Categorias
Santo do dia

Santo Inocêncio I, papa

Eleito pontífice em 401, santo Inocêncio I, de Albano Laziale, governou a Igreja por 16 anos, em período histórico muito difícil para os destinos do império romano do Ocidente e particularmente para Roma, que a 24 de agosto de 410 foi conquistada e saqueada pelos godos de Alarico. Desde 408 o bárbaro Alarico apertava o cerco de Roma. Muitos cidadãos, ainda não convertidos ao cristianismo, celebraram solenes sacrifícios às antigas divindades. O papa Inocêncio, graças ao prestígio que tinha entre os bárbaros, obteve uma trégua, aceitando a condição de ir a Ravena, onde estava o amedrontado imperador Honório para persuadi-lo a conceder especiais poderes a Alarico.

A missão do pontífice não conseguiu os resultados esperados pelos invasores, por isso Alarico deu início ao dramático saque de Roma; o saque e as devastações duraram três dias. Os bárbaros respeitaram as igrejas. Parece mesmo que os bárbaros godos tenham transportado para o túmulo do Príncipe dos apóstolos os vasos preciosos que os particulares haviam escondido em suas próprias casas. Todavia a queda de Roma, comentada com expressões pesarosas de dor por santo Agostinho e são Jerônimo, não assinalou o declínio da autoridade pontifícia.

A solicitude para com todas as Igrejas é demonstrada por grande número de cartas escritas por Inocêncio I, trinta e seis das quais constituem o primeiro núcleo das coleções canônicas, ou cartas encíclicas, que fazem parte do magistério ordinário dos pontífices. Inocêncio I estabeleceu um ponto muito importante na disciplina eclesiástica, isto é, a uniformidade que as várias Igrejas devem ter com a doutrina e as tradições da Igreja de Roma.

Suas intervenções doutrinais se referem à liturgia sacramental, à reconciliação, à unção dos enfermos, ao batismo, à indissolubilidade do matrimônio, claramente defendida também nos casos de adultério. Durante o seu pontificado difundiu-se a heresia de Pelágio, condenada em 416 pelos concílios regionais de Milevi e de Cartago por iniciativa de santo Agostinho e com a aprovação de Inocêncio I. A solicitude do papa não se dirigia somente à defesa da doutrina tradicional da Igreja: com humaníssima sensibilidade sabia confortar e aliviar sofrimentos.

A são Jerônimo, que do seu retiro de Belém lhe escrevera para confiar-lhe algumas aflições suas, o papa respondeu com carta paterna, mostrando que sabia não só reger o leme da barca de Pedro com mão firme, mas também possuir coração aberto à compreensão de tantos pequenos e grandes dramas individuais. Morreu em Roma no ano de 417, a 28 de julho, segundo o Liber pontificalis, e foi sepultado no cemitério de Ponciano na via Portuense.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

São Celestino I, papa

Os dez anos de pontificado de são Celestino I (10 de setembro de 422 — 27 de julho de 432), assinalaram período, embora breve, de grandes realizações. O sucessor de Bonifácio I era homem de grande energia e ao mesmo tempo de comovente liberalidade. Enquanto cuidava da reconstrução de Roma, ainda sentindo as consequências do terrível saque que sofreu em 410 pelo bárbaro Alarico, ele não perdia de vista os interesses espirituais de toda a cristandade. Defendia o direito de o papa receber apelos de qualquer cristão, leigo ou clérigo, e era solícito em responder a tudo e a todos. Ao papa era pedido sobretudo fixar normas às quais todo fiel devesse conformar o próprio comportamento.

Com essas respostas, conhecidas com o nome de Decretais, tomou forma o primeiro embrião do direito canônico. Escreveu cartas aos bispos da Ilíria, da Gália Narbonense e Vienense, da Púglia e da Calábria, para corrigir abusos, dissipar dúvidas doutrinais, combater heresias ou simplesmente para proibir aos bispos vestir cintos e mantos próprios dos monges. Teve cordial correspondência com o amigo bispo de Hipona, santo Agostinho, cuja doutrina defendeu calorosamente, na disputa antipelagiana, com palavras que consagraram definitivamente sua autoridade e santidade.

