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domingo 16 junho 2019
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Fonte da fé

A fé parece ser inerente à vida das pessoas. Mas dizemos que ela é um dom divino, que ultrapassa a simples iniciativa pessoal. Na verdade, a fé é muito mais do que crer, porque até os demônios acreditam (Tg 2,19). É a certeza daquilo que ainda se espera, ou a demonstração de realidades que não se veem (cf. Hb 11,1). Ela envolve a certeza e a convicção, e está alicerçada na esperança.

A origem mesma da fé, como um mistério, está enraizada na Santíssima Trindade, no Deus uno e trino e nas Palavras de Jesus Cristo. Significa que a Sagrada Escritura é fonte cristalina para a fé cristã, porque são palavras que apontam para Deus e levam o crente a um encontro pessoal com o Senhor. O que se exige é a abertura de coração para acolher o anúncio como “grão de mostarda” (Lc 17,6).

A falta de fé desagrada a Deus, porque Jesus chegou a dizer: “Por que tanto medo, homens de pouca fé?” (Mt 8,26). Em outro momento da Sagrada Escritura se diz: “Ora, sem a fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb 11,6). A fé faz a vida das pessoas ser sempre transformada para realizar o bem.

Na raiz da fé está a sabedoria divina, proclamada com muita evidência no Livro dos Provérbios. Essa sabedoria é o próprio Cristo, o Verbo que se fez carne para cumprir uma missão de salvação na terra. Com isto sentimos a profunda sintonia existente entre o Antigo e o Novo Testamento, porque o Deus de Israel é o mesmo Deus de Jesus Cristo, anunciado no passado e tornado realidade no presente.

A fé só tem sentido quando é transformada em obras, em gestos de fraternidade e de serviço aos irmãos mais necessitados. A Palavra de Deus é clara, quando diz que “A fé, sem a prática, é morta” (Tg 2,26). Isto significa que, ao lado da fé, como claridade de sua função, está a caridade, que gera esperança. São as chamadas virtudes teologais, essenciais para a vivência e a prática cristã.

A Festa da Santíssima Trindade, com a presença do Espírito Santo, é reveladora do mistério de um Deus que se manifesta no Pai, no Filho Jesus e no Espírito Santo. De forma mais sutil já acontecia com os patriarcas Abraão, Isaac, Jacó, José, Moisés, os profetas, os reis e todo o povo do passado. Torna-se mais evidente com os apóstolos e com toda a histórica caminhada da Igreja.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG), via CNBB




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