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Santo do dia

Todos os santos

Hoje a Igreja militante honra a Igreja triunfante “celebrando numa única solenidade todos os santos” — são as palavras que o sacerdote pronuncia na oração da missa — para render cumulativamente homenagem àquela multidão de santos que povoam o Reino dos céus. A leitura repete as palavras de são João no Apocalipse: “E vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as gentes e tribos e povos e línguas…”. Aquela grande multidão “que está diante do Cordeiro” compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja decretou a canonização, e todos os que — em número imensamente superior — conseguiram a salvação, com a eterna visão beatífica de Deus.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem, “alegram-se e exultam” pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e generoso. E a Igreja militante, unida pelo indissolúvel vínculo da caridade com os filhos que passaram “à melhor vida”, honra-os com particular solenidade.

A origem da festa hodierna remonta ao século IV. Em Antioquia celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 18 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do Panteão a Nossa Senhora e a todos os mártires. O monumento pagão assumiu o nome cristão de Santa Maria dos Mártires. Naquele dia, durante a missa, fazia-se chover uma chuva de rosas vermelhas. No ano de 835 esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 19 de novembro, provavelmente por motivos de simples comodidade, como refere João Beleth no século XII, isto é, porque após a colheita do outono era mais fácil arrecadar comida e bebida para a grande multidão de peregrinos que acorriam a Roma naquela oportunidade.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Santo Afonso Rodrigues – religioso

O humílimo Afonso Rodrigues ancorou na vida religiosa após uma infeliz experiência matrimonial. Nasceu em Segóvia, na Espanha, a 25 de julho de 1533. Educado no colégio jesuíta de Alcalá, teve de abandonar os estudos para tomar o lugar do pai no próspero e remunerador comércio de tecidos. Aos 27 anos casou-se. Em 1567 sua família foi atingida pela primeira grande dor com a morte da esposa, seguida pouco depois pelos filhos. Provado pela dor, privado de interesses materiais, descuidou do comércio e endividou-se. Voltou à escola frequentando com pouco sucesso os cursos de gramática e de retórica na universidade de Valência. Afonso então fechou-se definitivamente aos testes escolásticos para procurar somente nos livros de devoção o alimento de que precisava sua alma.

Acolhido a 31 de janeiro de 1571 no noviciado dos jesuítas, como irmão leigo, ficou seis meses em Valência para terminar o noviciado. Depois foi enviado ao colégio de Monte Sion em Palmas de Majorca, a ilha imersa na paz solar e tranquila do Mediterrâneo. Aí ficou até à morte, que se deu a 30 de outubro de 1617. No exercício do seu humilde trabalho cotidiano de porteiro, assumido com pa-ciência e dedicação pelo resto da vida, Afonso se mostrou afável, caridoso e serviçal com todos, exercendo profícuo apostolado entre os que, com sempre maior frequência, paravam na portaria do colégio para receber o conforto de uma palavra sua.

A fama da sua santidade e os carismas com que Deus o dotara (visões, previsões, milagres) tinham atraído à escola do humilde irmão leigo, que tivera de interromper os estudos universitários pelo seu pouco aproveitamento, numeroso grupo de discípulos. Entre estes se aclamava o futuro grande missionário, são Pedro Claver, estudante de filosofia, do qual havia previsto a vasta atividade apostólica. Santo Afonso Rodrigues, canonizado a 15 de janeiro de 1888, juntamente com são João Berchmans, foi indicado como exemplo de tenra devoção mariana, expressa com a recitação diária do Rosário e do Ofício da Imaculada, devoção que frequentemente era recompensada com amáveis e extraordinárias intervenções de Nossa Senhora na vida deste grande místico espanhol.