Nesta carta endereçada aos bispos da Gália, o papa afirmava que Agostinho sempre esteve em comunhão com a Igreja romana e o punha entre os mestres de maior autoridade na doutrina. Nela percebia-se não só a afetuosa solidariedade para com o amigo, mas também a clara visão que o santo pontífice tinha dos problemas de toda a comunidade eclesial. Nesta desenvolvia com evangélica evidência a tarefa de bom pastor, solícito pela sorte de cada um, ainda que fosse o herético Nestório, patriarca de Constantinopla, que o concílio de Éfeso, convocado pelo papa em 431, havia há pouco destituído e condenado. A 15 de março de 432 o papa Celestino dirigia aos padres conciliares, ao imperador, ao novo patriarca, ao clero e ao povo uma carta na qual exprimia a sua satisfação pelo triunfo da verdade e convidava todos à magnanimidade para com o derrotado.

É este o último documento do ativo pontífice. Morreu de fato a 27 de julho do mesmo ano e foi sepultado no cemitério de Priscila, numa capela ilustrada com os episódios do recente concílio de Éfeso, que proclamara solenemente a divina maternidade de Maria. No ano de 817, as relíquias do santo pontífice foram colocadas na basílica de santa Praxedes e parte delas parece terem sido transportadas para a catedral de Mântua.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Santos Joaquim e Ana, pais de Nossa Senhora

Na Sagrada Escritura conta-se que a mãe de Samuel, Ana, na aflição da esterilidade que lhe tirava o privilégio da maternidade, dirigiu-se com fervorosa oração ao Senhor e fez promessa de consagrar ao serviço de Deus o futuro filho. Obtida a graça, após ter dado à luz o pequeno Samuel, levou-o a Silo, onde estava guardada a arca da aliança e o confiou ao sacerdote Eli, após tê-lo oferecido ao Senhor. Tomando isso como ponto de partida o Proto-evangelho de Tiago, apócrifo do século II, traça a história de Joaquim e Ana, pais da Bem-aventurada Virgem Maria. A piedosa esposa de Joaquim, após longa esterilidade, obteve do Senhor o nascimento de Maria, que aos três anos levou ao Templo, deixando-a ao serviço divino, cumprindo o voto feito.

O fundamento histórico provável, embora na discordante literatura apócrifa, é de algum modo revestido de elementos secundá-rios, copiados da história da mãe de Samuel. Faltando no Evangelho qualquer menção dos pais de Nossa Senhora, não há outra fonte senão os apócrifos, nos quais não é impossível encontrar, entre os predominantes elementos fantásticos, alguma informação autêntica, recolhida por antigas tradições orais. O culto para com os santos pais da Bem-aventurada Virgem é muito antigo, entre os gregos sobretudo. No Oriente venerava-se santa Ana no século VI, e tal devoção estendeu-se lentamente por todo o Ocidente a partir do século X até atingir o seu máximo desenvolvimento no século XV. Em 1584 foi instituída a festividade de santa Ana, enquanto são Joaquim era deixado discretamente de lado, talvez pela própria discordância sobre o seu nome que se revela em outros escritos apócrifos, posteriores ao Protoevangelho de Tiago.

Além do nome de Joaquim, ao pai da Virgem Santíssima é dado o nome de Cléofas, de Sadoc e de Eli. Os dois santos eram comemorados separadamente: santa Ana a 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. Em 1584 também são Joaquim achou espaço no calendário litúrgico, primeiro a 20 de março, para passar ao domingo da oitava da Assunção em 1738, em seguida a 16 de agosto em 1913 e depois reunir-se com a santa esposa no novo calendário litúrgico, no dia 26 de julho. “Pelos frutos conhecereis a árvore”, disse Jesus no Evangelho. Nós conhecemos a flor e o fruto suavíssimo vindo da velha planta: a Virgem Imaculada, isenta do pecado de origem desde o primeiro instante de sua concepção, por privilégio único, para ser depois o tabernáculo vivo do Deus feito homem. Pela santidade do fruto, Maria, deduzimos a santidade dos pais, Ana e Joaquim.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

São Tiago, apóstolo

Tiago (o Maior), filho de Zebedeu e de Salomé, irmão mais velho do evangelista João, aparece entre os seguidores de Jesus desde o começo da pregação do Messias. Os dois irmãos estavam na margem do lago de Genesaré, quando Jesus os chamou. A resposta foi pronta e total: “eles, abandonando o barco e seu pai, o seguiram”. Também neste particular se revela sua índole forte e ardente, pela qual tiveram de Jesus o apelido, entre elogio e reprovação, de “filhos do trovão”. Seu comportamento posterior confirma isso, pelo menos em duas ocasiões: a primeira vez diante do comportamento hostil dos samaritanos, que negaram hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos: “Senhor — disseram Tiago e João — devemos invocar o fogo do céu para que os devore?”. Mais tarde, na última viagem a Jerusalém, ambos ousaram fazer aquele presunçoso pedido de sentar-se um à direita e outro à esquerda do Cristo triunfante.

