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Evangelho do dia

Quarta-Feira da 12° Semana do Tempo Comum

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

(MISSA DA VIGÍLIA)

(branco, glória, creio, prefácio próprio – ofício da solenidade)

Ele será grande diante do Senhor; estará cheio do Espírito Santo desde o seio materno, e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1,15.14).

Já no século 4º, tem-se notícia de um culto a São João Batista. Santo Agostinho se refere à festa da natividade desse santo no dia 24 de junho, e sabe-se que é a única festa de nascimento afora a da Natividade de Maria. No plano divino da salvação, o Batista é escolhido para ser o elo entre o Antigo e o Novo Testamento. Ele vem aplainar os caminhos para o Messias que está para chegar. Abramos o coração para acolher “o maior dos profetas”, com seu corajoso testemunho de vida e sólidos ensinamentos.

Primeira Leitura: Jeremias 1,4-10

Leitura do livro do profeta Jeremias – Nos dias de Josias, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações”. 6Disse eu: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo”. 7Disse-me o Senhor: “Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás. 8Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te”, diz o Senhor. 9O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me: “Eis que ponho minhas palavras em tua boca. 10Eu te constituí hoje sobre povos e reinos com poder para extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 70(71)

Desde o seio maternal, sois meu amparo.

1. Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, / que eu não seja envergonhado para sempre! / Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! / Escutai a minha voz, vinde salvar-me! – R.

2. Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Porque sois a minha força e meu amparo, † o meu refúgio, proteção e segurança! / Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. – R.

3. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, / em vós confio desde a minha juventude! / Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, / desde o seio maternal, o meu amparo. – R.

4. Minha boca anunciará todos os dias / vossa justiça e vossas graças incontáveis. / Vós me ensinastes desde a minha juventude, / e até hoje canto as vossas maravilhas. – R.

Segunda Leitura: 1 Pedro 1,8-12

Leitura da primeira carta de São Pedro – Caríssimos, 8sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação. 10Essa salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente. 12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando essas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o Evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! – Palavra do Senhor.

Evangelho: Lucas 1,5-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

João veio dar testemunho da luz, / a fim de preparar um povo bem-disposto para a vinda do Senhor (Jo 1,7; Lc 1,17). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, do grupo de Abia. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava-se Isabel. 6Ambos eram justos diante de Deus e obedeciam fielmente a todos os mandamentos e ordens do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e os dois já eram de idade avançada. 8Em certa ocasião, Zacarias estava exercendo as funções sacerdotais no templo, pois era a vez do seu grupo. 9Conforme o costume dos sacerdotes, ele foi sorteado para entrar no santuário e fazer a oferta do incenso. 10Toda a assembleia do povo estava do lado de fora rezando, enquanto o incenso estava sendo oferecido. 11Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado, e o temor apoderou-se dele. 13Mas o anjo disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João. 14Tu ficarás alegre e feliz, e muita gente se alegrará com o nascimento do menino, 15porque ele vai ser grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará repleto do Espírito Santo. 16Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus. 17E há de caminhar à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem-disposto”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Com linguagem e cores vivas, Lucas narra o nascimento de João, fi lho de Zacarias e de Isabel. Escolhido por Deus desde o seio materno, João vem com a missão de “converter o coração dos pais aos fi lhos, e os rebeldes à sabedoria
dos justos, e para preparar ao Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1,17). João é a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento. Seu nascimento traz uma alegria indizível não só para a mãe, mas também para os seus vizinhos e parentes. Afinal, Isabel era estéril, e o casal, de idade avançada. Notava-se aí clara intervenção divina. Isabel o reconhece e propaga: “Eis o que o Senhor fez por mim, nos dias em que decidiu tirar de mim a humilhação pública”(Lc 1,25). Essa alegria contagiante se expande e desemboca nos dias do Messias, conforme anunciaram os profetas (cf. Sf 3,14).

Oração
Ó divino Salvador, o Pai celeste preparou com muito zelo o nascimento do teu precursor, João Batista. Vizinhos e parentes de sua mãe, Isabel, exultaram de alegria, porque Deus usou de misericórdia com ela, que era idosa e estéril. Bendito seja Deus pelas maravilhas que realiza para nos salvar. Amém.

(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Padre Small, novo secretário da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores

O Santo Padre nomeou o missionário dos Oblatos de Maria Imaculada como novo secretário pró-tempore da Comissão Pontifícia: a prioridade – afirma o religioso – é ouvir as pessoas afetadas pelos abusos e criar novos caminhos que ampliem o conceito de proteção na comunidade eclesial.

O Santo Padre nomeou secretário pro tempore da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores o rev. Pe. Andrew Small, O.M.I., ex-diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias nos Estados Unidos da América, que concedeu uma entrevista ao colega do programa de língua alemã, Mario Galgano.

O que significa para o senhor a nomeação do Papa Francisco como secretário da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores?

Além de ser uma grande honra pessoal, há uma clara indicação de que a Comissão está entrando em uma nova fase, chamada pelo Santo Padre a definir a importância de salvaguardar ainda mais plenamente toda a rede da Igreja, incluindo o importante papel desempenhado pela Cúria Romana.

Quais são suas expectativas e seu compromisso com esse novo encargo tão delicado e importante?

Minha primeira prioridade é conhecer os membros da Pontifícia Comissão, que estão fazendo um trabalho extraordinário, embora sejam todos voluntários (a maioria são leigos com alto nível de formação). Quero assumir minha função na escuta daqueles cujas vidas foram atingidas e, em muitos casos, cruelmente destruídas devido a abusos sexuais. Ouvir é importante e saber quais são os próximos passos a serem dados pela própria Comissão e, naturalmente, ouvir os sobreviventes. Também penso que é necessário abrir novos caminhos para comprometer-se com a Igreja em tais questões, de modo que possam sentir que as estruturas de responsabilidade são acessíveis, são transparentes e que todas essas medidas podem ser avaliadas (melhor de forma independente) para garantir com uma certeza objetiva que estamos criando uma Igreja onde os vulneráveis ​​são mais bem protegidos na prática e não apenas na teoria.

Após o encontro sobre a proteção de menores, o Papa Francisco fortaleceu a proteção de menores. Na sua opinião, em que ponto do caminho estamos? O que ainda precisa ser feito?

Penso que qualquer processo de implementação deve levar em consideração o que funciona e o que deve ser melhorado. Mais uma vez, a Comissão deve ser protagonista neste sentido. Como já vimos, é necessário expandir o conceito de proteção na Igreja para incluir as pessoas vulneráveis. Eu também diria que há uma crescente prioridade sobre a necessidade de responsabilizar os líderes da Igreja.

FONTE: VATICAN NEWS

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Papa aos Idosos: salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos

“Não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo”. Assim falou o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado no dia 25 de julho próximo.

Na manhã desta terça-feira (22) foi divulgada a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado no 4° domingo de julho, neste ano, no dia 25. O Papa Francisco escreveu sua mensagem colocando-se lado a lado com os idosos, e iniciou afirmando:

“’Eu estou contigo todos os dias’ (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! ‘Eu estou contigo todos os dias’ são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado”.

Depois de ter recordado as perdas e sofrimentos por causa da pandemia o Papa consolou:

“O Senhor conhece cada uma das nossas tribulações deste tempo. Ele está junto de quantos vivem a dolorosa experiência de ter sido afastado; a nossa solidão – agravada pela pandemia – não O deixa indiferente”

Francisco explica o motivo pelo qual proclamou justamente neste ano o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos:

“Mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!”.

Os anjos que ajudam

O Papa recorda que o “anjo enviado por Deus, pode ter o rosto de um familiar, de um conhecido”, mas o Senhor “envia-nos os seus mensageiros também através da Palavra divina, que Ele nunca deixa faltar na nossa vida. Cada dia, leiamos uma página do Evangelho, rezemos com os Salmos, leiamos os Profetas! Ficaremos comovidos com a fidelidade do Senhor”.

Idosos evangelizadores

E alerta os idosos:

“Atenção! Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Não vos esqueçais disto”

E reitera: “Não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo”. Francisco recorda também que alguns idosos podem até afirmar que não têm condições por um motivo ou outro, porém logo encorajou-os: “Isso é possível – responde o Senhor –, abrindo o próprio coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-Se por toda a parte e faz aquilo que quer”.

E citou mais uma vez palavras que já afirmara em outras ocasiões: “Da crise que o mundo atravessa, não sairemos iguais: sairemos melhores ou piores”. “Ninguém se salva sozinho. Devedores uns dos outros. Todos irmãos”.

Três pilares para a nova construção

“Nesta perspectiva – continua o Papa – quero dizer que há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade. Todos devemos ser ‘parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas’”. E sugere três pilares sobre os quais sustentar esta nova construção: os sonhos, a memória e a oração”. E explica:

“A proximidade do Senhor dará – mesmo aos mais frágeis de nós – a força para empreender um novo caminho pelas estradas do sonho, da memória e da oração”

Aliança entre jovens e idosos

Ao falar sobre sonhos dos idosos e visões dos jovens o Pontífice ponderou: “O futuro do mundo está na aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? Mas, para isso, é necessário continuar a sonhar: nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro. É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa”.

Recordar é viver

Francisco leva seu pensamento também ao entrelaçamento entre sonhos e memória e afirma: “Penso como pode ser de grande valor a memória dolorosa da guerra, e quanto podem as novas gerações aprender dela a respeito do valor da paz”. “Recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros” afirma o Papa. Depois de recordar Edith Bruck sobrevivente do Holocausto que afirmou ‘mesmo que seja para iluminar uma só consciência, vale a pensa a fadiga de manter a recordação do que foi…. para mim recordar é viver’, o Papa continua encorajando mais uma vez: “Penso também nos meus avós e naqueles de vós que tiveram de emigrar e sabem quanto custa deixar a própria casa, como fazem muitos ainda hoje à procura dum futuro. Talvez tenhamos algum deles ao nosso lado a cuidar de nós. Esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor. Mas, sem a memória, não se pode construir; sem alicerces, tu nunca construirás uma casa. Nunca. E os alicerces da vida estão na memória”.

A Oração

Por fim, a oração. “A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo”, disse o Papa. “Sobretudo neste tempo tão difícil para a humanidade em que estamos – todos na mesma barca – a atravessar o mar tempestuoso da pandemia, a tua intercessão pelo mundo e pela Igreja não é vã, mas indica a todos a serena confiança de um porto seguro”.

O Papa Francisco conclui sua mensagem com um auspício: “ Oxalá cada um de nós aprenda a repetir a todos, e em particular aos mais jovens, estas palavras de consolação que ouvimos hoje dirigidas a nós: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Avante e coragem! Que o Senhor vos abençoe”.

FONTE: VATICAN NEWS

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Santo do dia

São Paulino de Nola, Bispo

“Os corações devotados a Cristo rejeitam as Musas e estão fechados para Apolo”, assim escrevia Paulino ao mestre Décimo Magno Ausônio, que o tinha iniciado na arte da retórica e da poética. Paulino era jovem de temperamento artístico. Descendia de rica família patrícia romana (nasceu em 355 em Bordeaux, onde o pai era funcionário imperial) e, favorecido na carreira política por grandes amizades locais, tornou-se cônsul substituto e governador da Campânia. Teve também a felicidade de encontrar o bispo Ambrósio de Milão e o jovem Agostinho de Hipona, pelos quais foi encaminhado para a conversão a Cristo. Recebeu o batismo aos vinte e cinco anos. Durante uma viagem à Espanha conheceu e desposou Teresa.

Após a morte prematura do único filhinho, Celso, decidiram de comum acordo dedicar-se inteiramente à ascese cristã, conforme o modelo de vida monacal em moda no Oriente. Assim, de comum acordo desvencilharam-se das grandes riquezas que pos-suíam, distribuindo-as em vários lugares aos pobres, e se retiraram para a Catalunha a fim de dar início a uma experiência ascética original. Paulino já era quarentão batido. Muito conhecido e admirado na alta sociedade, era querido também pelo povo, que com grande alarido pediu ao bispo de Barcelona que o ordenasse sacerdote.

Paulino aceitou com a condição de não ficar inscrito entre o clero daquela região. Não aceitou também o convite de Ambrósio que o queria em Milão. Paulino acariciava sempre o ideal monástico de vida devota e solitária. De fato foi logo para a Campânia, em Nola, onde a família possuía o túmulo de um mártir, são Félix. Deu início à construção de um santuário, mas se preocupou antes de tudo em erigir uma hospedaria para os pobres, adaptando-lhe o primeiro andar para mosteiro, onde se retirou com Teresa e alguns amigos em comunidade monástica.

Os contatos com o mundo eram através de correspondência epistolar (chegaram a nós 51 cartas). Eram endereçadas a amigos e personalidades de maior projeção no mundo cristão, entre os quais estava precisamente Agostinho. Para os amigos fazia poemas nupciais e poesias de consolações. Mas para pôr fim àquela mística quietude, em 409 foi escolhido para bispo de Nola. Estavam para chegar à Itália anos de grandes tempestades. Genserico havia passado o mar à frente dos vândalos e se apressava a sa-quear Roma e todas as cidades da Campânia. Paulino se revelou verdadeiro pai, preocupado com o bem espiritual e material de todos. Morreu aos 76 anos, em 431, um ano depois do amigo santo Agostinho.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

Terça-Feira da 12° Semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos (Sl 27,8s).

Deus conduz Abraão e lhe promete descendência tão numerosa como o pó da terra. Sejamos atentos aos apelos do Senhor e caminhemos rumo à “luz da vida”.

Primeira Leitura: Gênesis 13,2.5-18

Leitura do livro do Gênesis – 2Abrão era muito rico em rebanhos, prata e ouro. 5Ló, que acompanhava Abrão, também tinha ovelhas, gado e tendas. 6A região já não bastava para os dois, pois seus rebanhos eram demasiado numerosos para poderem morar juntos. 7Surgiram discórdias entre os pastores que cuidavam da criação de Abrão e os pastores de Ló. Naquele tempo, os cananeus e os ferezeus ainda habitavam naquela terra. 8Abrão disse a Ló: “Não deve haver discórdia entre nós e entre os nossos pastores, pois somos irmãos. 9Estás vendo toda esta terra diante de ti? Pois bem, peço-te, separa-te de mim. Se fores para a esquerda, eu irei para a direita; se fores para a direita, eu irei para a esquerda”. 10Levantando os olhos, Ló viu que toda a região em torno do Jordão era por toda parte irrigada – isso antes que o Senhor destruísse Sodoma e Gomorra -, era como um jardim do Senhor e como o Egito, até a altura de Segor. 11Ló escolheu, então, para si a região em torno do Jordão e foi para oriente. Foi assim que os dois se separaram um do outro. 12Abrão habitou na terra de Canaã, enquanto Ló se estabeleceu nas cidades próximas do Jordão e armou suas tendas até Sodoma. 13Ora, os habitantes de Sodoma eram péssimos e grandes pecadores diante do Senhor. 14E o Senhor disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: “Ergue os olhos e, do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente: 15toda essa terra que estás vendo, eu a darei a ti e à tua descendência para sempre. 16Tornarei tua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se alguém puder contar os grãos do pó da terra, então poderá contar a tua descendência. 17Levanta-te e percorre este país de ponta a ponta, porque é a ti que o darei”. 18Tendo desarmado suas tendas, Abrão foi morar junto ao carvalho de Mambré, que está em Hebron, e ali construiu um altar ao Senhor. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 14(15)

Senhor, quem morará em vosso monte santo?

1. “Senhor, quem morará em vossa casa?” † É aquele que caminha sem pecado / e pratica a justiça fielmente; / que pensa a verdade no seu íntimo / e não solta em calúnias sua língua. – R.

2. Que em nada prejudica o seu irmão / nem cobre de insultos seu vizinho; / que não dá valor algum ao homem ímpio, / mas honra os que respeitam o Senhor. – R.

3. Não empresta o seu dinheiro com usura † nem se deixa subornar contra o inocente. / Jamais vacilará quem vive assim! – R.

Evangelho: Mateus 7,6.12-14

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou a luz do mundo; / aquele que me segue / não caminha entre as trevas, / mas terá a luz da vida (Jo 8,12). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6“Não deis aos cães as coisas santas nem atireis vossas pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem. 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas. 13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! 14Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram!” – Palavra da salvação.

Reflexão:

Não é prudente falar de Deus e do seu projeto de vida e libertação a pessoas que se julgam autossuficientes, que desprezam a religião e seus símbolos sagrados. Seria desperdício total. As coisas sagradas, entre elas a Palavra de Deus, devem ser oferecidas a quem tem o coração aberto para acolhê-las com respeito. Jesus retoma a máxima chamada “regra de ouro”. Coloca-a em chave positiva: fazer aos outros o que desejaríamos que nos fizessem. Para praticar essa norma em todos os momentos, temos de prestar atenção à realidade do outro, colocar-nos no seu lugar, enfim, sair de nós mesmos. A caridade aqui é entendida como atitude de amor sem limite, sem esperar retribuição. Isso faz parte do “caminho estreito” pelo qual se supera o egoísmo e se alcança a salvação.

Oração
Ó Jesus, nosso Mestre e Senhor, escolher as propostas do Reino é enveredar-se pela “porta estreita”. Esse caminho implica a prática da justiça, do amor e da misericórdia e vai trazer certamente oposição, desconforto e até perseguições, mas é o “caminho que leva para a vida”. Amém.

(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

São Luís Gonzaga, Religioso

Ferrante Gonzaga, marquês de Castiglione delle Stiviere e irmão do duque de Mântua, gostaria que o seu primogênito Luís, nascido a 9 de março de 1568, seguisse seus passos de soldado e comandante no exército imperial. Com a idade de cinco anos, Luís já vestia uma couraça, com escudo, capacete, cinturão e espada e marchava atrás do exército do pai, aprendendo dos rudes soldados o uso das armas e o seu vocabulário colorido. Um dia aproveitou-se até da distração de um sentinela para pôr fogo a uma pequena peça de artilharia. Mas aquele menino daria fama à família Gonzaga com armas totalmente diferentes. Enviado a Florença na qualidade de pajem do grão-duque da Toscana, aos dez anos Luís imprimiu em sua própria vida uma direção bem definida, voltando-se à perpétua virgindade.

Também uma viagem à Espanha, onde ficou alguns anos como pajem do Infante Dom Diego, serviu-lhe para o estudo da filosofia na universidade de Alcalá de Henares e a leitura de livros devotos, como o Compêndio da vida espiritual, de Luís de Granada. Aos doze anos, após ter recebido a primeira comunhão das mãos de são Carlos Borromeu, decidiu entrar para a Companhia de Jesus. Mas foram necessários mais dois anos para vencer as resistências do pai, que o despachou para as cortes de Ferrara, Parma e Turim. “Também os príncipes — Luís escreverá mais tarde — são pó como os pobres: talvez, cinzas mais fedidas”.

Para que sua alma se perfumasse mais das virtudes cristãs, Luís renunciou ao título e à herança paternas e aos catorze anos entrou no noviciado romano da Companhia de Jesus, sob a direção de são Roberto Belarmino. Esqueceu totalmente sua origem de nobreza e escolheu para si as incumbências mais humildes, dedicando-se ao serviço dos doentes, sobretudo na epidemia que atingiu Roma em 1590. Acabou contraindo a terrível doença provavelmente por algum gesto de piedade: encontrando um moribundo na estrada, carregou-o nas costas até o sanatório, aos pés de Capitólio, onde trabalhava.

Morreu aos vinte e três anos, no dia por ele preconizado, a 21 de junho de 1591. O corpo de são Luís, “Patrono da juventude”, repousa na igreja de santo Inácio, em Roma. Este santo, ao contrário do que é apresentado em certos livros, era dotado de temperamento forte. As duras penitências às quais se submeteu são sinais de determinação não comum, rumo a uma meta que se havia proposto claramente desde a primeira adolescência.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

Segunda-Feira da 12° Semana do Tempo Comum

SÃO LUÍS GONZAGA, RELIGIOSO

(branco, pref. comum ou dos santos, – ofício da memória)

O homem de coração puro e mãos inocentes é digno de subir à montanha do Senhor e de permanecer em seu santuário (Sl 23,4.3).

Luís nasceu na Itália em 1568 e lá faleceu em 1591. Renunciou à vida de nobreza dos Gonzagas e a toda a glória do mundo para ingressar na jovem Companhia de Jesus, os Jesuítas. Foi noviço exemplar e dedicou-se intensamente ao estudo, à oração e à caridade. Peçamos pelos jovens que se põem inteiramente a serviço do Reino de Deus.

Primeira Leitura: Gênesis 12,1-9

Leitura do livro do Gênesis – Naqueles dias, 1o Senhor disse a Abrão: “Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai e vai para a terra que eu te vou mostrar. 2Farei de ti um grande povo e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. 3Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!” 4E Abrão partiu, como o Senhor lhe havia dito, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando partiu de Harã. 5Ele levou consigo sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló e todos os bens que possuíam, bem como todos os escravos que haviam adquirido em Harã. Partiram rumo à terra de Canaã e ali chegaram. 6Abrão atravessou o país até o santuário de Siquém, até o carvalho de Moré. Os cananeus estavam então naquela terra. 7O Senhor apareceu a Abrão e lhe disse: “Darei esta terra à tua descendência”. Abrão ergueu ali um altar ao Senhor, que lhe tinha aparecido. 8De lá, deslocou-se em direção ao monte que estava a oriente de Betel, onde armou sua tenda, com Betel a ocidente e Hai a oriente. Ali construiu também um altar ao Senhor e invocou o seu nome. 9Depois, de acampamento em acampamento, Abrão foi até o Negueb. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 32(33)

Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

1. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor / e a nação que escolheu por sua herança! / Dos altos céus o Senhor olha e observa; / ele se inclina para olhar todos os homens. – R.

2. Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem / e que confiam, esperando em seu amor, / para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria. – R.

3. No Senhor nós esperamos confiantes, / porque ele é nosso auxílio e proteção! / Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos! – R.

Evangelho: Mateus 7,1-5

Aleluia, aleluia, aleluia.

A palavra do Senhor é viva e eficaz: / ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Não julgueis e não sereis julgados. 2Pois vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos com a mesma medida com que medirdes. 3Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? 4Ou como podes dizer ao teu irmão: ‘deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Jesus se posiciona contra o julgamento arrogante. Trata-se do julgamento que despreza e condena. Emitir juízo sobre alguém é, no mínimo, imprudente. Primeiro, porque toda pessoa é um mistério, e não está em nosso poder conhecer-lhe o interior, o que pensa e o que sente. Segundo, porque mesmo que sejamos testemunhas oculares de suas atitudes, corremos o risco de interpretá-las erroneamente, não raro movidos por preconceito ou má-fé. Não fomos criados para condenar, e sim para amar. Eis por que Jesus nos deixa um recado sensato e mais que oportuno: “Tire primeiro a trave de seu olho, e então você enxergará bem para tirar a trave do olho de seu irmão”. Tarefa para a vida inteira, já que corrigir os próprios defeitos não é fácil nem automático: requer intenso e perseverante trabalho espiritual.

Oração
Ó Jesus, nosso Mestre, tua advertência vem nos ajudar a corrigir uma tendência bastante comum entre os seres humanos: a de apontar e criticar os defeitos dos outros. Senhor, tu nos ensinas a prestar atenção primeiramente em nossos próprios defeitos. Observar e emendar. Amém.(Dia a dia com o Evangelho 2021 – Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp e Pe. Nilo Luza, ssp)

FONTE: PAULUS

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Cardeal Arinze: Basta de apoio ao terrorismo em Burkina Faso

O cardeal nigeriano Franzis Arinze celebrou uma missa na Basílica de São Pedro, com os burquinenses residentes em Roma, pelas vítimas da violência no país africano, repetindo as palavras do Papa disse: “o continente precisa de paz e não de violência”, e também para que “seja interrompido o apoio a movimentos terroristas, através do fornecimento de dinheiro, armas, planos ou justificações”

Da Basílica de São Pedro elevou-se uma fervorosa oração pelas vítimas e pelos que sofrem em Burkina Faso e em todo o continente africano por causa do terrorismo. Na manhã de sábado, 19 de junho, o cardeal nigeriano Franzis Arinze, Prefeito Emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, presidiu uma celebração eucarística no Altar da Cátedra. Uma pequena parte do povo burquinense que reside em Roma participou do rito, para um simbólico abraço de solidariedade e apoio espiritual ao povo de sua terra natal que está enfrentando todos os dias as dificuldades e os perigos decorrentes do terrorismo e da violência cega.

O cardeal convidou todos a rezarem, em particular, pela justiça e pela paz, não apenas em Burkina Faso, mas em toda a África e no mundo. Também pediu orações pelos promotores da violência e pela calma e alegria na sociedade, sem esquecer as pessoas mortas.

Não ao apoio financeiro

O Cardeal Arinze recordou que o Papa Francisco sempre garantiu sua proximidade às vítimas de todo tipo de violência e, mais recentemente, após o massacre de Solhan em Burkina Faso, rezou pelos que “sofrem, reafirmando que a África precisa de paz e não de violência”. Depois acrescentou que, em um contexto de pobreza, de maldade e de sofrimento, mas também de insurgências jihadistas na África subsaariana, com “ataques repetidos que semeiam violência e morte, medo e angústia”, o apelo sincero do Pontífice contido na encíclica Fratelli tutti ressoa com força ainda maior: o apelo para que seja interrompido “o apoio a movimentos terroristas, através do fornecimento de dinheiro, armas, planos ou justificações”.

FONTE: VATICAN NEWS

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Muitos desempregados, reforma econômica urgente, afirma o Papa

Mensagem em vídeo do Papa Francisco aos participantes da 109ª Conferência Internacional do Trabalho que se realiza, em Genebra, nesta quinta-feira: a violência contra as mulheres é inaceitável. Evitar o consumismo cego na retomada pós-Covid. Não existem pessoas “elimináveis”.

O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo, em espanhol, aos participantes da 109ª Conferência Internacional do Trabalho que se realiza, em Genebra, na Suíça, nesta quinta-feira (17/06).

Promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o evento reúne representantes de Governos, organizações de empresários e trabalhadores. “Esta conferência foi convocada num momento crucial da história social e econômica, que apresenta desafios sérios e abrangentes para o mundo inteiro. Nos últimos meses, a Organização Internacional do Trabalho, através de seus relatórios regulares realizou um trabalho louvável ao dedicar atenção especial a nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis”, diz o Papa na videomensagem.

Segundo Francisco, “aderir a um sindicato é um direito”. A seguir, invoca “uma profunda reforma da economia” e um trabalho “realmente e essencialmente humano”, porque o atual para muitos trabalhadores diaristas, migrantes e trabalhadores precários e sobretudo para muitas mulheres, começando pelas empregadas domésticas, cuidadoras e vendedoras ambulantes, é “perigoso, sujo e degradante”.

Ajudar quem está à margem do trabalho

No vídeo, Francisco convida a Igreja e os governantes a darem uma resposta incisiva àqueles que se encontram “à margem do mundo do trabalho”, esmagados pelas consequências dramáticas da Covid-19.

“Muitos migrantes e trabalhadores vulneráveis e suas famílias são geralmente excluídos do acesso a programas nacionais de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e assistência, bem como dos planos de proteção financeira e serviços psicossociais.”

Segundo o Bispo de Roma, este é “um dos muitos casos da filosofia do descarte que nos acostumamos a impor em nossas sociedades”. Uma exclusão que “complica a detecção precoce, a execução de testes, diagnósticos, rastreamento de contatos e busca de assistência médica para a Covid-19” aos refugiados e migrantes, e assim “aumenta o risco de surtos nessas populações”.

Desemprego, jovens fora do mercado, tráfico humano

Francisco entra no centro da emergência trabalhista, pré-existente, agravada pela pandemia. Ele enumera os danos causados pela “falta de medidas de proteção social diante do impacto da Covid-19”: aumento da pobreza, desemprego, subemprego, atraso na inserção dos jovens no mercado de trabalho, exploração infantil, tráfico de pessoas, insegurança alimentar, maior exposição a infecções para os doentes e idosos.

“A diminuição do horário de trabalho nos últimos anos resultou tanto na perda de empregos quanto na redução da jornada de trabalho para aqueles que o mantiveram. Muitos serviços públicos, assim como muitas empresas, enfrentaram enormes dificuldades, algumas correndo o risco de falência total ou parcial. Em todo o mundo, vimos perdas de empregos sem precedentes em 2020.”

Condições de trabalho decentes e dignas

“Com a pressa de voltar a uma maior atividade econômica no final da ameaça da Covid-19, evitemos as pesadas fixações no lucro, o isolamento e o nacionalismo, o consumismo cego e a negação das evidências claras que denotam a discriminação dos nossos irmãos e irmãs ‘elimináveis’ em nossa sociedade”, ressalta o Pontífice.

“Buscamos soluções que nos ajudem a construir um novo futuro de trabalho baseado em condições de trabalho decentes e dignas que venham da negociação coletiva e promovam o bem comum.”

Um diálogo entre governos, empresários e trabalhadores

O Papa volta o seu olhar para as categorias sociais mais vulneráveis: jovens, migrantes, indígenas e pobres que “não podem ser deixados de lado num diálogo que também deveria reunir governos, empresários e trabalhadores”. As confissões religiosas e as comunidades também devem se comprometer juntas, pois só através do diálogo amplo é que “um futuro solidário e sustentável para nossa casa comum” pode ser alcançado. Um verdadeiro diálogo se instaura quando “todos aqueles que dialogam estão no mesmo nível de direitos e deveres”.

Prestar atenção às necessidades particulares das mulheres

Quando se trata de igualdade de direitos, os nossos pensamentos se voltam especialmente para as mulheres, começando pelas vendedoras ambulantes e trabalhadoras domésticas, que sofrem o impacto do coronavírus em termos de “isolamento” ou “exposição extrema a riscos à saúde”

“Sem creches acessíveis, os filhos dessas trabalhadoras estão expostos a um risco maior à saúde porque as mães devem levá-los para o local de trabalho ou deixá-los em casa sozinhos.”

“É necessário assegurar que a assistência social chegue à economia informal e preste especial atenção às necessidades particulares das mulheres e meninas”, insiste Francisco.

A violência contra a mulher é vergonhosa

E ainda sobre as mulheres, ele denuncia as situações extremas que surgiram em vários países durante a pandemia. São muitas, demasiadas, mulheres que “continuam clamando por liberdade, justiça e igualdade entre todos os seres humanos”, afirma o Papa. É verdade que houve “melhorias notáveis ​​no reconhecimento dos direitos das mulheres e na sua participação no espaço público”, mas ainda há muito a ser feito, pois “costumes inaceitáveis ​​ainda não foram completamente erradicados”. Em primeiro lugar, a “violência vergonhosa” que resulta em maus-tratos familiares, escravidão ou na “desigualdade de acesso a empregos dignos e aos locais onde se tomam decisões”.

Apoiar sistemas de proteção social

Com vigor, o Papa Francisco pede o apoio e a ampliação dos sistemas de proteção social, “que por sua vez enfrentam riscos importantes”, para que possam garantir o acesso aos serviços de saúde, alimentação e necessidades humanas básicas.

O direito de sindicalização

O Papa também pede para que seja garantido o respeito dos direitos fundamentais dos trabalhadores, incluindo o da sindicalização: “A adesão a um sindicato é um direito. A crise da Covid-19 já afetou os mais vulneráveis e eles não devem ser afetados negativamente por medidas a fim de acelerar uma retomada que se concentre unicamente nos indicadores econômicos”.

O vírus da indiferença egoísta

Para o Papa, “uma profunda reforma da economia” é urgente e necessária, porque “uma sociedade não pode progredir descartando”. O risco é o de “ser atacado por um vírus ainda pior que a Covid-19: o da indiferença egoísta”.

“Este vírus se propaga ao pensar que a vida é melhor se for melhor para mim, e que tudo está bem se estiver bem para mim. Assim começamos e terminamos selecionando uma pessoa ao invés de outra, descartando os pobres, sacrificando aqueles que ficaram para trás no chamado “altar do progresso”. É uma verdadeira dinâmica elitista, de constituição de novas elites ao preço do descarte de muitas pessoas e povos.”

Em vez disso, a pandemia mostrou que “não há diferenças ou confins entre os que sofrem. Somos todos frágeis e, ao mesmo tempo, todos de grande valor. Que nos estremeça profundamente o que está acontecendo ao nosso redor. Chegou o momento de eliminar as desigualdades, de curar a injustiça que está minando a saúde de toda a família humana”.

Pio XI e a Grande Depressão

Lembrando a crise de Wall Street e a Grande Depressão, em 1931, quando Pio XI falou contra a assimetria entre trabalhadores e empresários, Francisco também pede proteção para os trabalhadores “do jogo da desregulamentação”. Ele espera que as normas jurídicas sejam orientadas “para o crescimento do emprego, do trabalho digno e dos direitos e deveres da pessoa humana”.

Um trabalho que cuida

O Pontífice não esquece os trabalhadores dos chamados empregos “não standard”, sem proteção social e particularmente vulneráveis. Para eles, como para todos, uma única e simples ação é necessária: “Cuidado”.

“O trabalho que não cuida, que destrói a Criação, que põe em perigo a sobrevivência das gerações futuras e não respeita a dignidade dos trabalhadores não pode ser considerado digno. Ao contrário, o trabalho que se preocupa, contribui para a restauração da plena dignidade humana, ajudará a garantir um futuro sustentável para as gerações futuras.”

Libertar-se da herança do Iluminismo

Toda empresa deve se perguntar cotidianamente “se ela cuida de seus trabalhadores”, diz Francisco. E junto com o cuidado, ele fala da cultura, ou melhor, das muitas culturas do mundo, começando pelas indígenas ou populares, muitas vezes marginalizadas, que se, em vez disso, se entrelaçassem, levariam ao enriquecimento.

“Acredito que é hora de finalmente nos livrarmos da herança do Iluminismo, que associou a palavra cultura a um certo tipo de formação intelectual e pertença social. Cada povo tem sua própria cultura e nós devemos aceitá-la como ela é.”

Daí, novamente, um convite para “enfrentar os efeitos destruidores do império do dinheiro”.

Apelo aos políticos, sindicalistas e empresários

No final da mensagem de vídeo, o Papa Francisco se dirige a cada um dos “atores institucionalizados do mundo do trabalho” que poderiam favorecer as mudanças já em andamento: “A sua responsabilidade é grande, mas o bem que você pode alcançar é ainda maior”. Em seguida, ele fala aos políticos e governantes, pedindo-lhes que se inspirem “naquela forma de amor que é a caridade política”; fala aos sindicalistas e líderes de associações de trabalhadores, advertindo-os contra a corrupção e exortando-os “a não se deixarem fechar numa camisa de força”, mas “a se concentrarem nas situações concretas dos bairros e comunidades em que trabalham”. Ele fala, por fim, aos empresários que têm a vocação de “produzir riqueza a serviço de todos” através da criação de oportunidades de trabalho diversificadas.

Propriedade privada, um direito secundário

A eles, o Pontífice lembra, como já mencionado na Encíclica Fratelli Tutti, que “junto com o direito da propriedade privada, existe o direito prioritário e precedente da subordinação de toda propriedade privada ao destino universal dos bens da terra e, portanto, o direito de todos ao seu uso”. A propriedade privada, reitera o Papa, “é um direito secundário”, dependente do “direito primário, que é o destino universal dos bens”.

FONTE: VATICAN NEWS.

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Papa Francisco se alegra pelo Doutorado Honoris Causa do cardeal Hummes

O Papa Francisco quis estar presente na atribuição do Doutorado Honoris Causa da Universidade de Rosário (Argentina) ao cardeal Cláudio Hummes.

Com uma mensagem manuscrita, da qual o homenageado diz não ser merecedor, o Papa Francisco quis estar presente na atribuição do Doutorado Honoris Causa da Universidade de Rosário (Argentina) ao Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazónia – CEAMA. A cerimônia realizou-se nesta quinta-feira, dia 17 de junho.

O Santo Padre diz estar “feliz com esta decisão porque se trata de dar graças a Deus e à vida, por nos ter dado estes companheiros de caminho, estes líderes que têm a coragem de abrir trilhas, caminhos e de provocar sonhos; a coragem de continuar sempre olhando o horizonte sobre os problemas e dificuldades do caminho”.

O Papa define dom Cláudio, um dos cardeais mais próximos do atual pontífice, que ele o encarregou de ser o relator geral do Sínodo para a Amazônia, como “um homem de esperança e semeador de esperança porque está convencido de que a esperança não desilude'”.

Na sua mensagem, o Papa Francisco mostra a sua gratidão ao cardeal brasileiro, a quem diz dever tanto, pelo “exemplo que me deu durante a sua vida”, recordando duas frases que ficaram na história, pronunciadas pouco depois de ter sido eleito Papa, quando lhe disse, “é assim que o Espírito Santo age”, e juntamente com isso “não se esqueça dos pobres”.

Um Papa que é sempre amigo dos seus amigos, mostra mais uma vez a importância de momentos como o vivido na Universidade Nacional de Rosário, uma universidade pública na Argentina, onde é reconhecido o testemunho de alguém que construiu pontes entre diferentes formas de pensar e de tomar uma posição face aos problemas do mundo de hoje.

FONTE: VATICAN NEWS.