Entre seus muitos escritos recordamos as Memórias autobiográficas escritas por ordem dos superiores, de 1604 a 1616, e alguns escritos que versam sobre assuntos de ascética com lúcida penetração, fruto de sabedoria não tirada dos livros. Sua festa é celebrada a 30 de outubro.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Geraldo – bispo

Hoje, o Martirológio Romano fixa a memória de são Geraldo, bispo de Potenza, na Lucânia. Ele era natural de Placência, e transferiu-se para Potenza. Foi escolhido como bispo por suas virtudes e suas atividades taumatúrgicas. Morreu apenas oito anos após sua escolha ao episcopado. Seu sucessor, Manfredo, escreveu-lhe uma vida exageradamente panegírica e sobretudo obteve uma canonização a viva voz (ou seja, sem documentação escrita) do papa Calisto II (1119-24). Mas existe outro Geraldo, também ele de Potenza, que teve fama bem superior ao bispo medieval. Trata-se de são Geraldo Majela, um dos santos mais populares da Itália meridional. E há motivo para esta popularidade: ele era invocado sobretudo pelas gestantes ou parturientes.

Nos inícios de 1800, cerca de cinquenta anos após a sua morte, um médico de Grassano (Matera) declarava: “Há muitos anos eu não exerço a profissão de médico. Exerce-a por mim o irmão Geraldo”. Este médico levava tanto a sério o patrocínio de são Geraldo, proclamado bem-aventurado só em 1893, que antes que remédios preferia dar às suas pacientes uma imagem do bom religioso. E Tannoia declarava: “O irmão Geraldo é o protetor especial dos partos. Em Foggia não há mulher parturiente que não tenha sua imagem e que não o invoque como protetor”. Singular revanche de santo pelos sofrimentos por que passou advindos de calúnias de uma mulher, uma ex-monja para a imprensa, o que foram mui facilmente aceitos pelos seus superiores.

Na realidade são Geraldo, que no leito de morte podia afirmar não saber nem o que fosse uma tentação impura, tinha sobre a mulher uma concepção superior: olhava toda mulher como uma imagem de Nossa Senhora, “louvor perene à Santíssima Trindade”. Eram os entusiasmos místicos de uma alma simples, mas cheia de amor espiritual. Exclamava frequentemente “Meu querido Deus, meu Espírito Santo”, sentindo íntimos a ele a bondade e o amor infinitos de Deus. Mais que asceta, era místico.

Sua vida está repleta de privações, de sofrimentos, de humilhações, mas tudo está profundamente animado, finalizado com um encontro vivo e pessoal com Deus. É isso que ficou dele, para além de algumas extravagâncias, que possam desconcertar ortodoxos. Há algo de autêntico e de genuíno também nos seus exageros que talvez os hipies de nossos dias os tornam novamente atuais. Mas são Geraldo fez uma constestação vinda de dentro.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Petrônio – bispo

Os bolonheses (chamados também petronianos, porque a cidade está muito vinculada ao nome do santo) celebravam a festa do seu pa-droeiro a 4 de outubro, mas desde o século XIV, para não coincidir com a festa de são Francisco, a celebração de são Petrônio foi transferida. Oitavo bispo de Bolonha, Petrônio regeu a diocese entre os anos de 431 e 450. Euquério, bispo de Lião, colocava-o no mesmo nível de são Basílio, santo Ambrósio, santo Hilário e são Paulino de Nola, e escrevendo ao cunhado Valeriano em 432, para incitá-lo a abraçar o serviço de Deus e a abandonar a carreira mundana, citava-lhe precisamente o exemplo do laborioso bispo de Bolonha.

Sobre o testemunho de Euquério e de Genádio, que escreveu pelo ano 492, pode-se reconstruir um perfil biográfico suficientemente acreditável do santo. De família nobre, talvez descendente da família consular romana Petrônia, ocupou altos cargos civis. Parece que morou por bastante tempo na Gália, onde percorreu os vários graus da magistratura civil, que depois abandonou, após uma crise religiosa, para se dedicar ao serviço de Deus. Ordenado sacerdote pelo bispo de Milão, de onde Bolonha dependia (até o século XIV o padroeiro da cidade era santo Ambrósio), foi eleito para a sede episcopal em 431.

Uma lenda do século XII, na intenção de exaltar a figura de um santo local até então pouco venerado, afirma que Petrônio, cunhado do imperador Teodósio II, enviado a Roma na qualidade de legado, foi nomeado bispo pelo papa Celestino I e mandado a Bolonha para suceder a Félix, de cuja morte tinha sido avisado em sonho por são Pedro. Acolhido com muito entusiasmo pelos bolonheses, o novo bispo se preocupou, antes de tudo, em reconstruir a cidade destruída por ordem de Teodósio I para castigá-la pela morte do seu legado. Reedificou uma quadra inteira recopiando o desenho dos lugares santos de Jerusalém e aí fixou a sua morada, recolhendo uma comunidade de monges contemplativos.

A reconstrução da cidade, obstaculizada pelas incursões dos bárbaros, deve ser atribuída à operosidade deste bispo, que os bolonheses quiseram honrar com uma das mais grandiosas basílicas da cristandade, a ele dedicada no coração da cidade, e cuja construção iniciada em 1390 protelou-se por muitos anos e foi embelezada de geração a geração por pintores e escultores de grande nome.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Transfiguração do Senhor

A liturgia romana lia um trecho do evangelho que se refere ao episódio da transfiguração no sábado das Quatro Têmporas de Quaresma, pondo assim em relação este mistério com a paixão. O próprio evangelista Mateus inicia a narração com as palavras: “Seis dias depois (isto é, após a confissão de Pedro e a primeira predição da paixão), Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para um lugar à parte, em alto monte. E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz”. Existe neste episódio clara oposição à agonia do horto de Getsêmani. É evidente a intenção de Jesus de oferecer aos três apóstolos antídoto que os fortalecesse na convicção da sua divindade durante o terrível teste da paixão.

O alto monte, que o Evangelho não diz qual seja, é quase certo que se trata do Tabor, localizado no coração da Galileia e domina a planície circunstante. A data deve ser colocada entre o Pentecostes hebraico e a festa das Cabanas, no segundo ano de vida pública, no ano 29, no período dedicado por Jesus de modo particular à formação dos apóstolos. Aquela montanha isolada era de fato muito propícia às grandes meditações, no silêncio solene das coisas e no ar rarefeito que mitigava o calor de verão.

Com esta visão sobrenatural Jesus dava confirmação à confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo”. Aquele instante de glória sobre-humana era o penhor da glória da ressurreição: “O Filho do homem virá na glória do seu Pai”. O próprio tema do colóquio com Moisés e Elias era a confirmação do anúncio da paixão e da morte do Messias. A transfiguração, que faz parte do mistério da salvação, é bastante merecedora de celebração litúrgica, que a Igreja, tanto do Ocidente como do Oriente, celebrou de vários modos e em diferentes datas, até que o papa Calisto III elevou de grau a festa, estendendo-a à Igreja universal.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

O nome de batismo de Santa Paulina é Amábile Lúcia Visintainer. Ela nasceu em 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, Trento, norte da Itália. Seus pais, Napoleão Visitainer e Anna Pia­nezzer, levaram-na para ser batizada no dia seguinte ao seu nascimento.

Quando uma família é verdadeiramente cristã, os pais são os primeiros cate­quis­tas. Amábile recebeu de seus pais uma catequese exemplar, pois eles eram cristãos praticantes e procuraram transmitir a fé aos seus catorze filhos: nove homens e cinco mulheres. Como muitas famílias pobres da Europa, a família de Santa Paulina precisou mudar-se para o Brasil, em busca de melhores condições de vida, no ano de 1875. Eles se instalaram em Santa Catarina, que naquele tempo era uma província pouco habitada. Os imigrantes, então, fundaram vilarejos, dando-lhes os nomes dos povoados italianos em que viveram.