Em ambos os casos demonstram não terem entendido as lições de amor e de humildade do Mestre. Todavia são generosos quando se trata de arrojar-se à luta. À pergunta de Jesus: “Podeis vós beber o cálice?”, Tiago foi o primeiro a responder: “Podemos”. Jesus colocou-o contra a parede e Tiago respeitou pontualmente a palavra dada. Após o dia de Pentecostes, no qual viera não o fogo destruidor do castigo, mas o fogo vivificante do amor, também Tiago como os outros apóstolos foi vítima da perseguição movida pelas autoridades judaicas: foi jogado no cárcere e flagelado, “alegrando-se muito, por ter sido digno de sofrer torturas pelo nome de Jesus” (como se lê nos Atos dos Apóstolos). Houve segunda perseguição, da qual foi vítima ilustre o diácono santo Estêvão, e houve uma terceira, mais cruel que as precedentes, desencadeada por Herodes Agripa para agradar aos judeus.

Este Herodes (mostrando-se digno do nome do tio, o assassino de João Batista, e do avô Herodes, dito o Grande, que tentou matar Jesus logo que nasceu), por simples cálculo político, durante as festas pascais de 42 “começou a perseguir alguns membros da Igreja, mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro”. Segundo tradição, não anterior ao século VI, o apóstolo Tiago teria sido o primeiro evangelizador da Espanha. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro de Iria afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, Iria, que tomou o nome de Compostela, tornou-se a meta preferida de todos os peregrinos da Europa.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Santa Cristina, mártir

Do culto da jovem mártir Cristina, padroeira de Bolsena, são numerosos os testemunhos históricos. Pelas descobertas arqueológicas do século passado conclui-se que em Bolsena desde o século IV era venerada uma santa Cristina, e junto ao seu sepulcro surgiu um cemitério subterrâneo. Os testemunhos iconográficos são abundantes: a santa aparece entre as virgens mártires dos mosaicos da igreja de santo Apolinário de Ravena do século VI. De João Della Robbia a Lucas Signorelli, de Paulo Veronese a Lucas Cranach, são numerosos os artistas que se inspiraram em episódios narrados na sua Paixão, com riquezas de detalhes, que confirmam em grande parte as Atas dos mais célebres mártires.

Desta Paixão existem redações em latim e em grego, que discordam quanto à cidade de proveniência da mártir. As redações gregas dizem ser Tiro da Fenícia e as latinas indicam Bolsena. O fabuloso conto da sua Paixão, que pela idade tardia (não anterior ao século IX), entra no número das lendas hagiográficas de pouco valor histórico, narra que uma jovem de onze anos, de nome Cristina, de extraordinária beleza foi segregada pelo pai, Urbano, oficial do imperador, numa torre, em companhia de doze servas.

Com esta atitude o pai queria obrigar a filha, cristã, a abjurar a fé e subtraí-la às leis da perseguição. Mas a menina despedaçou as preciosas estatuetas dos deuses, que o pai pusera no seu quarto, e deu os metais aos pobres. O pai passou então da delicadeza às percussões: fê-la flagelar e fechá-la num cárcere. Como Cristina persistisse na sua profissão de fé, Urbano a entregou aos juízes que lhe infligiram vários e terríveis suplícios. No cárcere, onde foi jogada desmaiada e coberta de feridas, foi consolada e curada por três anjos. Como também este castigo falhasse, passou-se à solução final: amarraram-lhe uma pesada pedra ao pescoço, jogaram-na ao lago, mas a pedra, sustentada pelos anjos, ficou boiando e levou a menina à margem.

O desnaturado pai foi punido por Deus com a morte; mas as torturas de Cristina não acabaram. Os juízes se enfureceram contra ela condenando-a, com bárbara perseverança, às mais terríveis e ineficazes torturas, como a grade de ferro quente, a fornalha superaquecida, a mordida de cobras venenosas, o corte dos seios, enfim não tendo mais o que inventar truncaram aquela jovem existência com duas lançadas, transplantando aquela flor incontaminada para os jardins do paraíso.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Santa Brígida, religiosa

Brígida, ou Brigite, nasceu em Finstad perto de Úpsala, na Suécia, em 1303 e morreu em Roma em 23 de julho de 1373, e é por isso contemporânea de santa Catarina de Sena. Elas têm em comum não só singulares dons carismáticos, como êxtases e visões, mas também vivo interesse pela paz entre os Estados e pela unidade dos cristãos. As revelações que Brígida teve durante os frequentes êxtases, foram por ela escritas em sueco e depois traduzidas em latim, formando oito grandes volumes. Esta extraordinária figura de mulher casara-se com menos de 18 anos com o nobre Ulf Gudmarsson, do qual teve oito filhos.

Passou algum tempo na corte como dama da rainha Bianca de Namur, mantendo-se fiel à rígida educação cristã que lhe fora dada por tia austera. Com sua operosa caridade para com os necessitados levou à corte uma onda de fervor. Depois o marido, Ulf, após tê-la acompanhado em peregrinação ao célebre santuário de Compostela, na Espanha, foi fechar-se no mosteiro cisterciense de Alvastra, onde já vivia um filho deles, concluíndo aí sua santa vida em 1344. Brígida seguiu então o exemplo do marido e do filho, abraçando o ideal monástico.

A nova orientação dada à sua vida serviu para traduzir em ato a grande ideia desde há muito alimentada: a fundação em Vadstena de ordem religiosa que trouxesse o nome do Santíssimo Salvador e fosse estruturada sobre plano de todo original: o mosteiro duplo, de homens e de mulheres, que teriam um único ponto de encontro na igreja para a oração em comum. Sobre o exemplo da comunidade apostólica (72 discípulos e doze apóstolos mais são Paulo), as várias comunidades da Ordem, postas sob a regra de santo Agostinho se-riam compostas de 85 membros: 60 monjas, 13 monges, 4 diáconos e 8 irmãos leigos.

O projeto da fundadora teve o apoio do rei da Suécia e se concretizou em 78 mosteiros em toda a Europa. A Ordem, aprovada pelo papa Urbano V e dirigida de Roma pela santa fundadora, que em 1349 mudara-se para a praça Farnese, no lugar onde surgiria depois a igreja a ela dedicada, teve sua maior expansão depois da morte de santa Brígida, sob a direção de sua própria filha, santa Catarina. Brígida da Suécia foi canonizada em 1391, 18 anos após a morte.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Santa Maria Madalena

A Igreja latina costumava celebrar juntas na sua liturgia as três mulheres de que fala o Evangelho, e a liturgia grega comemora separadamente: Maria de Betânia, irmã de Lázaro e de Marta; Maria denominada pecadora “a quem muito foi perdoado porque muito amou”; e Maria Madalena ou de Magdala, a possessa curada por Jesus, que o seguiu e o assistiu com as outras mulheres até a crucifixão e teve o privilégio de vê-lo ressuscitado. A identificação das três mulheres foi facilitada pelo nome comum ao menos a duas delas e pela opinião de são Gregório Magno que viu indicada em todas as passagens do Evangelho uma única e mesma pessoa.

Os redatores do novo calendário, reconfirmando a memória de uma só Maria Madalena sem outra indicação, com o adjetivo penitente, entenderam a santa mulher a quem Jesus apareceu após a ressurreição. No capítulo VII de Lucas, após haver descrito a unção da pecadora que aparece de repente na sala do banquete e derrama nos pés de Jesus perfumados unguentos que depois enxuga com os próprios cabelos, prossegue assim o Evangelho: “Depois disso ele andava por cidades e aldeias… Os doze o acompanhavam, assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças, Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios, Joana… e várias outras, que os serviam com seus bens”.

A desconhecida pecadora, que pela contrição perfeita mereceu o perdão dos pecados, não é a Madalena, bem conhecida, que segue constantemente o Mestre da Galileia à Judeia, até aos pés da cruz, cujo ardente amor Jesus recompensa no dia da ressurreição. Ela está inconfundivelmente “junto à cruz de Jesus”, depois em vigília amorosa “sentada em frente do sepulcro”, enfim, na madrugada do novo dia é a primeira a ir de novo ao sepulcro, onde vê e reconhece o Cristo ressuscitado. À Madalena, em lágrimas por ter encontrado o sepulcro vazio e retirada a pesada pedra, Jesus se dirige chamando-a simplesmente pelo nome: “Maria!” e a ela confia a notícia do grande mistério: “Vai dizer aos meus irmãos: eu subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus”. É esta a Madalena que a Igreja hoje comemora e que, segundo antiga tradição grega, teria ido viver em Éfeso, onde teria morrido. Nesta cidade moravam também João, o apóstolo predileto, e Maria, Mãe de Jesus.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

