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terça-feira 21 novembro 2017
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A vocação do leigo

Caros amigos, todos somos chamados à santidade. Ao mesmo tempo, cada pessoa é importante aos olhos do Senhor, que convida individualmente aos homens e mulheres de boa vontade a participarem de Seu plano de amor. Por isso, podemos dizer que cada pessoa neste mundo tem uma particular missão e insubstituível responsabilidade na construção do Reino de Deus.

Os leigos, ou seja, os fiéis que não receberam a Sagrada Ordenação nem fizeram votos públicos dos conselhos evangélicos, são chamados por Deus a assumir com grande amor e generosidade sua missão específica na Igreja e no mundo.

Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “É específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus… A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (n. 898).

Quando os leigos não assumem sua tarefa evangelizadora, todo o mundo sofre graves consequências. Por sua índole “secular”, esses fiéis podem iluminar os importantes ambientes da vida social, desde as famílias – primeira célula da sociedade – até as estruturas políticas e econômicas, cujas ações repercutem na vida de todos.

Percebemos que dois grandes perigos ameaçam a verdadeira missão do leigo. Por um lado, a cultura do bem-estar, que faz com que muitos fiéis evitem tarefas apostólicas ou outros compromissos cristãos que lhes possam roubar o seu “precioso” tempo livre (Cfr. EG, 30). Por outro lado, alguns setores da Igreja fazem uma má interpretação do que deve ser a valorização da missão dos leigos colocando-os apenas em tarefas no seio da Igreja (cfr. EG, 102), e não formando lideranças para os difíceis e urgentes campos sociais como a política, a caridade social, a produção intelectual em defesa da fé e a educação da juventude.

Os leigos sempre foram a vocação mais abrangente e evangelizadora da Igreja. Mesmo onde os sacerdotes e religiosos não podiam atender adequadamente, lá um exército de batizados e batizadas mantinha a fé com a devoção popular e um profundo sentido de temor de Deus, como atesta a história da evangelização de nossa Diocese. Falta que toda a Igreja cresça na consciência da missão evangelizadora do leigo e sua enorme boa vontade, que conta com a luz do Espírito Santo.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)




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