No Brasil, a família de Amábile manteve a fé e a participação na comunidade. Ela fez a primeira comunhão mais ou menos com doze anos. Ainda adolescente começou a ajudar nas atividades de sua paróquia, auxiliando na cate­quese dos mais novos, visitando os doentes e limpando a capela de Vígolo, povoado onde morava com sua família.

Amábile não conseguia ver pessoas sofrendo e ficar parada. Por isso, em 12 de junho de 1890, aos 25 anos de idade, deixou a casa de seu pai e foi morar em um casebre próximo da Igreja, para cuidar de uma mulher desamparada que estava com câncer. Por isso, Santa Pau­lina é considerada a protetora das pessoas com câncer. Junto com ela foi sua amiga Virgínia Nicolodi. Em 1895, o bispo de Curitiba aprovou o trabalho de Amábile e suas com­panheiras, chamando-as Filhas da Imaculada Conceição. Amábile fez os votos religiosos e passou a ser chamada Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A elas se associaram outras companheiras com o desejo de confortar os sofredores. Irmã Paulina trabalhava na horta, capinava, cortava lenha, plantava milho e feijão, fazia as tarefas da casa, ou seja, fazia tudo o que fosse possível para sustentar sua obra em favor dos pobres. Logo que o instituto tinha se organizado em Nova Trento, cidade para onde elas se haviam transferido para ajudar um número maior de pessoas, Madre Paulina transferiu-se para São Paulo, e lá, em 1903, fundou uma casa. Logo depois iniciou uma obra para acolher ex-escravos e seus filhos, que, com a abolição da escravatura, ficaram desamparados.

Em 1909, por causa de um desentendimento com o arcebispo de São Paulo e uma rica benfeitora da Congregação das irmãzinhas, Madre Paulina foi transferida para Bragança Paulista. Viveu lá até 1918, quando foi chamada de volta a São Paulo. Em 1938 começou a sofrer por causa do diabete. Sofreu amputação de um dedo e depois do braço direito. Passou seus últimos dias cega, até seu falecimento, aos 72 anos de idade, em 9 de julho de 1942.

Extraído do livro:
Rezando com Madre Paulina, João Ferreira dos Santos

FONTE: PAULUS

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Natividade de são João Batista

João, chamado o batizador, é filho de Zacarias e de Isabel, ambos de estirpe sacerdotal. Sabemos pelas palavras do anjo Gabriel, que João (cujo nome significa “Deus é propício”) foi concedido aos dois cônjuges em idade avançada. Já vaticinado na Escritura como o precursor do Messias, João encarna o caráter forte de Elias. A sua missão de fato será semelhante “no espírito e no poder” àquela do profeta Elias, enviado para preparar “um povo perfeito” para o advento do Messias. A criança que vai nascer percebe a presença de Jesus “estremecendo de alegria” no ventre materno por ocasião da visita de Maria à prima Isabel. Enviado por Deus para “endireitar os caminhos do Senhor”, foi santificado pela graça divina antes mesmo que seus olhos se abrissem à luz. “Eis — diz Isabel, repleta do Espírito Santo, a Maria — quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre”.

Conforme a cronologia sugerida pelo anjo Gabriel (este é o sexto mês para Isabel), o nascimento do precursor foi fixado pela Igreja latina três meses após a Anunciação e seis meses antes do Natal. A celebração da Natividade do Batista é, com a do nascimento de Jesus e de Maria, a única festa litúrgica que a Igreja dedica ao nascimento de um santo. São João Batista é o primeiro santo venerado na Igreja universal com festa litúrgica particular, em data antiquíssima. Santo Agostinho nos diz que o santo era comemorado a 24 de junho na Igreja africana.

Igualmente antiga é a celebração da vigília do santo, conhecida já pelo Sacramentário Leonino, suprimida somente pelo novo calendário. Isso atesta o grande interesse que em todas as épocas sus-citou este austero profeta, definido pelo próprio Cristo como “o maior entre os nascidos de mulher”.

Na história da Redenção, João Batista está entre as personalidades mais singulares: é o último profeta e o primeiro apóstolo, enquanto precede o Messias e lhe dá testemunho. “É mais que profeta — disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti”. Castigador da hipocrisia e da imoralidade, pagou com o martírio o rigor moral que ele não só pregava, mas punha em prática, sem ceder também diante da ameaça de morte. A 29 de agosto a Igreja lembra, com uma segunda comemoração litúrgica, o martírio do Batista, protótipo do monge e do missionário.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São João I, papa e mártir

“Muitas e graves, conforme o juízo dos homens, as tuas culpas de homem e de rei: avidez de possuir e de destruir, muita tolerância da ferocidade e cobiça dos teus sequazes, arrogância e impostura…” Assim, pela boca de um anjo, João Papini apostrofa Teodorico no seu Juízo universal; apaixonada é a réplica: “Eu era o chefe de uma destas turmas de famintos nômades e toda a minha autoridade de capitão e de rei não podia transformá-la num momento num rebanho de salmistas e genuflexos… Romanos robustecidos e godos paganizados teriam de fundir-se num povo único e forte, capaz de dar novamente à Itália o primeiro lugar na terra. Não foi somente minha a culpa se aquele generoso sonho ficou só sonho”. A memória de são João I está unida ao drama político-religioso de Teodorico.

Toscano de nascimento, João sucedera ao papa Hormisda a 15 de agosto de 523. Há quem o identifique com o João Diácono, autor de uma Epístola ad Senarium, importante pela história da liturgia batismal, porque é talvez o único documento que ateste a tradição da Igreja romana de erigir e consagrar no sábado santo sete altares e de derramar no cálice uma mistura de leite e mel. João Diácono é reconhecido também como autor do tratado A fé católica, transmitido pelos antigos entre as obras de Severino Boécio.

Quando o filho de Constâncio se tornou papa, há apenas cinco anos, Hormisda e o imperador Justino, tio de Justiniano, tinham feito cessar o cisma entre Roma e Constantinopla, estourado em 484 pelo Henoticon do imperador Zenão, que tentara um impossível compromisso entre católicos e monofisitas. Com a jogada obtivera também interessantes resultados políticos e os godos eram arianos, lá pelo fim de 524, Justino publicou um edito com o qual ordenava o fechamento das igrejas arianas de Constantinopla e a exclusão dos hereges de toda a função civil e militar. Teodorico então obrigou o papa João I a ir a Constantinopla para solicitar do imperador a revogação do decreto: as manifestações de atenção foram excepcionais: 15.000 saíram-lhe ao encontro com círios e cruzes e o papa presidiu as solenes funções do Natal e da Páscoa.

Justino aderiu ao pedido de restituir aos arianos as igrejas confiscadas, mas insistiu na privação dos direitos dos arianos convertidos ao catolicismo que novamente se tornassem arianos. Foi o suficiente para o suspeito Teodorico mandar matar Boécio e Símaco. Lançado na prisão em Ravena, o papa João I ali morreu aos dezoito de maio de 526.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus – Santo do Dia.

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São Matias, apóstolo

Matias é nome frequente entre os judeus e quer dizer “dom de Deus”. É o apóstolo que recebeu o dom do grande privilégio de ser agregado aos Doze, tomando o lugar vago deixado pela deserção de Judas Iscariotes. Sua eleição foi mediante sorteio, após a ascensão do Senhor, pela proposta de Simão Pedro, que em poucas palavras fixou os três requisitos para o ministério apostólico: pertencer aos que seguiam Jesus desde o começo, ser chamado e enviado: “É necessário, pois, que, destes homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, a começar pelo batismo de João até ao dia em que nos foi arrebatado, haja um que se torne conosco testemunha de sua ressurreição”.

Matias esteve, portanto, constantemente próximo de Jesus desde o início até o fim de sua vida pública. Testemunha de Cristo e mais precisamente da sua ressurreição, pois a ressurreição do Salvador é a própria razão de ser do cristianismo. Matias, portanto, viveu com os onze o milagre da Páscoa e poderá com todo o direito anunciar Cristo ao mundo, como espectador da vida e da obra de Cristo “desde o batismo de João”. Também a segunda e a terceira condições, ser divinamente chamado e enviado, estão claramente expressas pela oração do colégio apostólico: “Senhor, tu que conheces o coração de todos, mostra qual destes dois escolheste”.

A eleição de Matias por sorteio pode causar-nos espanto. Tirar a sorte para conhecer a vontade divina é método muito conhecido na Sagrada Escritura. A própria divisão da Terra prometida foi mediante sorteio; e os apóstolos julgaram oportuna a conformidade com esse costume. Entre os dois candidatos propostos pela comunidade cristã, José filho de Sabá, cognominado o Justo, e Matias, a escolha caiu sobre o último. O novo apóstolo, cujo nome brilha na Escritura somente no instante da eleição, viveu com os onze a fulgurante experiência de Pentecostes antes de encaminhar-se, como os outros, pelo mundo afora a anunciar “a glória do Senhor”.

Nada se sabe de suas atividades apostólicas, nem se morreu mártir ou de morte natural, pois as narrações a seu respeito pertencem aos escritos apócrifos. À tradição da morte por decapitação com machado se liga o seu patrocínio especial aos açougueiros e carpinteiros. Sua festa celebrada por muito tempo a 24 de fevereiro, para evitar o período quaresmal, foi fixada pelo novo calendário a 14 de maio, data certamente mais próxima do dia da sua eleição.

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Nossa Senhora de Fátima

No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em uma cruzada de orações para obter a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Beatíssima Virgem dava aos homens a sua resposta, aparecendo a 13 de maio a três pastorinhos portugueses, Lúcia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7.

A Senhora marcou com eles um encontro naquele mesmo lugar, lugar espaçoso e descampado denominado Cova da Iria, para o dia 13 de todo mês. Lúcia, a maiorzinha, recomendou aos priminhos a não contarem nada em casa. Mas Jacinta não soube guardar o segredo e no dia 13 de junho, os três pastorinhos não estavam mais sozinhos no encontro.

No dia 13 de julho Lúcia hesitou em ir ao encontro, porque os pais a haviam maltratado, mas depois se deixou convencer por Jacinta e foi precisamente durante a terceira aparição que Nossa Senhora prometeu um milagre para que o povo acreditasse na história das três crianças. A 13 de agosto os três videntes, fechados no cárcere, não puderam ir à Cova da Iria.

A 13 de outubro, último encontro, setenta mil pessoas lotavam o lugar das aparições e foram testemunhas do milagre anunciado: o sol parecia mover-se medrosamente, como se estivesse para destacar-se do firmamento, crescendo entre as chamas multicores. Nossa Senhora, em momentos sucessivos, ia aumentando os prodígios para persuadir a favor da sua mensagem, para dar a sua resposta que empenha todos os cristãos: “Rezem o terço todos os dias; rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores; são muitos os que vão para o inferno por não haver quem se preocupe em rezar e fazer sacrifícios por eles… A guerra logo acabará, mas se não pararem de ofender ao Senhor, não passará muito tempo para vir outra pior. Abandonem o pecado de suas próprias vidas e procurem eliminá-lo da vida dos outros, colaborando com a Redenção do Salvador”.

Ao constatar-se o fato da segunda guerra mundial, os cristãos lembraram-se da mensagem de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal legado, no meio de uma multidão de oitocentas mil pessoas, houve a coroação da estátua de Nossa Senhora de Fátima. Em 1951, Pio XII estabeleceu que o encerramento do Ano santo fosse celebrado no santuário de Fátima.

A 13 de maio de 1967, pelo 50º aniversário das aparições de Nossa Senhora, o papa Paulo VI chegou a Fátima, onde o aguardava, juntamente com um milhão de peregrinos, que haviam passado a noite ao relento, Lúcia, a vidente Lúcia.