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Santo do dia

Santa Isabel de Portugal

Isabel, filha do rei de Aragão e esposa do rei de Portugal, parece uma das criaturas irreais como as protagonistas de certos romances. Nas pompas do reino, entre os luxuosos vestidos das damas, as intrigas da corte, os ciúmes, as infidelidades, os ódios, as rivalidades amorosas, os adultérios, os arrependimentos, desenrola-se o drama de autêntica heroína da santidade feita de amor, perdão, lágrimas escondidas, silêncio magnânimo. Isabel nasceu na Espanha em 1271. Entre seus antepassados existem santos, reis e imperadores.

Seu pai, Pedro II, rei de Aragão, quando nasceu a filha Isabel, era ainda jovem príncipe, com enorme vontade de se divertir. Assim deixou que fosse o avô Tiago I, convertido à vida devota, a ocupar-se da educação da netinha. No leito de morte, acariciando a menina de seis anos, o velho predisse que ela se tornaria a pedra preciosa da casa de Aragão. A profecia se realizou. Apenas com doze anos, Isabel foi pedida em casamento por três príncipes. Os pais escolheram-lhe o mais próximo, D. Dinis, herdeiro do trono de Portugal, que colocou na cabeça da jovem esposa o diadema de rainha, e nos seus ombros a pesada cruz de convivência de mártir.

Isabel deu ao rei dois filhos: Constância, futura rainha de Castela, e Afonso, herdeiro do trono de Portugal. As numerosas aventuras extraconjugais do marido humilhavam-na profundamente. Mas Isabel mostrava-se magnânima no perdão, criando com os seus também os filhos ilegítimos de Dinis, aos quais reservava igual afeto. Dinis, por sua vez, deu-se a sentimentos de ciúme a ponto de dar crédito às calúnias e insinuações de um cortesão. Mas a inocência de Isabel triunfou.

Entre seus familiares, constantemente em luta, desempenhou obra de pacificadora, merecendo justamente o apelido de anjo da paz. Morto o marido, não podendo vestir o hábito das clarissas e professar os votos no mosteiro que ela mesma fundara, fez-se terciária franciscana, após ter deposto a coroa real no san-tuário de são Tiago de Compostela e haver dado seus bens pessoais aos necessitados. Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, dedicada aos exercícios de piedade e de mortificações. A quem lhe recomendava um pouco de moderação nas penitências cotidianas que se impunha, respondia: “Onde, se não na corte, são mais necessárias as mortificações? Aqui os perigos são maiores”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Tomé, apóstolo

O apóstolo Tomé, a quem obstinadamente fazemos a injustiça de chamá-lo incrédulo, se despede do Evangelho com breve e alto grito de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João, havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus. Ao titubeante e sofredor Tomé e à sua necessidade interior de clareza devemos as confortáveis palavras de Cristo, epílogo do Evangelho e ponto de força para os futuros crentes: “Porque me viste, Tomé, creste. Felizes os que não viram e creram”. A incredulidade de Tomé, como as negações de Pedro, foram as consequências do amor e da dor, e por isso foram transformadas em bênçãos e sustento da fraqueza humana pela misericórdia de Deus.

Tomé entra no Evangelho quase inobservado. As primeiras palavras que pronuncia são de desconforto. Marta e Maria haviam suplicado a Jesus que fosse à cabeceira de Lázaro, mas voltar novamente à Judeia, após as ameaças feitas pelos inimigos, era expor-se a grande perigo. Jesus, porém, diante das objeções dos apóstolos, mostrou-se decidido e foi aí que Tomé exclamou aflito: “Vamos também nós e morramos com ele!”. A segunda intervenção de Tomé deixa transparecer também melancolia. Jesus reunira os discípulos no cenáculo e preparava-os para os grandes acontecimentos de que seriam protagonistas. Suas palavras têm o tom de despedida: “Para onde eu vou vós sabeis e sabeis também o caminho”. Todos calam, tomados pela emoção; só Tomé ousa objetar: “Senhor, nós não sabemos para onde vais, e como poderemos conhecer o caminho?”. A resposta de Jesus é outro presente, que introduz a Tomé e também a nós no âmago do mistério trinitário. Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conheceis, conhecerão também meu Pai. Desde este momento vós o conheceis”.

Tomé, que mais do que qualquer outro precisa da Páscoa para ter resposta definitiva às suas interrogações, provocou, com sua ausência da comunidade dos apóstolos visitada por Jesus ressuscitado, outro providencial incidente: “Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser o meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei”. E Jesus pode responder: “Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!… Não sejas incrédulo, crê!”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Bernardino Realino, presbítero

A cidade de Lecce teve um privilégio: o de haver eleito o próprio santo protetor não só antes que fosse proclamado santo oficialmente pela Igreja, mas até mesmo antes que o protetor em questão deixasse esta vida. De fato, antes que o piedoso jesuíta Bernardino Realino morresse, o conselho municipal de Lecce foi à cabeceira do moribundo para pedir-lhe aceitar oficialmente a proteção da cidade. Provavelmente os cidadãos de Lecce, que tiveram a sorte de hospedar um santo homem procurado por discípulos de todas as partes da Itália, temiam que a proteção do futuro santo fosse reclamada pela cidade de Capri, onde Bernardino Realino nascera a 1º de dezembro de 1530.

Nos seus anos de juventude Bernardino colheu lisonjeiros sucessos literários, frutos de vivo amor aos estudos humanísticos, iniciados entre as paredes domésticas, sob a guia de bons preceptores, e prosseguidos primeiro em Módena, na Academia, depois na universidade de Bolonha, onde frequentou por três anos os cursos de filosofia e medicina, para passar depois aos de direito civil e eclesiástico nos quais se doutorou em 1556. Pela brilhante carreira administrativa empreendida sob a proteção do governador de Milão, a quem seu pai prestava serviço, Bernardino Realino pode ser invocado como protetor de certas categorias de cidadãos, que julgam poder contar com poucos santos: Bernardino foi de fato prefeito em Felizzano de Monferrato (para garantir a imparcialidade na administração da cidade, o prefeito era importado de outras regiões), foi advogado fiscal em Alexandria, em seguida de novo prefeito de Cassine, depois pretor em Castel Leone, e por fim desceu a Nápoles na qualidade de auditor e lugar-tenente geral.

As imagens devocionais do santo no-lo representam recebendo o Menino Jesus nos braços. Foi de fato após a aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus que Bernardino abandonou a brilhante carreira administrativa para abraçar a Companhia de Jesus, em 1564; três anos depois recebeu a ordenação sacerdotal e foi nomeado diretor espiritual e mestre dos noviços. Enviado a Lecce em 1574 para a fundação de um colégio, permaneceu nesta cidade até a morte, ocorrida a 2 de julho de 1616. Eleito, como dissemos no começo, protetor da cidade antes da morte, foi beatificado em 1895 por Leão XIII e canonizado por Pio XII a 22 de junho de 1947, e proposto como exemplo de educador.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Aarão

O perfil de Aarão já foi magistralmente traçado pela Bíblia, que por outra parte é a única fonte para sua biografia. Além do amplo e articulado desenvolvimento dos cinco primeiros livros da Sagrada Escritura (o Pentateuco) há dois trechos na carta aos hebreus e no livro do Eclesiástico. A carta aos hebreus refere-se diretamente ao sacerdote Aarão no início do quinto capítulo, quando começa a reflexão sobre o significado e extensão do sacerdócio de Cristo: “Porquanto, todo sumo sacerdote, tirado do meio dos homens, é constituído em favor dos homens em suas relações com Deus. A sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. É capaz de ter compreensão pelos que ignoram e erram, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Pelo que deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo como pelos seus próprios. Ninguém, pois, se atribua esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,1-4).

O livro do Eclesiástico enaltece a figura de Aarão inserindo-o nos primeiros lugares na galeria de homens ilustres, aos quais Jesus Ben Sirac dá importância singular. Na exaltação destes nossos antepassados por geração, de fato, o Autor sagrado pode sublinhar os aspectos que lhe parecem mais significativos para o entendimento da aliança que Deus empreendeu com seu povo. E o sacerdócio de Aarão (e dos seus sucessores, até o contemporâneo Simeão) é dos mais qualificados.

Irmão carnal de Moisés, foi glória para Aarão a de ser colaborador privilegiado (embora um tanto ciumento) do grande líder carismático que Deus enviou ao seu povo escravo no Egito para guiá-lo à terra prometida. “Exaltou (Deus) seu irmão Aarão, semelhante a ele da tribo de Levi. Fez com ele aliança eterna. Deu-lhe o sacerdócio do seu povo. E cumulou-o de felicidade e de glória”. O elogio prossegue com a descrição pormenorizada dos magníficos paramentos vestidos por Aarão no exercício do seu ministério. Honrou-o com esplêndidos ornamentos e veste de glória. “Moisés o consagrou e ungiu-o com o óleo santo. Constituiu uma aliança perene com ele e com seus descendentes, enquanto durar o céu: a de presidir o culto e exercer o sacerdócio e abençoar o povo em nome do Senhor”. Homem frágil e pecador, como todos, Aarão é todavia o modelo de colaboração com Deus para a realização de seu desígnio de amor.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Santos Protomártires da Igreja de Roma

A atual celebração introduzida pelo novo calendário romano universal se refere aos protomártires da Igreja de Roma, vítimas da perseguição de Nero, em seguida ao incêndio de Roma, ocorrido a 19 de julho de 64. Por que Nero perseguiu os cristãos? Diz-nos Cornélio Tácito no XV livro dos Anais: “Como circulavam vozes que o incêndio de Roma tivesse sido fraudulento, Nero apresentou como culpados, punindo-os com penas excepcionais, os que, odiados por suas abominações, eram chamados pelo vulgo cristãos”.

Nos tempos de Nero, em Roma, ao lado da comunidade judaica, vivia a pequena e pacífica comunidade dos cristãos. Sobre estes, pouco conhecidos, circulavam notícias caluniosas. Nero descarregou sobre eles, condenando-os a cruéis sacrifícios, as acusações feitas a ele. Por outro lado as ideias professadas pelos cristãos eram desafio aberto aos deuses pagãos, ciumentos e vingativos. “Os pagãos — lembrará mais tarde o escritor Tertuliano — atribuem aos cristãos toda sorte de calamidade pública, todo flagelo. Se as águas do Tibre saem do leito e invadem a cidade, se ao contrário as águas do Nilo não crescem para inundar os campos, se houver seca, carestia, peste, terremoto, é tudo culpa dos cristãos, que desprezam os deuses, e de todos os lados se grita: os cristãos aos leões!”

Nero teve a responsabilidade de haver dado início à absurda hostilidade do povo romano, que na verdade era muito tolerante em matéria de religião, em relação aos cristãos: a ferocidade com a qual atingiu os presumíveis incendiários não encontra justificação nem no supremo interesse do império. Episódios horrendos como os das tochas humanas, cobertas de piche e incendiadas nos jardins da colina Oppio, ou como o de mulheres e crianças vestidas com peles de animais e abandonadas à mercê dos animais ferozes no circo, foram tais que chegaram a produzir sentimento de piedade e de horror no povo romano. “Então — escreve ainda Tácito — manifestou-se um sentimento de piedade, ainda que se tratasse de gente merecedora dos mais exemplares castigos, porque se via que eram eliminados não pelo bem público, mas para satisfazer a crueldade de um indivíduo”, Nero. A perseguição não se limitou àquele verão fatal de 64, mas se prolongou até 67.

Entre os mais ilustres mártires está o príncipe dos apóstolos, crucificado no circo de Nero, onde surgiu a basílica de são Pedro, e o apóstolo dos gentios, são Paulo, decapitado nas Águas Salvianas e sepultado na via Ostiense. Após a festividade conjunta dos dois apóstolos, o novo calendário quis justamente celebrar a memória dos numerosos mártires que não tiveram um lugar especial na liturgia.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Santos Pedro e Paulo, apóstolos e mártires

A festa, ou melhor, a solenidade dos santos Pedro e Paulo é das mais antigas e mais solenes do ano litúrgico. Foi inserida no santoral muito antes da festa do Natal e havia desde o século IV o costume de celebrar neste dia três missas. A primeira na basílica de são Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de são Paulo fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de são Sebastião, onde as relíquias dos dois apóstolos tiveram de ser escondidas por algum tempo para subtraí-las à profanação. Há um eco deste costume no fato de que além da Missa do dia é previsto um formulário para a Missa vespertina da vigília. Depois da Virgem Santíssima, são precisamente são Pedro e são Paulo, juntamente com são João Batista, os santos comemorados mais frequentemente e com maior solenidade no ano litúrgico: além da festa do dia 29 de junho há de fato o dia 25 de janeiro (conversão de são Paulo), 22 de fevereiro (cátedra de são Pedro) e 18 de novembro (dedicação das basílicas dos santos Pedro e Paulo).

Por muito tempo se pensou que 29 de junho fosse o dia em que, no ano de 67, são Pedro na colina Vaticana e são Paulo na localidade agora denominada Três Fontes testemunharam sua fidelidade a Cristo com o derramamento do sangue. Na realidade, embora o fato do martírio seja um dado histórico incontestável, e está além disso provado que isto aconteceu em Roma durante a perseguição de Nero, é incerto não só o dia, mas até o ano da morte dos dois apóstolos. Enquanto para são Paulo existe certa concordância entre testemunhas antigas indicando o ano 67, para são Pedro há muitas discordâncias, e os estudiosos parecem preferir agora o ano 64, ano em que, como atesta também o historiador pagão Tácito, “uma enorme multidão” de cristãos pereceu na perseguição que se seguiu ao incêndio de Roma.

Parece também que a festa do dia 29 de junho tenha sido a cristianização de celebração pagã que exaltava as figuras de Rômulo e Remo, os dois mitos fundadores da Cidade Eterna. São Pedro e são Paulo, de fato, embora não tenham sido os primeiros a trazer a fé a Roma, foram realmente os fundadores da Roma cristã: um antigo hino litúrgico definia-os como pais de Roma; um dos hinos do novo breviário fala de Roma que foi “fundada em tal sangue”. A palavra e o sangue são a semente com que os santos Pedro e Paulo, unidos com Cristo, geraram e geram a Roma cristã e a Igreja inteira.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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Natividade de são João Batista

João, chamado o batizador, é filho de Zacarias e de Isabel, ambos de estirpe sacerdotal. Sabemos pelas palavras do anjo Gabriel, que João (cujo nome significa “Deus é propício”) foi concedido aos dois cônjuges em idade avançada. Já vaticinado na Escritura como o precursor do Messias, João encarna o caráter forte de Elias. A sua missão de fato será semelhante “no espírito e no poder” àquela do profeta Elias, enviado para preparar “um povo perfeito” para o advento do Messias. A criança que vai nascer percebe a presença de Jesus “estremecendo de alegria” no ventre materno por ocasião da visita de Maria à prima Isabel. Enviado por Deus para “endireitar os caminhos do Senhor”, foi santificado pela graça divina antes mesmo que seus olhos se abrissem à luz. “Eis — diz Isabel, repleta do Espírito Santo, a Maria — quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre”.

Conforme a cronologia sugerida pelo anjo Gabriel (este é o sexto mês para Isabel), o nascimento do precursor foi fixado pela Igreja latina três meses após a Anunciação e seis meses antes do Natal. A celebração da Natividade do Batista é, com a do nascimento de Jesus e de Maria, a única festa litúrgica que a Igreja dedica ao nascimento de um santo. São João Batista é o primeiro santo venerado na Igreja universal com festa litúrgica particular, em data antiquíssima. Santo Agostinho nos diz que o santo era comemorado a 24 de junho na Igreja africana.

Igualmente antiga é a celebração da vigília do santo, conhecida já pelo Sacramentário Leonino, suprimida somente pelo novo calendário. Isso atesta o grande interesse que em todas as épocas sus-citou este austero profeta, definido pelo próprio Cristo como “o maior entre os nascidos de mulher”.

Na história da Redenção, João Batista está entre as personalidades mais singulares: é o último profeta e o primeiro apóstolo, enquanto precede o Messias e lhe dá testemunho. “É mais que profeta — disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti”. Castigador da hipocrisia e da imoralidade, pagou com o martírio o rigor moral que ele não só pregava, mas punha em prática, sem ceder também diante da ameaça de morte. A 29 de agosto a Igreja lembra, com uma segunda comemoração litúrgica, o martírio do Batista, protótipo do monge e do missionário.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São José Cafasso, presbítero

Os turinenses chamavam-no “o padre da forca”, com uma mistura de admiração e de compaixão, porque em toda execução capital ao lado do condenado estava sempre o padre José Cafasso, padreco magro, encurvado não pelos anos (morreu aos 49 anos em 1860), mas pelo desvio da espinha dorsal que o obrigava a estar inclinado também nas poucas horas do dia em que passava fora do confessionário. Padre José de fato dedicava grande parte do seu ministério sacerdotal ouvindo confissões e confidências de todos os que frequentavam a sua igreja, atraídos pelas grandes qualidades humanas de inteligência e de bondade daquele pequeno padre que compreendia os problemas de todos e sabia falar tanto aos doutos como aos simples, às almas devotas como às dissipadas. Declarado santo em 1947, foi declarado o patrono dos encarcerados e dos condenados à pena capital, pois durante a vida fizera do cárcere o lugar preferido para o seu apostolado sacerdotal.

Nascido em Castelnuovo d’Asti, quatro anos antes do con-terrâneo João Bosco: em 1811, José Cafasso era por temperamento o oposto do apóstolo dos jovens: reflexivo, manso, estudioso, gostava de dedicar várias horas à meditação diante do Santíssimo Sacramento nos breves períodos de férias que passava na sua cidade, durante os anos de seminário. João Bosco, com amáveis gozações, chamava-o de “senhor abade”, e convidava-o a assistir aos inocentes espetáculos da festa do padroeiro. “Os espetáculos do padre — respondia-lhe o clérigo Cafasso — são as funções religiosas”. Mas os dois estavam destinados a encontrar-se e compreender-se profundamente.

José Cafasso, ordenado padre aos 22 anos, frequentou o curso de teologia em Turim, na escola do teólogo Guala, de quem herdou a cátedra pouco depois e teve como aluno João Bosco. O jovem conterrâneo pôs a duras provas a enorme paciência do mestre quando encheu a casa onde ele era o reitor de barulhentos meninos, recolhidos de todas as partes da periferia da cidade. Quando Dom Bosco retirou a garotada, certamente não por causa de alguma indireta do santo reitor, ele a levou para morar em Valdocco. O padre José Cafasso esteve constantemente ao seu lado, também com alguma ajuda financeira, e antes de morrer deu todo aquele pouco que possuía a João Bosco e ao Cottolengo.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Paulino de Nola, bispo

“Os corações devotados a Cristo rejeitam as Musas e estão fechados para Apolo”, assim escrevia Paulino ao mestre Décimo Magno Ausônio, que o tinha iniciado na arte da retórica e da poética. Paulino era jovem de temperamento artístico. Descendia de rica família patrícia romana (nasceu em 355 em Bordeaux, onde o pai era funcionário imperial) e, favorecido na carreira política por grandes amizades locais, tornou-se cônsul substituto e governador da Campânia. Teve também a felicidade de encontrar o bispo Ambrósio de Milão e o jovem Agostinho de Hipona, pelos quais foi encaminhado para a conversão a Cristo. Recebeu o batismo aos vinte e cinco anos. Durante uma viagem à Espanha conheceu e desposou Teresa.

Após a morte prematura do único filhinho, Celso, decidiram de comum acordo dedicar-se inteiramente à ascese cristã, conforme o modelo de vida monacal em moda no Oriente. Assim, de comum acordo desvencilharam-se das grandes riquezas que pos-suíam, distribuindo-as em vários lugares aos pobres, e se retiraram para a Catalunha a fim de dar início a uma experiência ascética original. Paulino já era quarentão batido. Muito conhecido e admirado na alta sociedade, era querido também pelo povo, que com grande alarido pediu ao bispo de Barcelona que o ordenasse sacerdote.

Paulino aceitou com a condição de não ficar inscrito entre o clero daquela região. Não aceitou também o convite de Ambrósio que o queria em Milão. Paulino acariciava sempre o ideal monástico de vida devota e solitária. De fato foi logo para a Campânia, em Nola, onde a família possuía o túmulo de um mártir, são Félix. Deu início à construção de um santuário, mas se preocupou antes de tudo em erigir uma hospedaria para os pobres, adaptando-lhe o primeiro andar para mosteiro, onde se retirou com Teresa e alguns amigos em comunidade monástica.

Os contatos com o mundo eram através de correspondência epistolar (chegaram a nós 51 cartas). Eram endereçadas a amigos e personalidades de maior projeção no mundo cristão, entre os quais estava precisamente Agostinho. Para os amigos fazia poemas nupciais e poesias de consolações. Mas para pôr fim àquela mística quietude, em 409 foi escolhido para bispo de Nola. Estavam para chegar à Itália anos de grandes tempestades. Genserico havia passado o mar à frente dos vândalos e se apressava a sa-quear Roma e todas as cidades da Campânia. Paulino se revelou verdadeiro pai, preocupado com o bem espiritual e material de todos. Morreu aos 76 anos, em 431, um ano depois do amigo santo Agostinho.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS

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São Luís Gonzaga, religioso

Ferrante Gonzaga, marquês de Castiglione delle Stiviere e irmão do duque de Mântua, gostaria que o seu primogênito Luís, nascido a 9 de março de 1568, seguisse seus passos de soldado e comandante no exército imperial. Com a idade de cinco anos, Luís já vestia uma couraça, com escudo, capacete, cinturão e espada e marchava atrás do exército do pai, aprendendo dos rudes soldados o uso das armas e o seu vocabulário colorido. Um dia aproveitou-se até da distração de um sentinela para pôr fogo a uma pequena peça de artilharia. Mas aquele menino daria fama à família Gonzaga com armas totalmente diferentes. Enviado a Florença na qualidade de pajem do grão-duque da Toscana, aos dez anos Luís imprimiu em sua própria vida uma direção bem definida, voltando-se à perpétua virgindade.

Também uma viagem à Espanha, onde ficou alguns anos como pajem do Infante Dom Diego, serviu-lhe para o estudo da filosofia na universidade de Alcalá de Henares e a leitura de livros devotos, como o Compêndio da vida espiritual, de Luís de Granada. Aos doze anos, após ter recebido a primeira comunhão das mãos de são Carlos Borromeu, decidiu entrar para a Companhia de Jesus. Mas foram necessários mais dois anos para vencer as resistências do pai, que o despachou para as cortes de Ferrara, Parma e Turim. “Também os príncipes — Luís escreverá mais tarde — são pó como os pobres: talvez, cinzas mais fedidas”.

Para que sua alma se perfumasse mais das virtudes cristãs, Luís renunciou ao título e à herança paternas e aos catorze anos entrou no noviciado romano da Companhia de Jesus, sob a direção de são Roberto Belarmino. Esqueceu totalmente sua origem de nobreza e escolheu para si as incumbências mais humildes, dedicando-se ao serviço dos doentes, sobretudo na epidemia que atingiu Roma em 1590. Acabou contraindo a terrível doença provavelmente por algum gesto de piedade: encontrando um moribundo na estrada, carregou-o nas costas até o sanatório, aos pés de Capitólio, onde trabalhava.

Morreu aos vinte e três anos, no dia por ele preconizado, a 21 de junho de 1591. O corpo de são Luís, “Patrono da juventude”, repousa na igreja de santo Inácio, em Roma. Este santo, ao contrário do que é apresentado em certos livros, era dotado de temperamento forte. As duras penitências às quais se submeteu são sinais de determinação não comum, rumo a uma meta que se havia proposto claramente desde a primeira adolescência.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

FONTE: PAULUS