São Lourenço de Brindes, presbítero

Normalmente, os assim chamados meninos prodígios, resplandecem como luzentes meteoros por alguns instantes e o crescimento da idade os nivela à mesma altura da massa comum dos mortais. São poucas as exceções, entre as quais o santo que hoje comemoramos. Seu nome no cartório era Júlio César Russo, nascido em Brindes em 1559. Com esse nome ambicioso os pais talvez esperassem criar na família um imitador do grande líder romano. Aquele pequeno Júlio César teria correspondido mais tarde a esse desígnio, e o encontramos em primeira linha para impedir o avanço do exército turco, que já invadira a Hungria e marchava para o coração da Europa cristã. Mas não brandia a espada, e sim uma cruz de madeira, na qualidade de capelão, ou como se dizia então, o conselheiro do chefe do exército romano, Filipe Emanuel de Lorena.

Porém, já desde os seis anos ele enchia de orgulho os corações dos pais pela extraordinária facilidade em aprender de cor páginas inteiras de livros, que depois declamava em público, até do púlpito da catedral. As costas da península eram seguidamente castigadas por sarracenos, sobretudo na Púglia, nas proximidades da Albânia. A família dos Russo, como tantas outras, vivia no terror de horríveis surpresas; por isso a mãe de Júlio César, assim que ficou viúva, pensou logo em arrumar as malas e se mudar para Veneza, para confiar seu filho de 14 anos aos cuidados de um tio. Dois anos após o jovem entrava no convento dos frades menores conventuais, para passar pouco depois aos capuchinhos de Verona, entre os quais emitiu os votos religiosos com o nome de frei Lourenço de Brindes, completando sua formação na universidade de Pádua.

Sua vasta erudição aliada ao extraordinário conhecimento das línguas, entre as quais o grego e o hebraico, obtiveram-lhe muitos encargos na sua Ordem e da parte do papa. Foi provincial da Toscana, de Veneza, de Gênova, da Suíça, comissário no Tirol e na Baviera. Foi sobretudo grande animador de todos os que combatiam contra a ameaça dos turcos e aplaudido pregador da ortodoxia católica contra a reforma protestante. A serviço do papa Paulo V, foi embaixador de paz junto aos príncipes e reis em discórdia. A morte o colheu de fato durante a sua segunda viagem à península ibérica. Morreu a 22 de julho de 1619 em Lisboa e foi sepultado em Vilafranca del Bierzo. Incluído no catálogo dos santos em 1881, teve o título de doutor da Igreja (doutor apostólico) em 1959 pelo papa João XXIII.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Elias e Eliseu, profetas

Elias, com Eliseu e Samuel, é um dos maiores profetas de ação (para distinguir dos profetas escritores como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel), e sua missão foi a de conclamar o povo à fidelidade ao único Deus verdadeiro, sem se deixar influenciar pelo culto da idolatria e da licenciosidade de Canaã. Elias, cujo nome significa meu Deus é Javé, nasceu pelos fins do século X a.C. e desenvolveu grande parte da sua missão sob o reino do fraco Acab (873-854), dócil instrumento nas mãos da briguenta esposa, Jezabel, de origem fenícia, que tinha primeiro favorecido e depois imposto o culto a Baal.

Quando parecia que o monoteísmo estava sufocado e a maioria do povo havia abraçado a idolatria, Elias se apresentou diante do rei Acab, para anunciar-lhe, como castigo, três anos de seca. Sobrevindo o flagelo na Palestina, Elias voltou ao rei e para demonstrar a inanidade dos ídolos lançou um desafio no monte Carmelo contra os quatrocentos profetas de Baal. Quando só no altar erguido por Elias acendeu-se prodigiosamente a labareda, e a água desceu pondo fim à seca, o povo, explodindo de alegria, linchou os sacerdotes idólatras. Elias acreditou que houvesse chegado a hora de Javé, e por isso tanto mais dolorosa e incompreensível lhe pareceu a necessidade de ter de fugir para escapar da ira da enfurecida Jezabel.

Perseguido no deserto como animal de caça, o enérgico e intransigente profeta pareceu ter um instante de indecisão, por causa do desconforto. O seu trabalho, sua própria vida pareceram-lhe inúteis e pediu a Deus que rompesse o fio que o tinha ainda atado à terra. Mas um anjo o confortou trazendo-lhe pão e uma vasilha de água; depois Deus mesmo lhe apareceu restituindo-lhe a indomável coragem de um tempo. Elias compreendeu que Deus não propicia o triunfo do bem com gestos espetaculares, mas age com longanimidade e paciência, pois é eterno e domina o tempo.

O bravo profeta, que vestia um manto de pele sobre grosseiro avental, amarrado na cintura, como oito séculos mais tarde vestiu o precursor de Cristo, João Batista, de quem é a figura, voltou com renovado zelo para o meio do povo de Deus, mas não assistiu ao pleno triunfo de Javé. A obra de reedificação espiritual, tão trabalhosamente iniciada, foi levada à frente com total sucesso pelo seu discípulo Eliseu, ao qual comunicou a vocação divina enquanto este se encontrava no campo atrás do arado, jogando-lhe nas costas seu manto. Eliseu foi também a única testemunha do misterioso fim de Elias, ocorrido pelo ano 850 a.C. num carro de fogo.

O continuador da obra de Elias era rico proprietário, originário de Abelmeúla. O seu nome Eliseu (Deus salva) corresponde bem à natureza de sua missão desenvolvida entre o povo de Israel, sob o reinado de Jorão (853-842), Jeú (842-815) e Joacaz (814-798). Eliseu era homem decidido e isso transparece na prontidão com que respondeu ao gesto simbólico de Elias, que por ordem de Javé, o consagrava profeta e seu sucessor (1Rs 19,19-21).

Antes do desaparecimento de Elias num turbilhão de fogo, Eliseu pediu-lhe: “Peço me seja concedido porção dobrada do teu espírito”. E o pedido foi ouvido. Eliseu foi o maior taumaturgo entre os profetas. Morreu no ano 790 e foi sepultado perto de Samaria. Sua memória é no dia 14 de junho.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

Categorias
Santo do dia

Santo Arsênio, eremita

Na Igreja primitiva as fraquezas humanas eram combatidas com disciplina muito rigorosa. Em tempos de perseguições o ideal era representado pela morte por Cristo, com o martírio. Depois, a começar do século IV, procurava-se outra morte: a renúncia ao mundo e a solidão do deserto. A vida eremítica, que tem em santo Antão abade o exemplo mais imitado e mais popular, graças também à biografia escrita por santo Atanásio, constitui por muitos anos o refúgio preferido destes simpáticos anárquicos do espírito. Inicialmente eram autônomos como os primeiros pioneiros do West americano, depois organizaram-se por uma Regra ascética, que fixava tempos de jejum e de oração na vida parcialmente comunitária, que mitigava a rígida separação até dos próprios semelhantes.

Muitos cristãos empreendiam longas e desconfortáveis peregrinações para ter colóquio com um destes anacoretas iluminados, entre os quais está precisamente santo Arsênio, eremita no Egito e um dos mais célebres pais do deserto. O santo anacoreta, porém, não gostava de interromper a rígida observância do silêncio nem com um peregrino que viesse de longe. E quando não podia subtrair-se a estas visitas de obrigação, as suas raras e monossilábicas respostas desencorajavam até o mais devoto dos interlocutores, a tal ponto que ele se retirava mais desconcertado que edificado. Arsênio nascera em Roma, no ano 354 mais ou menos, de nobre família de senadores. Uma antiga tradição diz que ele foi ordenado diácono pelo próprio papa Dâmaso.

Em 383 o imperador Teodósio o quis em Constantinopla para confiar-lhe a educação dos filhos Arcádio e Honório. Aí ficou 11 anos, até 394, quando depois de profunda crise espiritual obteve a exoneração daquele cargo para se retirar para o deserto egípcio. Pedindo a Deus um caminho seguro para a salvação, uma voz misteriosa ter-lhe-ia respondido: “Fuja dos homens”. Arsênio, então com quarenta anos, seguiu à risca o conselho: desembarcando em Alexandria, ajuntou-se à comunidade dos anacoretas de Scete, em pleno deserto. Concedendo a si pouquíssimo sono, passava noites inteiras em oração e meditação: oração feita mais com lágrimas que com palavras, pois recebeu de Deus o dom das lágrimas.

De 434 a 450, que se presume tenha sido o ano de sua morte, Arsênio teve de viver longe da tranquila Scete, invadida por tribo líbica. Morreu em Troe, perto de Mênfis. Dele, além de uma crônica histórica e sábias máximas, referidas por Daniel de Pharan, amigo de dois discípulos de Arsênio, chegou-nos até um retrato, em que aparece com boa aparência, majestosamente alto e esbelto.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS