ensinar, corrigir, recriminar. Pregador insuperável, João não era muito diplomático e as encrencas com a corte bizantina foram inevitáveis. Deposto ilegalmente por um grupo de bispos chefiados por Teófilo, e exilado com a cumplicidade de Eudóxia, a imperatriz, foi reconduzido logo, depois pelo imperador Arcádio, atingido por várias desgraças que sobrevieram ao palácio. Mas dois meses depois João era de novo exilado, primeiro para a fronteira com a Armênia, depois para as margens do mar Negro.

Durante este último exílio, a 14 de setembro de 407, João morreu. Do sepulcro de Comana, o filho de Arcádio, Teodósio, o Jovem, fez transferir os restos mortais do santo a Constantinopla, onde chegaram na noite de 27 de janeiro de 438, entre uma multidão triunfan-te. Dos numerosos escritos do santo lembramos um pequeno volume Sobre o sacerdócio, obra-prima da espiritualidade sacerdotal.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

Segunda-feira da 24ª semana do Tempo Comum

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO BISPO E DOUTOR DA IGREJA

(branco, pref. Comum, ou dos pastores, – ofício da memória)

Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor; chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus (Ez 34,11.23s).

João nasceu em Antioquia, em 349, e faleceu numa região da atual Turquia, junto ao mar Negro, em 407. Grande pregador da Palavra de Deus, contribuiu para a formação catequética e litúrgica. Fez significativas reformas no clero, salientando a pobreza e a simplicidade evangélica. Sua obra consiste, sobretudo, em homilias e comentários exegéticos às cartas do apóstolo Paulo. É chamado “doutor da Eucaristia”. Inspirados por esse pastor exemplar, motivemo-nos a nos aproximarmos com frequência do banquete da Palavra de Deus e da Eucaristia.

Primeira Leitura: 1 Timóteo 2,1-8

Leitura da primeira carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças por todos os homens; 2pelos que governam e por todos os que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3Isso é bom e agradável a Deus, nosso salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6que se entregou em resgate por todos. Esse é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo, e – falo a verdade, não minto – mestre das nações pagãs na fé e na verdade. Quero, portanto, que em todo o lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 27(28)

Bendito seja o Senhor, porque ouviu / o clamor da minha súplica!

1. Escutai o meu clamor, a minha súplica, / quando eu grito para vós; / quando eu elevo, ó Senhor, as minhas mãos / para o vosso santuário. – R.

2. Minha força e escudo é o Senhor; / meu coração nele confia. / Ele ajudou-me e alegrou meu coração; / eu canto em festa o seu louvor. – R.

3. O Senhor é a fortaleza do seu povo / e a salvação do seu ungido. / Salvai o vosso povo e libertai-o; / abençoai a vossa herança! / Sede vós o seu pastor e o seu guia / pelos séculos eternos! – R.

Evangelho: Lucas 7,1-10

Aleluia, aleluia, aleluia.

Deus o mundo tanto amou, / que lhe deu seu próprio Filho, / para que todo o que nele crer / encontre vida eterna (Jo 3,16). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando aonde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças esse favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. 6Então, Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado: ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde. -Palavra da salvação.

Reflexão:

Estamos diante de um modelo de fé. Um centurião (chefe de cem soldados, a serviço dos ocupantes romanos) não se dirige diretamente a Jesus, mas envia-lhe uma comitiva de anciãos judeus a pedir-lhe que vá curar seu funcionário a quem tanto estima. Pelos emissários, sabemos que o homem tinha bom coração. Jesus parte com eles. Mas, cheio de humildade e confiança, o militar envia alguns amigos com este recado para Jesus: “Diga apenas uma palavra e meu servo ficará curado”. Assim acontece, de modo que os emissários, ao voltar para casa, encontram o servo curado. E Jesus, tomado de profunda admiração, engrandece a fé que o pagão demonstrou. Com esse episódio, Lucas já anuncia o tempo em que o Evangelho, pela ação do Espírito Santo, se estenderá também aos não judeus.

Oração
Ó Jesus, nosso Libertador, cheio de compaixão, atendes toda pessoa que te busca de coração sincero, sem levar em conta raça, religião ou função social. Movido de ardente zelo missionário, atendeste o pedido do centurião e lhe curaste o servo. E elogiaste o alto grau de sua fé. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

24° Domingo do Tempo Comum

(verde, glória, creio – 4ª semana do saltério)

Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros (Eclo 36,18).

A liturgia inspira nosso testemunho a respeito de quem é Jesus. Em sua presença, queremos aprender dele a permanecer firmes no caminho do Evangelho, sem desviar nosso coração. Reunidos para celebrar a Palavra e a Eucaristia, somos convidados a dar ao Senhor, por meio de uma fé viva e operante, nossa resposta comprometida e cheia de amor.

Primeira Leitura: Isaías 50,5-9

Leitura do livro do profeta Isaías – 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9Sim, o Senhor Deus é meu auxiliador; quem é que me vai condenar? – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 114(115)

Andarei na presença de Deus, / junto a ele na terra dos vivos.

1. Eu amo o Senhor, porque ouve / o grito da minha oração. / Inclinou para mim seu ouvido, / no dia em que eu o invoquei. – R.

2. Prendiam-me as cordas da morte, † apertavam-me os laços do abismo; / invadiam-me angústia e tristeza. / Eu então invoquei o Senhor: / “Salvai, ó Senhor, minha vida!” – R.

3. O Senhor é justiça e bondade, / nosso Deus é amor-compaixão. / É o Senhor quem defende os humildes: / eu estava oprimido, e salvou-me. – R.

4. Libertou minha vida da morte, † enxugou de meus olhos o pranto / e livrou os meus pés do tropeço. / Andarei na presença de Deus, / junto a ele na terra dos vivos. – R.Segunda Leitura: Tiago 2,14-18

Leitura da carta de São Tiago – 14Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? 15Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; 16se então alguém de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos”, e: “Comei à vontade”, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? 17Assim também a fé, se não se traduz em obras, por si só está morta. 18Em compensação, alguém poderá dizer: “Tu tens a fé e eu tenho a prática! Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras!” – Palavra do Senhor.

Evangelho: Marcos 8,27-35

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu de nada me glorio, / a não ser da cruz de Cristo; / vejo o mundo em cruz pregado / e para o mundo em cruz me avisto (Gl 6,14). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 27Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” 28Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. 29Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. 30Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. 31Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. 33Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. 34Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 35Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho vai salvá-la”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Jesus faz uma pesquisa, junto a seus discípulos, para averiguar o que eles e o povo pensam a seu respeito. Não há consenso. Pedro responde: “Tu és o Messias”. Mas “embarca” numa ideia errônea sobre o Messias: esperado como um salvador da pátria, com poderes para expulsar os dominadores estrangeiros… Jesus apresenta sua identidade: ele é o Filho do Homem, enviado por Deus para salvar a humanidade. Ele enfrentará terrível oposição em Jerusalém e será capturado pelos dirigentes do povo, que irão torturá-lo e condená-lo à morte, reação inevitável de um sistema social injusto à sua obra. Ele, porém, ressuscitará. Pedro reage a essa perspectiva. Então, Jesus mostra que a sorte do Mestre é a mesma que está reservada a quem se dispõe a segui-lo: “Se alguém quiser seguir após mim…”.

Oração
Ó Jesus Messias, dá-nos compreender quem de fato és, o que vieste fazer entre nós e o que exiges para que sejamos autênticos seguidores teus. Foste enviado pelo Pai, a fim de nos resgatar para a vida divina, e nos salvas por tua morte na cruz. A ti, Senhor, nosso amor e sincera gratidão. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

São Guido – peregrino

Dois séculos antes que o pobrezinho de Assis celebrasse as núpcias com a Senhora Pobreza, outro santo, menos conhecido, advertira a respeito do perigo que o dinheiro traz às almas; também quando se reveste de nobres intenções, como o desejo de socorrer os indigentes com as esmolas. Guido de Anderlecht, por uma cronologia um tanto incerta, é colocado entre os anos de 950 e 1012. O seu primeiro biógrafo, que escreve em 1112, no tempo da exumação das suas relíquias, diz que era filho de camponeses da região belga de Brabante. Manso e generoso, Guido mostrou desde muito jovem o seu desapego dos bens terrenos, dando tudo o que possuía aos pobres. Desejoso de vida ascética, deixou também a casa paterna e em Laken, perto de Bruxelas, escolheu o encargo de sacristão do vigário, para se tornar útil ao próximo e ao mesmo tempo se dedicar à oração e às piedosas práticas de ascese cristã. A certa altura da sua vida, não por desejo de lucro, mas para constituir um fundo a favor dos pobres, pôs-se a fazer comércio. Não foi escolha feliz. Logo percebeu, pois o primeiro barco que conseguiu carregar afundou com tudo no Sena.

Para Guido isso foi advertência do céu, não porque a profissão de comerciante seja contrária às leis de Deus — apressava-se a acrescentar o biógrafo — mas porque ele preferira o caminho mais comum ao mais árduo que é o da perfeição. Guido vestiu então o hábito de peregrino e por sete anos percorreu as longas e inseguras estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade. Foi a Roma e depois prosseguiu para a Terra Santa. De volta da longa peregrinação, fraco e doente, hospedou-se na casa de um sacerdote de Anderlecht, cidadezinha perto de Bruxelas, da qual tomou o nome e onde pouco depois morreu, sem deixar lembrança particular. De fato também seu sepulcro ficou por muito tempo descuidado, até que a frequência de prodígios rejuvenesceu a memória do santo, ao qual foi dedicada uma grande igreja que acolheu suas relíquias.

No decorrer dos séculos a devoção a são Guido se difundiu. Assim sob a proteção do humilde sacristão, filho de camponeses, acolheram-se os trabalhadores da lavoura, camponeses, sacristãos, cocheiros. São Guido protege os estábulos, as escuderias e em particular os cavalos, que durante a festa anual de Anderlecht são benzidos ao término de uma procissão folclórica. Como parece ter morrido de disenteria seu nome é invocado pelos que sofrem desse mal.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS