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Santo do dia

São Gregório VII, papa

Sua vocação era a vida monástica. Mesmo no sólio pontifício usava o capuz beneditino. Hildebrando de Soana, toscano, nascido em 1028, parece ter iniciado sua vida monástica em Cluny. Após ter colaborado com os papas são Leão IX, que o nomeou abade de são Paulo, e Alexandre II, foi proclamado papa pelo povo. Era o dia 22 de abril de 1073. Oito dias depois os cardeais confirmaram a eleição, que ele aceitou com “muita dor, gemido e pranto”. Feito papa com o nome de Gregório VII, realizou com muita coragem o programa de reformas, que ele mesmo planejara como colaborador de seus predecessores: luta contra a simonia e contra a intromissão do poder civil na nomeação dos bispos, dos abades e dos próprios pontífices, restauração de severa disciplina para o celibato. Encontrou violentas resistências também da parte do clero.

No concílio de Mogúncia os clérigos gritaram: “Se ao papa não bastam os homens para governar as Igrejas locais, que dê um jeito de procurar anjos”. O papa confiava seus sofrimentos aos amigos com cartas que revelavam toda a sua sensibilidade, sujeita a profundos desconfortos, mas sempre pronta à voz do dever: “Estou cercado de grande dor e de tristeza universal — escrevia em janeiro de 1075 ao amigo santo Hugo, abade de Cluny — porque a Igreja Oriental deserta da fé; e se olho das partes do Ocidente, ou meridional, ou setentrional, com muito custo encontro bispos legítimos pela eleição e pela vida, que dirijam o povo cristão por amor de Cristo, e não por ambição secular”.

No ano seguinte teve de enfrentar o duro desentendimento com o imperador Henrique IV, que se humilhou em Canossa, mas, logo depois, retomou as rédeas do império, vingou-se com a eleição de um antipapa e marchou contra Roma. Gregório VII, abandonado pelos próprios cardeais, refugiou-se no Castelo Santo Ângelo, de onde foi libertado pelo duque normando Roberto de Guiscardo. O papa foi depois, em exílio voluntário, para Salerno, e aí morreu, um ano depois, pronunciando a célebre sentença: “Amei a justiça e odiei a iniquidade, por isso morro no exílio”.

Seu corpo foi sepultado na catedral de Salerno. Foi canonizado em 1606. Acostumados a ver neste papa um lutador empenhado com um braço de ferro contra o irrequieto imperador, não devemos esquecer o humilde servo da Esposa de Cristo, a Igreja, por cujo decoro trabalhou e sofreu a fim de que “permanecesse livre, casta e católica”. São as últimas palavras que ele escreveu na carta do exílio de Salerno, para convidar os fiéis a “socorrer a mãe”, a Igreja.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus.

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Evangelho do dia

Sábado da7ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

Confiei no vosso amor, Senhor. Meu coração por vosso auxílio rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes! (Sl 12,6)

A oração é indispensável na vida do seguidor de Jesus. Como crianças que se confiam aos cuidados dos pais, procuremos estar em oração em qualquer circunstância, sobretudo nos momentos difíceis, e louvemos o Senhor pelos benefícios recebidos. Da oração recebemos forças para sermos solidários com os que sofrem e reconduzir os desorientados ao caminho da salvação.

Primeira Leitura: Tiago 5,13-20

Leitura da carta de São Tiago – Caríssimos, 13se alguém dentre vós está sofrendo, recorra à oração. Se alguém está alegre, entoe hinos. 14Se alguém dentre vós estiver doente, mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. 15A oração feita com fé salvará o doente, e o Senhor o levantará. E se tiver cometido pecados, receberá o perdão. 16Confessai, pois, uns aos outros os vossos pecados e orai uns pelos outros para alcançar a saúde. A oração fervorosa do justo tem grande poder. 17Assim Elias, que era um homem semelhante a nós, orou com insistência para que não chovesse, e não houve chuva na terra durante três anos e seis meses. 18Em seguida tornou a orar, e o céu deu a chuva e a terra voltou a produzir o seu fruto. 19Meus irmãos, se alguém de vós se desviar da verdade e um outro o reconduzir, 20saiba este que aquele que reconduz um pecador desencaminhado salvará da morte a alma dele e cobrirá uma multidão de pecados. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 140(141)

Minha oração suba a vós como incenso!

1. Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me; / quando eu grito, escutai minha voz! / Minha oração suba a vós como incenso, / e minhas mãos, como oferta da tarde! – R.

2. Ponde uma guarda em minha boca, Senhor, / e vigias às portas dos lábios! / A vós, Senhor, se dirigem meus olhos, / em vós me abrigo: poupai minha vida! – R.

Evangelho: Marcos 10,13-16

Aleluia, aleluia, aleluia.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, / pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 13traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo, quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele”. 16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Não era, certamente, comum ver crianças sendo familiarmente acolhidas por um mestre em Israel. Jesus surpreende e se deixa tocar por elas, e o faz não para aparecer nas manchetes dos noticiários, nem para conquistar votos da população. Não estava em jogo a concorrência para algum cargo político. O que se via era a manifestação do Reino de Deus, que não exclui ninguém com simplicidade de coração. No caso, as crianças, aqui apresentadas por Jesus como modelos para quem quer pertencer ao Reino, coisa que os discípulos não compreendiam. Os discípulos, aliás, repreendiam as pessoas que traziam crianças até Jesus. Ignoravam que o Reino de Deus é constituído de pessoas que, à semelhança das crianças, têm o espírito simples, aberto e generoso. Livres para se aproximarem de Jesus e segui-lo.(Dia a dia com o Evangelho 2024)

FONTE: PAULUS

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Evangelho do dia

Sexta-feira da 7ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

Confiei no vosso amor, Senhor. Meu coração por vosso auxílio rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes! (Sl 12,6)

Jesus responde aos seus interlocutores sobre a questão do divórcio, firmando-se sobre o valor do amor entre os esposos e da unidade da família querida por Deus. Os esposos cristãos, olhando para o Senhor “rico em misericórdia e compassivo”, saberão crescer na fidelidade e serão testemunhas do amor sem medidas para toda a comunidade. Celebremos com o compromisso de crescer no amor de Deus, sendo honestos e coerentes em nossas palavras e ações.

Primeira Leitura: Tiago 5,9-12

Leitura da carta de São Tiago – 9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. 10Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor. 11Reparai que consideramos como bem-aventurados os que perseveraram. Ouvistes falar da perseverança de Jó e conheceis o êxito que o Senhor lhe deu – pois o Senhor é rico em misericórdia e compassivo. 12Sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra forma de juramento. Antes, que o vosso “sim” seja sim e o vosso “não”, não. Então não estareis sujeitos a julgamento. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 102(103)

O Senhor é indulgente, é favorável.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome! / Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores! – R.

2. Pois ele te perdoa toda culpa / e cura toda a tua enfermidade; / da sepultura ele salva a tua vida / e te cerca de carinho e compaixão. – R.

3. O Senhor é indulgente, é favorável, / é paciente, é bondoso e compassivo. / Não fica sempre repetindo as suas queixas / nem guarda eternamente o seu rancor. – R.

4. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, / tanto é grande o seu amor aos que o temem; / quanto dista o nascente do poente, / tanto afasta para longe nossos crimes. – R.

Evangelho: Marcos 10,1-12

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vossa Palavra é a verdade; / santificai-nos na verdade! (Jo 17,17) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 1Jesus foi para o território da Judeia, do outro lado do rio Jordão. As multidões se reuniram de novo em torno de Jesus. E ele, como de costume, as ensinava. 2Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” 4Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. 5Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu esse mandamento. 6No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” 10Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra cometerá adultério contra a primeira. 12E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Divorciar-se, na época de Jesus, significava que o homem podia despedir sua mulher por motivos banais. Isso era reflexo da superioridade do homem e seu domínio sobre a mulher (machismo). Então, no lar, acontecia a opressão que se verificava em todos os níveis da sociedade judaica. Ao responder aos fariseus que vieram “para pô-lo à prova”, Jesus se posiciona a favor do matrimônio e da mulher. Ensina que o ideal do matrimônio está baseado no projeto criador de Deus. E reforça o sentido de igualdade entre homem e mulher: “os dois serão uma só carne”. “Esta íntima união, entrega recíproca de duas pessoas, assim como o bem dos filhos exigem a plena fidelidade dos esposos e requerem sua indissolúvel unidade” (GS, 48).(Dia a dia com o Evangelho 2024)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

São João Batista de Rossi, presbítero

João Batista de Rossi representa o triunfo da vontade sobre a fragilidade física, do generoso empenho apostólico sobre os obstáculos da doença. Atingido pela epilepsia e por doença nos olhos, multiplicou o trabalho quotidiano para beneficiar os pobres da cidade de Roma e dos internados nos albergues. Nasceu em Votágio, província de Gênova, a 22 de fevereiro de 1698, mas aos 13 anos se estabeleceu definitivamente em Roma, com um primo padre, cônego de santa Maria em Cosmedin, para poder frequentar o liceu clássico com os jesuítas do Colégio Romano. Em 1714, se encaminhou às ordens sagradas, recebendo a tonsura e completando os estudos teológicos em Minerva com os dominicanos. Ordenado sacerdote a 8 de março de 1721, não aguardara esta oportunidade para dar início ao seu intenso apostolado. Nos anos precedentes dirigira vários grupos de estudantes. Por causa desta experiência pôde criar a Pia União dos Sacerdotes Seculares, anexa ao albergue de santa Gala, por ele dirigido e que por dois séculos, até 1935, agruparia os mais belos nomes do clero romano, tendo alguns deles subido às honras dos altares.

Além do albergue de santa Gala (fundado por Marcos Antônio Anastácio Odescalchi, primo de Inocêncio XI), destinado só a homens, quis ampliar o raio de seu apostolado, fundando o albergue para as mulheres, dedicado a são Luís Gonzaga, seu santo predileto. Orientado pelo seu confessor, o servo de Deus Francisco Maria Galluzzi, não obstante a precária saúde, redobrou a sua atividade. Parecia onipresente, pois estava em todos os lugares onde precisavam de conforto, instrução, socorro, em qualquer hora do dia ou da noite. Não era raro vê-lo nas praças de Roma improvisando um sermão para os desocupados e a tarde quando o povo voltava do trabalho.

A simpatia que ganhava do povo humilde dos subúrbios atraía ao seu confessionário longas filas de penitentes. Era mestre de espiritualidade e onde quer que pusesse a mão numa iniciativa, imprimia ritmo de santo fervor. Eleito cônego de santa Maria em Cosmedin, foi dispensado da obrigação do coro para poder dedicar-se com maior liberdade à suas tarefas apostólicas. Nos últimos meses de vida a recrudescência do mal submeteu-o a verdadeiro calvário. Morreu a 23 de maio de 1764 e foi beatificado por Pio IX, que fora seu sucessor na Pia União dos Sacerdotes Seculares de santa Gala. Leão XIII o canonizou a 8 de dezembro de 1881.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus

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Evangelho do dia

Quinta-feira da 7ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

Confiei no vosso amor, Senhor. Meu coração por vosso auxílio rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes! (Sl 12,6)

Escândalo grave na vida do cristão é a indiferença aos clamores dos que sofrem neste mundo. Como o sal, que dá sabor à comida, assim deve ser o seguidor de Jesus, chamado a agir sem cessar em vista de melhorar a sociedade. Busquemos na Palavra e na Eucaristia a fortaleza para criar e cultivar a fraternidade.

Primeira Leitura: Tiago 5,1-6

Leitura da carta de São Tiago – 1E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós. 2Vossa riqueza está apodrecendo, e vossas roupas estão carcomidas pelas traças. 3Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo. Amontoastes tesouros nos últimos dias. 4Vede, o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso. 5Vós vivestes luxuosamente na terra, entregues à boa-vida, cevando os vossos corações para o dia da matança. 6Condenastes o justo e o assassinastes; ele não resiste a vós. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 48(49)

Felizes os humildes de espírito / porque deles é o Reino dos Céus.

1. Este é o fim do que espera estultamente, / o fim daqueles que se alegram com sua sorte; / são um rebanho recolhido ao cemitério, / e a própria morte é o pastor que os apascenta. – R.

2. São empurrados e deslizam para o abismo. † Logo seu corpo e seu semblante se desfazem, / e entre os mortos fixarão sua morada. / Deus, porém, me salvará das mãos da morte / e junto a si me tomará em suas mãos. – R.

3. Não te inquietes quando um homem fica rico / e aumenta a opulência de sua casa; / pois, ao morrer, não levará nada consigo, / nem seu prestígio poderá acompanhá-lo. – R.

4. Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: / todos te aplaudem, tudo bem, isso que é vida! / Mas vai-se ele para junto de seus pais, / que nunca mais e nunca mais verão a luz. – R.

Evangelho: Marcos 9,41-50

Aleluia, aleluia, aleluia.

Acolhei a Palavra de Deus não como palavra humana, / mas como mensagem de Deus, o que ela é, em verdade! (1Ts 2,13) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 41“Quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. 42E se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. 43Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na vida sem uma das mãos do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.(44) 45Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na vida sem um dos pés do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. 47Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 48‘onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga’. 49Pois todos hão de ser salgados pelo fogo. 50Coisa boa é o sal. Mas se o sal se tornar insosso, com que lhe restituireis o tempero? Tende, pois, sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Escandalizar significa fazer tropeçar e cair. O escândalo existe quando, na comunidade, alguém pretende ser servido em vez de servir; colocar-se acima dos outros, como superior. O discípulo de Jesus não pode cultivar ambição de poder e riqueza: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servidor de todos” (Mc 9,35). Por isso, Jesus convida todos a cortar o mal pela raiz. Para mostrar a gravidade do escândalo, Jesus usa imagens fortes e linguagem simbólica. A mão representa toda atividade; o pé indica conduta, comportamento; o olho se refere a desejo, aspiração. É necessário eliminar tudo o que desvia os cristãos de sua adesão ao Reino de Deus. O sal, que impedia a corrupção dos alimentos, é imagem da fidelidade ao projeto de Jesus.(Dia a dia com o Evangelho 2024)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

Santa Rita de Cássia, religiosa

Observando de perto, sem exagero de lenda, percebe-se o rosto humaníssimo da mulher que não passou indiferente diante da tragédia da dor e da miséria material, moral e social. Sua história terrena poderia ser tanto de ontem, como de hoje. Ela nasceu em 1381, num canto remoto da Úmbria, em Roccaporena. Crescida no temor de Deus junto aos seus velhos pais, respeitou-lhes tanto a autoridade a ponto de sacrificar o propósito de fechar-se no convento e aceitou unir-se em matrimônio com um jovem violento e irrequieto, Paulo de Ferdinando. As biografias da santa nos pintam uma cena familiar não incomum: mulher doce, atenta a não ferir a suscetibilidade do marido, de cujas maldades está consciente, e sofre e reza em silêncio.

Sua bondade conseguiu, por fim, abrir uma brecha no coração de Paulo, que mudou de vida e de costumes, sem, todavia, conseguir fazer com que seus inimigos esquecessem os velhos rancores acumulados. Uma tarde foi encontrado morto na beira de uma estrada. Os dois filhos, já bastante crescidos, juraram vingar o pai. Quando Rita percebeu a inutilidade de seus próprios esforços para dissuadi-los, encontrou a coragem de pedir a Deus que chamasse ambos a si, antes que se manchassem com o homicídio. Sua oração, humanamente incompreensível, foi ouvida. Sem marido e sem filhos, Rita então pôde bater à porta do convento das agostinianas de Cássia. Seu pedido não foi aceito.

Voltando ao seu solitário lar, suplicou incessantemente aos seus três santos protetores, são João Batista, santo Agostinho e são Nicolau de Tolentino, e numa noite deu-se o prodígio. Os três santos apareceram-lhe e convidaram-na a segui-los. Arrombaram a porta do convento, bem protegida por correntes, e levaram-na bem ao meio do coro, onde as freiras recitavam as orações da manhã. Rita pôde assim vestir o hábito das agostinianas, realizando o antigo desejo de se dedicar totalmente a Deus, voltando-se à penitência, à oração e ao amor de Cristo crucificado, que a associou visivelmente à sua paixão, imprimindo-lhe na testa um espinho.

Esse estigma milagroso, recebido durante um êxtase, marcou-lhe o rosto com dolorosíssima chaga purulenta até a morte, isto é, durante 14 anos. A fama de sua santidade ultrapassou os muros do rigoroso convento de Cássia. As orações de Rita obtiveram prodigiosas curas e conversões. Para ela mesma nada pediu a não ser o vestir as dores que aliviavam o próximo. Morreu no mosteiro de Cássia em 1457 e foi canonizada em 1900.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus

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Quarta-feira da 7ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

Confiei no vosso amor, Senhor. Meu coração por vosso auxílio rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes! (Sl 12,6)

Em nosso cotidiano encontramos muitos “cristãos anônimos”: pessoas que não se proclamam seguidores de Cristo, mas manifestam suas atitudes e sentimentos. A eles nos cabe dedicar estima, respeito e acolhida. Renovemos nesta celebração nosso compromisso de fazer o bem enquanto temos tempo e oportunidade, construindo, com todas as pessoas, laços de fraternidade.

Primeira Leitura: Tiago 4,13-17

Leitura da carta de São Tiago – Caríssimos, 13e agora, vós que dizeis: “Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos ali um ano, negociando e ganhando dinheiro”. 14No entanto, não sabeis nem mesmo o que será da vossa vida amanhã! Com efeito, não passais de uma neblina que se vê por um instante e logo desaparece. 15Em vez de dizer: “Se o Senhor quiser, estaremos vivos e faremos isto ou aquilo”, 16vós vos gloriais de vossas fanfarronadas. Ora, toda arrogância desse tipo é um mal. 17Assim, aquele que sabe fazer o bem e não o faz incorre em pecado. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 48(49)

Felizes os humildes de espírito, / porque deles é o Reino dos Céus!

1. Ouvi isto, povos todos do universo, / muita atenção, ó habitantes deste mundo; / poderosos e humildes, escutai-me, / ricos e pobres, todos juntos, sede atentos! – R.

2. Por que temer os dias maus e infelizes / quando a malícia dos perversos me circunda? / Por que temer os que confiam nas riquezas / e se gloriam na abundância de seus bens? – R.

3. Ninguém se livra de sua morte por dinheiro / nem a Deus pode pagar o seu resgate. / A isenção da própria morte não tem preço; / não há riqueza que a possa adquirir / nem dar ao homem uma vida sem limites / e garantir-lhe uma existência imortal. – R.

4. Morrem os sábios e os ricos igualmente; † morrem os loucos e também os insensatos / e deixam tudo o que possuem aos estranhos. – R.

Evangelho: Marcos 9,38-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sou o caminho, a verdade e a vida, / ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14,6). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 38João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”. 39Jesus disse: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. 40Quem não é contra nós é a nosso favor”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Estaria o apóstolo João com uma ponta de inveja diante da expulsão de demônios por alguém que não pertence ao grupo de Jesus, justamente após o fracasso dos discípulos de Jesus, que foram incapazes de curar o menino epilético? Esse “alguém” representa os não judeus. O que ele tem que os discípulos não têm? Provavelmente, ele tem fé no poder de Deus manifestado em Jesus. O nome de Jesus não é monopólio de uma comunidade. O que Jesus mais deseja é que o bem se alastre, que o Reino de Deus chegue a todos. Então, não é o caso de se incomodar com o bem que os outros fazem. Os fariseus é que assim procedem em relação a Jesus. Reta intenção e vontade de fazer o que Jesus faz, isso é o que conta para Deus. Não se trata de dar espetáculo. O que está em jogo é o bem realizado em favor do próximo.(Dia a dia com o Evangelho 2024)

FONTE: PAULUS

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Santa Catarina de Gênova, religiosa

Catarina, chamada pelos contemporâneos Catarininha, nasceu em Gênova em 1447, filha de Francisca di Negro e Tiago Fieschi, então vice-rei de Nápoles sob Renato de Anjou. Os Fieschi tinham dado à Igreja dois papas (Inocêncio IV e Adriano V) e com os Grimaldi chefiavam o partido guelfo. Quando completou 16 anos de idade, seus pais deram-na como esposa ao guibelino Juliano Adorno, não obstante ela ter pedido, três anos antes, para tornar-se cônega lateranense como sua irmã Limbânia. A vida desregrada e imoral de Juliano (que tinha cinco filhos naturais) influenciou negativamente

Catarina, que embasou os primeiros anos de seu matrimônio no autobiográfico Diálogo da chamada Catarininha entre a alma e o corpo. Junto com o amor próprio reduzido depois ao espírito com a humanidade.

A santa imagina uma alma fazendo com o corpo este trato: “Sairemos pelo mundo, e se eu encontrar coisa de que gosto, desfrutá-la-ei, e tu farás o mesmo quando encontrares algo de que gostas, e quem encontrar mais gozará mais”. Mas a aliança entre o corpo e o amor próprio, logo reduz a alma a mau partido: “À alma não ficou senão pequeno remorso, do qual, porém, nem fazia caso… Esta pobre alma, em pouco tempo se encontrou tão cheia de pecados e ingratidão nas costas, sem ver nenhuma saída, tanto que ficava fora de cogitação qualquer solução”. Então exclama: “Pobre de mim, quem me livrará de tantos ais? Só Deus o pode! Senhor, fazei com que eu veja a luz, para que possa sair de tantos laços”.

Tiveram início então suas experiências interiores nas quais Catarina se inspirou para outra famosa obra, o Tratado do Purgatório, cujo prólogo a declarava “colocada no purgatório do incendiado amor divino, que a queimava toda e purificava-a de tudo o que tinha a purificar”. Catarina concretizou o seu desejo de renovação espiritual na mortificação e na caridade.

Foi ela que estimulou Heitor Vernazza a transformar a companhia da Misericórdia em Companhia (e depois Oratório) do Divino Amor, iniciativa que se difundiu também em Roma e em Nápoles e que teve como “sócios” são Caetano de Thiene e o futuro Paulo IV. Era a realização de tudo o que escrevera no Diálogo: “Não se encontra caminho mais breve, nem melhor, nem mais seguro para a nossa salvação do que esta nupcial e doce veste da caridade”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus

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Terça-feira da 7ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia)

Confiei no vosso amor, Senhor. Meu coração por vosso auxílio rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes! (Sl 12,6)

A ganância pelo poder, o mundanismo, a soberba, tudo isso cresce no coração daqueles que não se firmaram no caminho do discipulado de Cristo: o caminho do serviço e da humildade. Confiemos nossos cuidados ao Senhor, como crianças que dependem de seus pais, e celebremos com o desejo de crescer no caminho do Evangelho, ao iniciarmos nova etapa do Tempo Comum.

Primeira Leitura: Tiago 4,1-10

Leitura da carta de São Tiago – Caríssimos, 1de onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? 2Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. 3Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres. 4Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que pretende ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus. 5Ou julgais ser em vão que a Escritura diz: “Com ciúme anela o espírito que nos habita”? 6Mas ele nos dá uma graça maior. Por isso, a Escritura diz: “Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes”. 7Obedecei, pois, a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Purificai as mãos, ó pecadores, e santificai os corações, homens dúbios. 9Ficai tristes, vesti o luto e chorai. Transforme-se em luto o vosso riso, e a vossa alegria em desalento. 10Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 54(55)

Confia teus cuidados ao Senhor, / e ele há de ser o teu sustento!

1. É por isso que eu digo na angústia: † “Quem me dera ter asas de pomba / e voar para achar um descanso! / Fugiria, então, para longe / e me iria esconder no deserto. – R.

2. Acharia depressa um refúgio † contra o vento, a procela, o tufão”. / Ó Senhor, confundi as más línguas. – R.

3. Dispersai-as, porque na cidade † só se vê violência e discórdia! / Dia e noite circundam seus muros. – R.

4. Lança sobre o Senhor teus cuidados, / porque ele há de ser teu sustento / e jamais ele irá permitir / que o justo para sempre vacile! – R.

Evangelho: Marcos 9,30-37

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minha glória é a cruz do Senhor Cristo Jesus, / pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para este mundo (Gl 6,14). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. 32Os discípulos, porém, não compreendiam essas palavras e tinham medo de perguntar. 33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” 34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. 35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” 36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: 37“Quem acolher em meu nome uma destas crianças é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher está acolhendo não a mim, mas àquele que me enviou”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Os discípulos de Jesus discutem sobre um tema corriqueiro na sociedade de todos os tempos. Conversam sobre negócios: compras, vendas, lucros, sucesso… Sabe-se que, em vista de se tornarem ricas e poderosas, algumas pessoas não hesitam em explorar as outras, lançando mão de propinas e roubos camuflados. Por vezes, usando a posição social, a influência e muito dinheiro. Formam uma sociedade opressora, desprovida de valores éticos e morais. Jesus caminha na direção contrária. Para todos ele quer vida digna, relações fraternas, espírito de partilha e igualdade. Esse é o projeto do Pai. Essa é a bandeira erguida e sustentada pelo Filho do Homem, que, por defender essa causa, morre na cruz. Confirmando que Jesus lutou por uma causa justa, o Pai o ressuscita dos mortos. Sua luta não foi em vão.(Dia a dia com o Evangelho 2024)

FONTE: PAULUS

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Santo do dia

São Bernardino de Sena, presbítero

Taquigrafadas com um método de sua invenção por um discípulo, as Prédicas populares de são Bernardino de Sena chegaram até nós com toda a naturalidade e o estilo rápido e colorido com que eram pronunciadas nas várias praças italianas. Relendo-as hoje percebe-se a atualidade dos temas entre os quais os mais frequentes eram aqueles sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça. Fustigava a avareza dos novos ricos, mercadores, banqueiros, usurários etc. Comparava-os a pássaros sem asas, incapazes de levantar o voo um palmo acima de suas coisas: “Eu bem sei que as coisas que tu tens, não são só tuas, mas Deus as deu para suprir as necessidades do homem: não são do homem, mas para as necessidades do homem”.

Tinha palavras duríssimas para os que “renegam a Deus por uma cabeça de alho” e pelas “feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres”. “Se tu tens bastante coisa e não tens necessidade e não a distribuis e morre, irás para a casa quente”. “A ti que tens agasalho mais do que tem a cebola, recobre a carne do pobre, quando o vês tão maltrapilho e nu, pois a carne dele e a tua são a mesma carne”. Recorria a exemplos familiares como o da cebola conservada com as folhas juntas para inculcar a necessidade da união e da concórdia.

Até depois de sua morte, na cidade de Áquila em 1444, são Bernardino continuou a sua obra de pacificação. De fato chegou moribundo a esta cidade e não pôde fazer o curso de prédicas que tinha programado. Persistindo a luta entre as facções, seu corpo dentro do caixão começou a sangrar como uma fonte e o fluxo parou somente quando os cidadãos de Áquila se reconciliaram. Em reconhecimento foi decretada a construção de magnífico monumento sepulcral, realizado depois por Silvestre di Giacomo.

São Bernardino, canonizado em 1450, isto é, somente seis anos após a morte, nascera em 1380 em Massa Marítima da nobre família senense dos Albizzeschi. Ficou órfão de pai e mãe ainda muito jovem e foi criado em Sena por duas tias. Frequentou a universidade de Sena até aos 22 anos, quando abandonou a vida mundana para vestir o hábito franciscano. Dentro da Ordem tornou-se um dos principais propugnadores da reforma dos franciscanos observantes. Arauto da devoção ao nome de Jesus, fazia gravar o monograma “JHS” sobre tabuinhas de madeira que dava ao povo para beijar no fim do sermão. São Bernardino é o patrono dos publicitários italianos.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: Paulus