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sábado 10 abril 2021
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No Iraque, Papa encontrará uma Igreja viva, diz arcebispo sírio-católico

A visita do Papa ao Iraque “é um dom precioso para seguir em frente no nosso caminho e cumprir a missão a que somos chamados nestas terras. Mas também para outros, para o mundo inteiro, será bonito poder redescobrir pelas ‘lentes’ da visita papal, que aqui existem comunidades vivas, que têm todo o desejo de permanecer aqui para o futuro, de não se isolar e de viver em fraternidade com os iraquianos de outras religiões, não obstante a pobreza, o pequeno número, os sofrimentos e tantos outros problemas cotidianos”.

A comunidade cristã que acolherá o Papa Francisco em sua viagem ao Iraque de 5 a 8 de março, “é pobre, pequena, sem poder político, mas certamente é uma Igreja viva, conservada na fé no Senhor Jesus, enriquecida também pelo testemunho daqueles que passaram por perseguições”, diz o arcebispo Nathanael Nizar Samaan, à frente da Diocese sírio-católica de Hadiab, no Curdistão iraquiano, observando que a visita é esperada “como um sinal de que o Papa e a Igreja universal nos querem bem e que aqui há um futuro também para nós”.

As palavras do arcebispo, que é natural de Qaraqosh, não são marcadas por queixas e recriminações, mas ressoam fé, esperança e caridade. “Nós, cristãos iraquianos – assegura Dom Nizar Samaan, que retornou ao Iraque em 2019 após longos anos de serviço pastoral entre as comunidades católicas sírias na Europa – não temos nenhuma ‘agenda’ própria para promover, aproveitando a visita papal. Quando vês que o próprio Papa vem a nós, é um sinal inequívoco de que não estamos sós, que a Igreja nos quer bem e isso nos basta”.

“Para nós – acrescentou – é um dom precioso para seguir em frente no nosso caminho e cumprir a missão a que somos chamados nestas terras. Mas também para outros, para o mundo inteiro, será bonito poder redescobrir pelas ‘lentes’ da visita papal, que aqui existem comunidades vivas, que têm todo o desejo de permanecer aqui para o futuro, de não se isolar e de viver em fraternidade com os iraquianos de outras religiões, não obstante a pobreza, o pequeno número, os sofrimentos e tantos outros problemas cotidianos”.

No programa da viagem, o arcebispo NatHanael está envolvido sobretudo na organização da Liturgia Eucarística que o Papa Francisco presidirá no domingo, 7 de março, no Estádio de Erbil. “Será o único evento no programa da visita papal com multidões – explicou o arcebispo à Fides -, porque em todas as outras etapas do programa, inclusive em Bagdá e em Qaraqosh, o acesso será limitado. No Estádio Franso Hariri, em Erbil, pelo menos 10 mil pessoas tomarão parte na Missa. O estádio pode conter 30 mil, mas infelizmente a pandemia Covid-19 em Erbil também obrigou a limitar o acesso”.

Pelo menos metade dos presentes – contou ele – “virá de lugares do Curdistão iraquiano como Sulaimanyya, Dohuk e Ankawa, o subúrbio de Erbil onde também há muitos deslocados provenientes de Mosul e da Planície de Ninive. O restante dos ingressos distribuímos entre as dioceses de todo o país. A liturgia será celebrada em rito latino, e também será pontuada por cantos em árabe e aramaico”.

A preparação da visita papal – sublinha o arcebispo sírio-católico – também foi uma ocasião para uma intensa colaboração inter-ritual e ecumênica entre as várias comunidades cristãs. “Preparando juntos os vários momentos da visita papal – contou Dom Nathanael Nizar Samaan à Fides –  experimentamos a comunhão entre nós. Deixamos de lado fechamentos e sectarismos, atestando diante de todos que, como cristãos iraquianos, compartilhamos a mesma missão de proclamar o Evangelho de Cristo em nossas terras. Desta comunhão, floresceu também a abertura aos nossos irmãos muçulmanos, que também esperam pelo Papa Francisco com grande expectativa. Também eles querem dizer ao Papa Francisco: ‘és bem-vindo’, e acolhê-lo como irmão”.

Fonte: Vatican News




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